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7.8.11

MORTE NA BLOGOESFERA

Rolando Palma foi assassinado no passado dia 2, no Rio de Janeiro. Ele e Regina conheceram-se na blogoesfera. Um ex-marido ciumento e desequilibrado acabou com o romance. Há paixões que matam. Este era, infelizmente, um caso de morte anunciada. Estou convencido que, se o Rolando adivinhasse, não deixaria de fazer o que fez. O amor é suicida. Para ele acabou. Para a Regina não. O amor ganhou mais dois heróis. São os novos Romeu e Julieta da blogoesfera. Para a família de Rolando, os meus sentidos pêsames. Para a Regina, um grande beijo e desejos que possa rapidamente superar a situação.
Homenagem ao Rolando AQUI

28.2.10

TRANSFORMAR O PLANETA - UM MUNDO MELHOR

O mundo está quase perfeito. Se compararamos com a vida que havia na época dos romanos, por exemplo, bom... Então, com a Idade Média, nem se fala. Claro que há ligeiramente gente a mais, um pouco de fome aqui e ali, guerras por todo o lado, o clima revoltado consigo próprio. Mas não será culpa da televisão? Da net? Passamos o dia a ouvir desgraças no Chile, cheias na Madeira, guerra no Afeganistão, fome no Sudão, crise na economia, bancos na falência. Nem se consegue jantar em paz! Depois são as gripes, as doenças esquisitas que ninguèm sabe o que são. Até os políticos andam baralhados. Tudo por causa desta maldita globalização. Reparem, para o mundo ser melhor, experimentem desligar a tv, não comprem jornais, não liguem a net. Vão ao cinema, comam pipocas e divirtam-se!
(Participação na Blogagem Colectiva da Andreia do blogue "Devaneios do Cotidiano")

4.9.09

EXPERIÊNCIAS DE VIDA - A VESPA NO PARAÍSO

Dia de sonho. Água azul. Cristalina. Sol brilhante. Areia de madrepérola. Mar de esmeralda. Gaivotas bolinando na deriva do Suão. Sapal dourado incendiado no esplendor do meio-dia. Alfarrobeiras deslizando suavemente na distância desmedida. O barco do Zé António que nos transporta diariamente à ilha afortunada… Sento-me na lancha. Calção, corpo aberto no espaço. Feliz por existir, a caminho do paraíso.
Lá no alto, um pequeno insecto de cerca de 1 cm, zebrado de amarelo e preto, cintura de vespa e antenas proeminentes, resolve associar-se a toda esta felicidade e, subrepticiamente, introduz-se na toalha colorida que, displicentemente, repousa sobre os meus joelhos. Afago involuntariamente a toalha na volúpia do momento. A vespa assume aquilo como um ataque e, aprisionada nas pregas dos calções de banho, inocula todo o veneno em plena glande até esgotar o elixir.
Dor horrível. Gesticulo como um louco. Lágrimas nos olhos. Discretamente investigo os estragos. A minha pila, habitualmente escorreita, estava a entrar numa fase transformista. Quando chego à praia é já um tortomulho infame a querer saltar do fato de banho. Corri para a água na esperança de algum alívio. Asneira. Com a diferença de temperatura o “coiso” começou a ganhar vida própria: grosso em cima, fino em baixo; depois ao contrário; finalmente um balão pronto a rebentar.
Daí para a frente foi uma romaria na praia. Os homens a querer-me levar ao hospital. As mulheres riam de impúdica incredulidade, ante aquele objecto em permanente mutação. Os putos viam naquilo uma escultura na areia que vai mudando com a maré. Eu, só receava a impotência.
Durante os quatro dias seguintes fiquei entre a vida e a morte, temendo pela minha masculinidade. Será que voltaria a funcionar? E se ficasse assim para sempre? Um membro excessivo, desmedido, condenado para toda a vida a fazer sexo com animais de grande porte?
Finalmente tudo voltou ao normal, às devidas proporções. Olhei-me ao espelho e suspirei de alívio. Desde então nunca mais fui o mesmo. A minha vida mudou e muito. Agora olho as vespas com outro respeito e com alguma cumplicidade e, admito, passei a ter uma vontade irreprimível de arremeter a tudo o que mexe!
Contribuição para a blogagem colectiva da Mylla Galvão, do blogue "Vidas Linha".
jp

9.7.09

FÉRIAS NA MINHA TERRA

POR TERRAS DE BRAGANÇA
Meio-dia. Quarenta graus à sombra. As moscas atacam tudo o que mexe. Cheiro ácido a porco vindo da loja dos fundos. As primas já cá deviam estar para brincar aos médicos...
QUEREM LER MAIS? VÃO AQUI E SE GOSTAREM VOTEM NO MEU TEXTO. TEM PRÉMIO.

20.6.09

MINHA MÚSICA, MEU MOMENTO

Para mim a música não é um momento. É a minha vida. Aos dez anos comecei a aprender acordeão quando ia de férias a casa dos avós, na longínqua Bragança. Instrumento complicado. Não gostei. Desisti. Aos quinze anos agarrei-me à guitarra. A primeira banda surgiu com naturalidade. Comecei por tocar viola baixo e passei para viola ritmo. Eram festas de garagem de bailes de liceu. O baterista é hoje general do exército e o vocalista é presidente da Sociedade Portuguesa de Autores... O tempo passa! Aos vinte anos entrei para o “Ephedra”, uma banda de vanguarda dos anos 70, com inspiração nos “Soft Machine”, “King Crimsom” e Frank Zappa. Comecei pela percussão e bateria. Acabei no vibrafone. Aprendi muito com a música e com os músicos. Aprendi a viver. Os músicos discutem muito. Discutem conceitos. Ritmos. Harmonias… Discutem personalidades. Impõem superioridades. Disfarçam inferioridades. Expõem complexos. Psicanalisam-se em grupo. A música é um divã colectivo. Os músicos adoram-se e odeiam-se. Entendem-se e desentendem-se. Afastam-se e aproximam-se. Desprezam-se e admiram-se. Com a música aprendemos a ser nada ou a poder ser tudo. Aprendemos a comunidade, a rivalidade, o sonho, a frustração, a afirmação e a negação.
Se nunca tivesse tocado. Se nunca tivesse enfrentado o público. Se nunca tivesse ajudado alguém a salvar uma harmonia. Se nunca me tivessem amparado ao tropeçar no compasso, quem seria hoje? Certamente um outro eu.
Blogagem colectiva promovida pela Nade.
Podem ouvir a música da minha banda AQUI (disco de 2008)
jp