1.6.09

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - BREVE ENQUADRAMENTO DA ORDEM

ARTE GÓTICA – MENSAGEM NA PEDRA E POVO MALDITO
Não há dúvida de que os Templários, em ligação com a Ordem de Cister, foram grandes promotores das catedrais góticas, fornecendo os operários especializados e financiando as obras.
Só para se perceber o esforço financeiro, em França, num período de 137 anos construíram-se vinte e cinco catedrais (entre elas, Nossa Senhora de Paris).
Parece existir uma certa contradição entre a “pobreza” pregada pelos Templários e a ostentação da arte gótica. Mas temos a explicação, dada por São Bernardo: simplicidade e despojamento nos mosteiros e capelas dedicadas exclusivamente aos monges, que não precisam de luxo para manter a sua fé; ornamentação e esculturas sempre que era preciso atrair os fiéis…

A Igreja Românica incitava ao recolhimento humilde, a rezar de olhos no chão, o fiel dobrado sobre si mesmo para aí encontrar Deus, no mais profundo do coração. A Igreja Gótica ofereceu ao homem uma dimensão divina. O fiel admira, adora, ergue a cabeça para a luz. Já não é no mais profundo de si que procura Deus, mas na beleza da criação, numa luz que, por vezes, gerava mais alegria que recolhimento.
Curiosa e simbolicamente, em caso de acidente, a chave da abóbada românica cairia em direcção ao solo; a de uma igreja gótica seria ejectada para o céu…
Os segredos da arte gótica estão relacionados com um povo misterioso e maldito, os cagots, que se implantaram, fundamentalmente, na zona dos Pirinéus. Não se conhece bem a sua origem, mas estavam impedidos de se misturar com o resto da população e eram obrigados a usar um sinal distintivo: uma pata de ganso vermelha, que tinham cosida nas suas roupas.
Aparentemente, esta ostracização dever-se-ia à existência de uma doença hereditária entre eles, a lepra, ou, mais provavelmente, a psoríase.
Mas não seria só por essa razão que eram uma raça maldita. Há quem afirme que o termo “cagot” viria do latim “cannis gothi”, que significa “cães dos godos”. Pelas descrições que se conhecem, apontam para um tipo rácico próximo do dos Nórdicos, com um pormenor curioso: a ausência frequente do lóbulo da orelha.
Embora afastada uma raiz semita, sabemos porém que povos indo-europeus habitaram durante muito tempo no Próximo Oriente e participaram na construção do Templo de Salomão. Esses “cães dos Godos” poderiam ser os “cães de Gau”, do nome do povo Gall, que está na origem do termo Galileia.
Assim, estaríamos perante um povo vindo do Oriente, ligado à construção do Templo de Salomão e com qualidades de construtores reconhecidas, em especial como carpinteiros (o que era essencial para a execução das abóbadas, já que elas assentavam num “molde” de madeira que suportava a pedra e que, depois de colocada a chave, era destruída).
Este povo maldito parece ter sido protegido pela Ordem do Templo. Os seus grandes contratempos só começaram depois da extinção da Ordem…
Parece evidente que os “cagots” foram detentores da “arte gau-tica” (ou arte dos Galls do Oriente), trabalhando nas catedrais sob protecção dos Templários.
Depois da extinção da Ordem, os "cagots", ou “Filhos de Salomão”, tiveram de se esconder e muitos organizaram-se em sociedades secretas, muitas delas de salteadores[1].
[1] Desenvolveram uma linguagem secreta que recebeu o nome de “calão”, i.e, veículo dos segredos da “arte gau-tica”. O Chefe dos salteadores começou a ser chamado “rei do argot” e os seus conselheiros, “cagous” ou “cagots”. Mais tarde o “rei do argot” passou a ser considerado Grão-Mestre em “cagoterie”.
jp

2 comments:

Maria Augusta said...

Interessante saber a origem da arte gótica...e ver que tudo parece convergir para o Templo de Salomão.

EXPRESSO said...

É verdade. A forma de ver a religião também muda muito ao longo dos tempos.