11.3.10

TURISTA OCIDENTAL - NA TERRA DOS LUSITANOS (22)

Os “trancositas” ou “trancosóis”… ou será trancosenses (?), enfim, os habitantes de Trancoso são muito fechados. Fechados dentro de muralhas, claro. E já não é de hoje…

Trancoso está rodeada de muralhas desde épocas remotas, rodeando um castelo que pertenceu aos Templários, a partir de 1173, no tempo de Afonso Henriques.
O castelo tem uma torre de menagem única em todo o país, de estrutura tronco-piramidal, de origem moçárabe. As muralhas estão apoiadas em 15 torres, abrindo-se em 4 portas e 3 postigos. Digo isto só para que conste, porque o monumento está encerrado para obras arqueológicas, o que faz temer o pior, tanto mais que, à boa maneira lusitana, não se indica o prazo da obra!
Os castelos dividem-se em dois tipos: de planície ou meseta, com formas geométricas que o terreno permite ou roqueiros, adaptados aos cabeços rochosos em que se erguem. Têm um pátio central, onde, em caso de aflição, se refugiavam os habitantes da povoação, rodeados pelas casas da guarnição e de muros de protecção. O topo das muralhas foi recebendo novos elementos arquitectónicos: caminhos de ronda; ameias e merlões; seteiras e troneiras; palanques e balcões com matacães. O castelo padrão só tinha 2 portas: uma para a povoação; outra para o terreno exterior.
Os castelos entraram no estandarte português a partir de Afonso III. Os vexilologos (especialistas em bandeiras) debatem-se sobre se seriam roqueiros ou de meseta. Eu inclino-me mais para o “rock”. Nos primeiros tempos. Os castelos da bandeira eram em número variável. Eram os que coubessem ou dessem jeito ao “designer”. D. Sebastião fixou definitivamente em sete os castelos da bandeira nacional. O único acto de gestão sensato que lhe coube produzir.
(A continuar)

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