18.8.13

ADEUS BERLIM


Afinal tinha imensas fotos esquecidas. Foram tiradas no último dia e estavam arquivadas noutro computador. Comecei por embirrar ligeiramente com Berlim. Tudo muito igual. Sem colorido. Muitas obras. Matacões soviéticos, datados no tempo e no modo. Coisas modernas que não me emocionaram. Gente pouco simpática. Só com o passar dos dias e algum esforço de perspectiva histórica, entendi. Berlim é o nazismo em cada esquina. Os judeus perseguidos. A Gestapo prepotente. Livros queimados em frente à Ópera Khroll. O Reichtag incendiado. Um clima cinzento feito de morte e tortura. Sirenes de medo. Bombardeamentos dos Aliados. Um cidade destruída. Uma ilha fantasmagórica no meio Alemanha. Uma cidade dividida por um muro que já não é. Construções e reconstruções. Tudo isso está lá. Está nas pessoas e nos locais. Está no ar. No cheiro. Está por todo o lado. E, para o bem e para o mal, os alemães são isso mesmo, um povo que cai sempre de pé. Berlim é uma cidade nova. Reconstruída. Uma cidade aberta e segura. Uma cidade que vale a pena. Ficou muita coisa por perceber. A barreira linguística é decisiva para a comunicação. Mais que turismo, em Berlim vai-se estudar a História do século XX. Uma História que mudou por força da loucura de um homem. Um História que temos de ter presente para não voltarmos atrás. Hoje a União Europeia existe por causa Hitler. Tudo isto Berlim nos ensina. Da próxima vez vou-me preparar melhor.

12 comments:

Eduardo P.L. said...

Isso mesmo, não vamos dizer Adeus, mas até breve Berlim.

Fatyly said...

Realmente foi um horror da história e que alguns alemães que conheci também condenam e alguns sofreram na pele ainda bem garotinhos, mas cujos pais...enfim!

Mesmo assim, se pudesse, Berlim estaria fora dos meus planos, mas já não diria o mesmo de Garmisch-Partenkirchen só para assistir aos saltos de esqui que é realizado no Dia de Ano Novo e que faz parte do Torneio dos Quatro Trampolins:))))))

Jorge Pinheiro said...

Saltos de quê? Não te conhecia essa faceta desportiva :))

daga said...

não conheço esta cidade que vocês visitaram... a que eu conheci tinha um muro e o que eu senti em Berlim era essa divisão entre dois mundos, a Guerra Fria no aqui e no agora. "o nazismo em cada esquina"?? hoje?? desisto, não adianta

Li Ferreira Nhan said...

Esta semana assisti um documentário s/ Berlim. Uma escritora brasileira, um mês a viver por lá, só falava o inglês e a proposta era escrever um conto ou romance sei lá que tivesse a ver com a cidade. O curta metragem (parte da série " Amores Expressos") foi sobre as impressões da gente, da cidade de Berlim. A língua é mesmo um problema, eles não querem falar outra. O muro permanece na mentilidade do povo. Uma gente que precisa de sol em todos os sentidos. Abertos para os costumes fechados para os sentimentos. Ela falou tb s/ os turcos... Impressões de uma escritora. Eu não sei, não percebo.
Aqui neste Expresso gostei de conhecer o tal museu Neue; excelente, acervo como poucos! Mas uma cidade não se qualifica por seus museus, mas por sua gente. Então fico na mesma, não percebo.

Fatyly said...

Jorge
Não conhecias esta minha faceta? Acompanho sempre pela tv (eurosport) tudo que é desporto e só detesto futebol, boxe, halterofilismo e vela...bem diferente da canoagem:):):)
Ainda agora acompanhei os campeonatos do mundo de atletismo e ver um Usain Bolt a fazer o que fez...até esqueço a porcaria da política e seus pancrácios:)))))

João Menéres said...

FATYLY Detestas VELA ?
Bolas...

Um beijo.

Jorge Pinheiro said...

Graça: o nazismo está presente na História da Europa, como o acontecimento mais importante do século. Tenta arranjar outro com a mesma relevância...

Jorge Pinheiro said...

Li: Concordo que não é fácil. Eu não simpatizei com a onda das pessoas. Mas os próprios alemães não apreciam berlinenses. Continuo a dizer que, em especial para um europeu (os brasileiros não entendem com facilidade esta questão) a História foi condicionada pela Alemanha no pior dos sentidos. O resultado acabou por ser positivo: a União Europeia.

Jorge Pinheiro said...

A vela não é deporto para se ver na TV. é para praticar.

daga said...

Jorge, com certeza que o nazismo foi importantíssimo neste século, não é isso que eu contesto e tu sabes bem...

Gustavo Alvarez said...

sinceramente, não gosto muito da forma como descreves a cidade. Veja bem. Após a Primeira Grande Guerra a Alemanha estava humilhada e partida ao meio pelo tratado de Versales. As cédulas de dinheiro eram do tamanho de uma folha de papel de carta e levavam em carinhos de pedreiro um monte delas para comprar quase nada.
Desnecessário desenhar a cara da miséria.
Mas vou direto ao ponto onde quero chegar.
Hitler, o louco, comandou, a nação ao ponto de levantar o moral e a produtividade. Jogando confete em si mesmo. Ao contrário dos budistas tibetanos.
Ele peca ao querer expandir seu "will zu macht" desejo de fazer, (ou potenza, como foi traduzido primeiramente pro italiano, ou power, ou poder) para além das linhas alemãs.
Wagner e Nietzsche não têm nada que ver com isso. E vaja que ainda hoje é proibido tocar Wagner em Israel. Porque o safado colocava suas sinfonias nas invasões nazistas.
em 1936, quando faz coligações para ampliar seu poder a merda cresce.
veja que há 3 tipos de poder: o poder carismático, o poder econômico, o político.
Em plena guerra, em 1944, jovens alemães se sentiam encorajados pelo simples fato de serem alemães.
Desculpe-,e, mas estou emocionado, meu bisavô era alemão. Jacques von Brauer. Hitler aos 1550 jvens a bordo do encouraçado Bismarck: "e lembrem-se que vocês são alemães!"
nisso os tolos idiotas adolescentes de 13 14 anos morriam pelo tirano.
Tirano é aquele que impõe sua vontade.
Meu discurso é paradoxal?
Não.
Foi preciso erguer a Alemanha para derrubá-la novamente... não precisava...
Mais cautela ao falar assim...
me senti ofendido

Abraço Forte
do Sempre Eternamente Amigo,

Gustavo Alvarez Perez
(não tenho o sobrenome da minha mãe)