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9.7.09

FÉRIAS NA MINHA TERRA

POR TERRAS DE BRAGANÇA
Meio-dia. Quarenta graus à sombra. As moscas atacam tudo o que mexe. Cheiro ácido a porco vindo da loja dos fundos. As primas já cá deviam estar para brincar aos médicos...
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10.6.09

A MINHA ALDEIA SOU EU

TODOS OS TEXTOS, INCLUINDO O MEU, ESTÃO JÁ EM VOTAÇÃO EM AQUI AGRADEÇO TODOS OS COMENTÁRIOS FEITOS AO POST de dia 9.

9.6.09

A MINHA ALDEIA SOU EU

Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu. Trago dentro de mim todas as aldeias. Aldeias que são. Aldeias que foram. Aldeias que nunca serão. Eu sou a minha aldeia. Aldeias são ideais. Paraísos perdidos. Bucólicas passagens do tempo. Saudosos espaços ancestrais. Eu não tenho aldeia. Olho os prédios que crescem nas cearas. As estradas que cortaram vinhedos. Olho os campos que já não são. Oliveiras seculares que fugiram de horror. Pomares frondosos que perderam a Primavera. Malmequeres bravios que deixaram a alma na beira da estrada. Papoilas cercadas no alcatrão corrosivo. Eu sou a minha aldeia. Uma aldeia que resiste a tudo. Já não existo nela. É ela que existe em mim. A minha aldeia mora dentro de mim. É o futuro e o passado. Ontem vida. Hoje deserto. Amanhã ideia. A minha aldeia são todas. E eu sou todas e nenhuma. Todas elas vivem em mim. Porque nenhuma são todas. E todas elas existem nas pedras escorregadias das margens do caminho. Nos pés descalços que me percorrem nas noites de insónia. Nos telhados beirados que as andorinhas teimam em visitar. Nas vielas estreitas e tortuosas que sobem até ao largo da igreja. Nos estendais brancos pendentes nas sacadas de granito. Nos chocalhos dos rebanhos que retornam plácidos ao estábulo vicinal. Nos excrementos das cabras que se escondem na palha sazonal. No ladrar longínquo dos cães ecoando no silêncio morno da tarde. Nos galos matinais que despertam o dia na loja dos fundos. No murmurejar límpido da água chamando pelos cântaros quebrados. Nas crianças que brincam risonhas naquele Verão que não aconteceu. Nas casas velhas em que velhos aguardam as noites tristes que o tempo corrompe. Nas panelas tripeças no lume frio da madrugada geada. Cheiros que se entornam da vida para sempre. Recordações perenes de saudade eterna. Aldeias são ideais. Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu!
jp
Este texto integra a blogagem colectiva do blogue "A Aldeia da Minha Vida", onde poderão ser apreciadas e votadas outras participações. A votação decorre exclusivamente naquele blogue e basta deixar um comentário identificado.