16.7.09

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - BREVE ENQUADRAMENTO DA ORDEM

DE SANCHO A DINIS
Com excepção de Afonso III, a empatia entre os monarcas e a Ordem do Templo foi total. No séc. XII, esta foi, sem qualquer dúvida, a ordem militar com mais peso em Portugal.
Os Hospitalários entraram no país em 1118, mas, neste século, não tiveram papel de relevo.
Os primeiros monges da Ordem de Santiago chegam em 1174 e vão desempenhar um papel vital na conquista do Alentejo e do Algarve, no séc. XIII, a partir do reinado de D. Afonso II, sob a liderança do mítico D. Paio Peres. No tempo de D. João II, esta Ordem teve a simpatia do rei e dela saíram grandes capitães, como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque.
A Ordem de Avis, composta inicialmente por freires de Évora, aparece em 1162, mas só virá a ter prestígio no séc. XIV (não esqueçamos que Avis estava ligada à ordem espanhola de Calatrava; talvez esteja aí a origem das desesperadas e frustradas tentativas de fusão das três coroas: Portugal, Castela e Aragão).
Depois de bem pesados os factos, a conclusão é de que a Ordem do Templo foi, de longe, a que maior influência exerceu nos séculos XII e XIII e no início do séc. XIV. Para além dela, só a Ordem de Santiago teve um papel militar relevante na formação de Portugal.

D. Lopo Fernandes sucedeu a Gualdim Pais e esteve sempre ao lado de D. Sancho I. Era tão forte a ligação que D. Sancho tinha com a Ordem, que o rei faz uma carta, datada de 21 de Março de 1210, em que diz que “…se ele quisesse entrar na Ordem, esta o receberia e que, por sua morte, lhe seria entregue o seu corpo, para a Ordem lhe dar sepultura”. E, no seu testamente, faz do então mestre D. Gomes Ramires um dos seus testamenteiros.
Como em toda a Europa, também em Portugal os Templários eram banqueiros e ficaram ligados à emissão da primeira moeda de ouro portuguesa.

D. Pedro Alvites, o mestre seguinte, eleito em 1212, foi o Procurador do Templo nos três reinos: Portugal, Leão e Castela. De facto, com sede em Tomar, os três reinos formaram uma província templária, até 1288.

Em 1217, reinando já D. Afonso II, o Gordo, os Templários colaboram activamente na reconquista de Alcácer do Sal, de cujos despojos nada quiseram. Neste mesmo ano, o papa Honório III emite a bula “Vestris piis postolationibus”, que protege os Templários, concedendo-lhes a possibilidade de edificação de povoações, castelos e igrejas, nas terras conquistadas aos mouros.
D. Afonso II, a exemplo do que fizera D. Sancho, nomeia o mestre templário, Pedro Alvites, seu testamenteiro e depositário dos seus bens, para que os entregasse depois aos seus filhos, quando tivessem idade para os administrar. A confiança é total.
O mestre templário renuncia ao cargo no ano da morte do rei (1223), ascendendo ao mestrado D. Pedro Anes, homem de grande confiança do novo rei, D. Sancho II, mas que morre no ano seguinte. Seguem-se-lhe D. Martim Sanches, que vem também a renunciar em 1229, e D. Estêvão Belmonte, que governa a província por um período de dez anos, durante os quais os Templários colaboram na conquista de Juromenha, Serpa, Aljustrel e Arronches, e D. Guilherme Fulcon, que se supõe tenha sido francês ou alemão.
Em 1243, é D. Martim Martins que ascende ao cargo. Irmão colaço de D. Sancho II (a sua mãe fora ama de leite do rei), é amigo íntimo do monarca.
Numa acção conjunta com a Ordem de Santiago, a sua ajuda é decisiva na conquista do Al-Gharb. Mas não foi só em Portugal que D. Martim Martins ficou célebre: como mestre provincial dos três reinos, colaborou activamente na reconquista levada a cabo pelos reis de Castela e Leão, tendo morrido como um herói no cerco de Sevilha.

Entretanto, desenrolou-se o controverso caso da destituição do rei D. Sancho II, substituído pelo irmão, Afonso III, o Bolonhês, que reina entre 1248 e 1279. Os Templários tinham dado o seu apoio a D. Sancho, o que provocou, a princípio, atritos com o novo monarca.
A pouco e pouco, esses atritos foram-se esbatendo. Os mestres da Ordem eram já outros e D. Afonso III não podia prescindir dos Templários para a consolidação do reino.

Há que ressaltar que, desde D. Sancho II até D. Dinis, inclusive, houve sempre grande conflitualidade com os bispos. Entre outras razões, estes nunca se conformaram com os privilégios da Ordem, no campo eclesiástico (este conflito, aliás, como já vimos, era geral por toda a cristandade).
Por várias vezes, Tomar teve de ser confirmada como “Nullius Diocesis”. Por outro lado, a inveja, quanto ao poder temporal e aos bens dos Templários, era igualmente muito forte.
É neste contexto (e não só, obviamente), que surge, no séc. XIII, a Ordem mendicante dos Franciscanos, que conheceu grande expansão e adesão popular (uma tentativa de “democratização”, face ao elitismo dos Templários? Outro capítulo a investigar…).
Pese embora esta reacção do clero secular, os Templários realizaram muitos acordos amigáveis com os bispos portugueses, mas, inegavelmente, os tempos estavam a mudar, tanto em Portugal, como, principalmente, em França.
Afonso III morre em 1279. Com ele, finalizam-se as conquistas a Sul. A dinastia do Almóadas extingue-se em 1269. Desde então, o território nacional tem permanecido quase inalterado. Passaram-se setecentos anos.
Fotografia: Castelo de Almourol.
jp

3 comments:

Bonequinha de Luxo said...

Oi,querido
Nossa...adorei saber mais um pouco sobre Os templários...E você ,com este texto me ofereceu de bandeja um texto que é como um presente.!Parabéns!
Olha,estou linkando seu Blog,para não te perder!
Beijos

Li Ferreira Nhan said...

A Ordem mendicante dos Franciscanos e os Templários("Outro capítulo a investigar...").
Muito me interessa !
Aguardo esse capítulo.
abçs
li

Maria Augusta said...

Também tenho simpatia pela ordem dos Franciscanos, talvez porque não adotem a ostentação, o que está mais de acordo com os fundamentos da cristandade.