26.7.14

SOCIEDADE SEM MOTAS

Imaginem uma sociedade livre de motas. Sem a agressividade das acelerações de escape aberto. Sem o ruído avassalador dos motores narcisistas. Imaginem o descanso de não ter motas a ultrapassar pela esquerda e pela direita em velocidades loucas e manobras circenses. Nunca entendi o prazer dos cabelos ao vento, até porque o uso de capacete é obrigatório. A apregoada liberdade das duas rodas é a exibição de um ego motorizado em encontros crepusculares de alarvidade incontida.
Estou sentado na minha varanda. As motas poluem a tarde calma. Atordoam os meus devaneios. Impedem os meus sonhos. Não consigo ler. Não posso escrever. Não consigo fazer amor... Ouvem-se durante quilómetros, ecoando por entre os prédios, exibindo a persporrência psicótica de gente complexada. Gente que, tal como os fumadores, não tem consciência do muito que incomoda em espaço público. Julgam que têm direitos.... Enfim, pior só uma ambulância, essas deviam mesmo ser proibidas.

13 comments:

Fatyly said...

Imaginar eu imagino, bem como uma sociedade livre de carros mais poluidores, sem seguros e inspecções etc e tal!

Mas, como em tudo na vida há um mas, para muitos é o transporte que usam para irem para o trabalho e ou pequenas deslocações, tal como a bicicleta e não fazem o que descreves. Por vezes cruzo-me com imensos.
Já as festarolas dos motares é algo bem diferente!

As ambulâncias, pois...a maior parte das vezes ligam as sirenes e afinal iam simplesmente... pôr gasolina!!!!

João Menéres said...

A FATYLY colocou o dedo na ferida ( quaqnto a certas sirenes ) !

daga said...

pois essas criaturas que descreves são realmente covardes camuflados com capacete e óculos, frustrados que só se sentem seguros e superiores em cima das duas rodas (mas nem todos os que andam de moto, claro...) porém não compreendo a comparação com as ambulâncias! achas mesmo que apitam por prazer?

Anonymous said...

Só lhe pergunto, Sr. Pinheiro, se alguma vez já teve uma pessoa que lhe é querida enfiada numa ambulância, em estado grave, contando os segundos para que possa ser socorrida?

Eu não, mas posso avaliar o tormento que seja essa situação.

Acho que o senhor também não e por isso está "se cagando" para o sofrimento alheio. Lamentável este seu post e nunca esperei "ouvi-lo" dizer tal barbaridade.

Enfim ...

Jorge Pinheiro said...

Anónimo: as ambulâncias foram apenas uma "figura de estilo" para se perceber o incómodo. Mas não é preciso levar isto tão a sério.

Jorge Pinheiro said...

Daga: o ruído incomoda. Todo e qualquer ruído.

Li Ferreira Nhan said...

Há mesmo um tanto de vaidade.
Por aqui os motociclistas tem lá algo como "clubes" , "gangs" , qualquer coisa do gênero. Andam como se fossem ao encontro do Peter Fonda, vestidos de couro dos pés ao pescoço.E cabelos longos. É cômico; barrigudos e cabeludos, enfim...

Quanto as ambulâncias, achei mesmo que era uma ironia, metáfora... nem levei a sério!

graça simeão said...

estás a ficar muito sensível ao som! isso é sinal de quê?
Beijo - daga (agora vou tentar assinar com o outro)

simeãograça said...

ah que chatice, não apareceu o tintim, já sei...

daga said...

desisto!!

Eduardo P.L. said...

Um debate só com fins culturais. A realidade é outra.

Paulo said...

O Jorge está a falar do encontro de motards que tem lugar todos os anos por esta altura no Algarve.É realmente incómodo mas viver numa sociedade democrática tem o custo de termos que aturar manifestações coletivas de todo o tipo. Já a generalização em forma de caça às bruxas é escusada, eu gosto de andar/deslocar-me na minha moto e acho que não incomodo ninguém. Pesa 170kg, leva duas pessoas e gasta muito pouco. Acho mais lesivo para o mundo as pessoas sozinhas que se deslocam diariamente em carrões de 2 toneladas.

Jorge Pinheiro said...

Não percebo o que tem o ruído a ver com democracia?!