6.5.10

CHOCOS ELÉCTRICOS


Foram mãos hábeis de artesãos lacobrigenses que, já no decorrer do século XX, se lançaram neste ousado projecto de electrificar a cidade. O efeito é espantosamente contrastante, dando ao branco um vigor ainda maior e ao preto uma luz negra devastadora. Os fios percorrem a cidade num sinal de pujança e vitalidade inabaláveis, seguros do passado, confiantes no futuro. Filigramas serpentuários que se repetem em motivos abissais. Nós que descobrem novos mundos em amperes inantingíveis. Promontórios de luz secular. Lagos é uma cidade em permanente choque, um choque com tinta.

16 comments:

Anonymous said...

O Branco que eletrocuta !!!

Silvares said...

Especialidade bem portuguesinha!

Teresa Diniz said...

Dito assim, até parece bonito!

João Menéres said...

ARTE desta por Portugal inteiro...

Sempre a fotografar, não é Jorge?

Porque FOTOGRAFAR É PRECISO!

... said...

Vulgarmente chamado: gambiarras.
Estão por toda parte.
Abs.

João Menéres said...

Já parece o TONHO com os CHOCOS !

Brilhante mente!

angela said...

Por aqui também temos aos montes.

Jorge Pinheiro said...

Eles estão por todo o lado... Foi o progresso. Só não os vi na ilha de Lanzarote nas Canárias. Nem um cabo à vista... Em SP, diga-se, é um horror.

vieira calado said...

Se assim é, podem considerar-se monumentos... locais...

Passei para deixar um abraço.

Jorge Pinheiro said...

Obrigado Vieira Calado. Um abraço também.

Lizete Vicari said...

Jorge, tu escreves tão poeticamente,
que quase me apaixono pelo emaranhado de fios!
Um beijo!

Li Ferreira Nhan said...

A Lizete disse tudo.
Assino embaixo!

myra said...

adoro estes fios,em foto,
mas me dao medo, estes fios aparentes...
bjs

Jorge Pinheiro said...

Pois Lizete.Temos de ser poéticos. Até para dizer mal...

Lina Faria said...

Jorge,
os fios no Brasil são os terrores de nós fotógrafos.
Sem falar das 'gambiarras' e 'gatos', que querem dizer roubo de energia, através de cabos irregulares.
Mas são fotogênicos.

Jorge Pinheiro said...

Eu sei Lina. Em SP é demais... Temos de viver com isso. É um desafio...