QUEM QUISER ENTENDER AS RAÍZES DAS PROFECIAS DO BANDARRA E O COMEÇO DA FANTASIA DO "QUINTO IMPÉRIO" NÃO PERCA ESTE E O PRÓXIMO EPISÓDIOS.
Chegados a Trancoso, a primeira coisa que salta à vista são as trovas de Gonçalo Anes, o Bandarra, profeta messiânico, muito apreciado pelo Padre António Vieira e por Fernando Pessoa. O Bandarra é um misto de António Aleixo do “Quinto Império” e de Nostradamus do bucho. Sapateiro de profissão. Nasce talvez judeu por volta de 1500 e morre eventualmente cristão-novo em 1556.
Para se aquilatar da irrelevância do homem, basta dizer que, em 1540, Bandarra foi preso e levado para Lisboa. Após julgamento, a Mesa da Inquisição deu-lhe um castigo brando: abjurar solenemente as suas trovas. No entanto, foi tal o cagaço que o “profeta” nada mais disse até à morte. Bandarra é um epifenómeno regionalista de que outros se serviram para os fins mais obscuros…
D. João de Castro, o pai do “sebastianismo “ ortodoxo, editou a Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra, contendo as profecias rimadas do “profeta”, logo após o desastre de Álcacer Quibir (1578). O falecido rei ganhou fama de “encoberto”, aguardado ansiosamente por entre as brumas de Avalon. O “Quinto Império” começa a ganhar forma, especialmente por que era tudo muito encoberto, tudo profético, tudo irrealizável, enfim… tudo completamente português!
(A continuar)

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