10.1.17

COMIGO MESMO - XXXII


Saber a nossa origem é, para alguns, uma obsessão quiçá excessiva. Mas é, sem dúvida, um fascínio para todos nós. Todos gostamos de saber de onde viemos e para onde vamos.
Parece que a família Ferreira, do lado do meu avô materno, Domingos, veio da zona do actual Sudão. Isto segundo um teste de DNA baseado no cuspo familiar masculino que o primo Taducho (Carlos Augusto), primo direito da minha mãe, em boa hora mandou fazer.
O teste genético “Ancestrais paternos”, o qual analisa o DNA do cromossoma Y, permite estabelecer a linhagem genética paterna até à sua origem mais provável, há milhares de anos atrás. O grupo dos Ferreira é o E1b1b1b-M81 com origem no Nordeste africano, há cerca de 6 mil anos, na zona do Egipto/Sudão, tendo-se posteriormente dispersado para Noroeste e Este de África, sendo o mais comum na região do Magreb.
Na Europa, este haplogrupo encontra-se sobretudo na Península Ibérica e na Sicília, onde ronda uma média de 5%. Atinge 4% no Norte de Portugal, 5,5% em Zamora, 10% na Galiza e nas Ilhas Canárias, 12% no Sul de Portugal e 9% a 17% na Cantábria (…). Em resultado de migrações mais recentes, de povos africanos e europeus, este haplogrupo pode também ser encontrado por toda a América-Latina, por exemplo, em Cuba (6%), no Brasil (5,4%), na Califórnia e Hawai (2,4%).
Confusos, não vale a pena. As conclusões são simples. Há cerca de 6 mil anos o cuspo Ferreira veio algures da região entre o Sudão e o Egipto, atravessou o Mediterrâneo, sem socorro a náufragos, nem ilha de Lampedusa, nem sequer quotas para refugiados. Entrou por aí e, com o tempo, foi descolorando até ficar branco de pele. A verdade é que, como vimos, todos os cuspos do mundo vieram de África. O cuspo Ferreira não é, portanto, excepção. A questão agora é saber como aquele cuspo primordial foi parar a Bragança e como ao longo de breves 6 mil anos virou cuspo Ferreira. Uma investigação por fazer.

7 comments:

Li Ferreira Nhan said...

O meu Ferreira (tronco paterno)é português.
Não faço idéia de qual zona portuguesa ele veio. Sei que esses Ferreiras eram de pele mais escura (com a palma das mãos e pés brancos), cabelos escuros e lisos.
Certeza que conosco não houve um clareamento na pele e que há algo da raça negra muito presente no nosso dna; os fibroblastos e as pseudofoliculites nos lembram quase diariamente isso.
Não sabia que as cuspidas Ferreira percorreram o mundo.
Por mim eles poderiam ter ficado na Sardegna mesmo.

Gustavo Alvarez said...

Querer saber sobre meus ancestrais inclui desilusão e traição, ilusão e vingança. Inclui saber que foi preciso matar, suar e sangrar lágrimas pelo sertão adentro. Sedento do sal e terra. Depois trazer de Espanha uma mulher contrariada, que assim viveu seus últimos anos de vida (quase cem)...

Gustavo Alvarez said...

EU COMIGO MESMO = bela documentação.

Abraço,


Gustavo

João Menéres said...

Ferreira não sou...

Jorge Pinheiro said...

LI, tem de pedir alguém masculino da família para cuspir.

Jorge Pinheiro said...

Gustavo, pesquisar o passado é quase sempre doloroso. Por isso entro neste tom ligeiro. Abraço.

Li Ferreira Nhan said...

Ihh...
Os homens da minha família paterna, os Ferreira Nhan, morrem cedo; deve ser o dna.
Só restou meu irmão. Ele que cuspa :)