2.3.10

TURISTA OCIDENTAL - NA TERRA DOS LUSITANOS (17)


“Vermelho, com um castelo de prata aberto e iluminado de negro sobre um monte de verde realçado de prata. Chefe de prata com um leopardo passante de vermelho com uma coroa de flores de sua cor, na mão direita. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com os dizeres “Vila de Penedono” em negro”.

É assim que, manhã cedo, despontamos em Pena (castelo) do Dono, hoje conhecida por Penedono (embora se continue a não saber quem era o dono), devidamente regulamentados pela Portaria do Ministério do Interior, nº 8081, de 20/4/1935, que aprova o brasão da vila acima descrito.
O leopardo fazia parte das armas dos Coutinhos que dominaram toda esta zona e de que um dos descendentes é o galante “Magriço” (Álvaro Gonçalves Coutinho), herói da narrativa dos Doze Pares de Inglaterra, imortalizado por Camões no Canto VI dos Lusíadas.
O castelo roqueiro apresenta vestígios muito antigos. No entanto, só dele temos fontes documentais a partir da Reconquista que partiu do Reino de Oviedo, fundado em 761, a seguir à mítica Covadonga, de Pelágio.
De facto, após a vitória de Ramiro II de Leão, na batalha de Simancas em 939 (onde, pela primeira vez, Santiago terá vindo dar uma ajudinha), a defesa desta parte do território foi confiada a Rodrigo Tedoniz, marido de Leodegúndia (que, como todos sabem, era irmã de Mumadona Dias – ver estátua em Guimarães), com quem gerou Dona Flâmula (ou Chamoa Rodrigues).
Rodrigo viria a ser alcaide dos castelos do soberano Ramiro e mandaria reedificar o castelo de Penedono. Depois, o castelo foi mudando de mãos por diversas vezes até à reconquista pelo nosso conhecido Fernando I, rei de Leão e Castela (1064), o qual, para além de se intitular Magno, assumiu-se como Imperator.
Curiosamente, logo a seguir, o unificador Imperador deixou em herança, os seus domínios divididos pelos três filhos, à boa maneira franco-feudal. A Garcia coube a Galiza, compreendendo todos os territórios até ao Douro e os conquistados abaixo do rio.
A partir daí, as guerras entre os três reis foram constantes. Os condes galegos aproveitaram para novas revoltas… e os mouros sempre a espreitar.
(A continuar)

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