19.4.09

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - BREVE ENQUADRAMENTO DA ORDEM

A ORGANIZAÇÃO – O SISTEMA PIRAMIDAL
No interior da Ordem, ou microcosmos, as funções e os graus reflectiam a ordem universal ou macrocosmos.
No cume da pirâmide estava o Mestre do Templo de Jerusalém (o Grão-Mestre), instalado na Terra Santa. É natural que, por detrás, estivessem outros mestres ocultos[1].
O Grão-Mestre devia obediência à Regra e ao Capítulo, uma espécie de “Conselho de Administração”, composto pelos dirigentes mais destacados que tinha de ser ouvido nas decisões mais importantes (fosse a “nível central”, fosse a nível de província).
O Mestre internacional do Templo era eleito por um colégio de treze membros.
Imediatamente abaixo do Mestre de Jerusalém, estava o Senescal, uma espécie de vice-mestre, que o substituía nas ausências e impedimentos.
A completar a tríade, o Marechal ou Tenente, responsável pelos assuntos militares da Ordem e que também podia substituir o Grão-Mestre e o Senescal.
Vinham depois: o Comendador da Terra e do Reino de Jerusalém, simultaneamente o Comandante Supremo da Frota Templária; os Comendadores de Antioquia, Tripoli e os das nove Províncias Europeias, os quais, reproduzindo o sistema piramidal nas suas áreas, tinham as mesmas prerrogativas do Grão-Mestre e utilizavam o título de procuradores[2].
Seguiam-se o Chefe da Logística e os Comendadores de cada comenda, que dependiam do Mestre Provincial.
Havia depois uma linha média hierárquica, em que os Cavaleiros Professos eram a coluna vertebral da organização e correspondiam a uns dez por cento dos “templários internos”. Só eles podiam usar o manto branco com a cruz vermelha. Eram apoiados por sargentos, escudeiros, serventes e domésticos (estes dois últimos eram quase sempre laicos e, muitas vezes, contratados pela Ordem).
Seguiam-se os Capelães (Padres da Ordem), designados directamente pelo Grão-Mestre e, finalmente, os Filiados e os Confrades, o círculo externo da Ordem: aqueles que não podendo fazer votos queriam estar ligados à organização.
Muitos nobres e príncipes portugueses foram Confrades, assim como muitas damas. Aliás. houve mesmo dentro das muralhas do Castelo de Tomar, um convento de Templárias, o mesmo se passando em vários locais de França. As Templárias não combatiam e levariam uma vida mais "monástica". A recepção de mulheres na Ordem foi, porém, posteriormente descontinuada.
[1] Após a saída de Jerusalém, a sede internacional mudou-se para Chipre e depois para Paris.

[2] Os “procuradores” eram nomeados pelo Grão-Mestre de Jerusalém. Consta que D. Afonso Henriques fez um acordo com a Ordem que permitia ao monarca português vetar essa nomeação. Também consta que os reis portugueses podiam assistir ao Capítulo, o que, a confirmar-se, vai na linha de quem defende a iniciação dos primeiros reis de Portugal.
jp

1 comment:

Maria Augusta said...

Não sabia que houve "Templárias", esta série continua muito interessante.
Abraços.