8.7.09

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - BREVE ENQUADRAMENTO DA ORDEM

GUALDIM PAIS
Como foi acima referido, os primeiros mestres provinciais da Ordem seriam de origem francesa, embora os seus nomes tivessem sido aportuguesados.
Gualdim Pais, sétimo responsável da Ordem em Portugal, era natural de Amares, perto de Braga, e terá nascido em 1118 (coincidência curiosa…foi nesta data que a ordem foi fundada em Jerusalém).
É uma figura mítica do séc. XII português, a par com D. João Peculiar, São Teotónio e D. Fuas Roupinho.
Foi um valido de D. Afonso Henriques, tendo-se desenvolvido entre estes dois guerreiros-místicos uma amizade profunda, que durou cinquenta anos.

O jovem escudeiro Gualdim Pais entra para a casa de D. Afonso e segue-o para Coimbra, onde toma contacto, no mosteiro de Santa Cruz, com ensinamentos espirituais, nomeadamente com a “Cidade de Deus”, de Santo Agostinho.
Em 1139, a 25 de Julho, dia de Santiago, combate valorosamente em Ourique e é armado cavaleiro, segundo o rito medieval.
Gualdim terá ingressado na “Religião do Templo” por volta de 1144, sendo então mestre provincial Hugo de Martoniensis. Tempos depois, foi nomeado comendador da Ordem, em Braga.
Em 1151, vai para a Terra Santa, onde permanece cinco anos, distinguindo-se, nomeadamente, no cerco de Gaza. Foi, então, discípulo do Grão-Mestre Bernardo de Trémelai e terá aproveitado para tratar de assuntos relativos ao papel da Ordem, na fundação do reino de Portugal e iniciado nos “mistérios templários”.
Aproveitou para trazer para Portugal novas técnicas de arquitectura militar adquiridas no Oriente, patentes, por exemplo, na torre de menagem e no alambor do Castelo de Tomar (tese defendida por Mário Jorge Barroca, não consensual).

Em 1156, regressado da Terra Santa, colabora com o mestre provincial Pedro Arnaldo, e acaba por lhe suceder, como referimos, após a morte deste último, em Alcácer do Sal. A sua relação pessoal com D. Afonso Henriques reforça a influência da Ordem em Portugal, sendo então que o rei elabora um documento que outorga aos Templários grandes privilégios: inviolabilidade de bens e de pessoas; isenção de tributo e de serviços; isenção de portagens; isenção de pagamento de dízimo.
É também nesta fase que se resolve o diferendo, que durava há onze anos, entre o bispo Gilberto Hastings e os Templários, relativamente à zona de Santarém, na sequência das doações do rei, de que já falámos. Quando Gualdim ascende ao mestrado, é assinada uma concordata que põe, finalmente, fim ao litígio, com o beneplácito do rei: os Templários ficam senhores da região de Ceras (tanto no temporal, como no espiritual) e de uma igreja em Santarém, a igreja de Santiago. Todo o restante eclesiástico seria englobado na mitra de Lisboa, como pretendia o bispo inglês.
Muito poucos poderiam então adivinhar que este acordo seria um marco na história templária em Portugal.
jp

1 comment:

Maria Augusta said...

Lendo esta série, cada vez fica mais patente a influência e a importância dos Templários na história de Portugal.