17.7.09

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - BREVE ENQUADRAMENTO DA ORDEM

D. DINIS
Nascido a 9 de Outubro de 1261, D. Dinis foi um neto condigno da memória do seu avô, Afonso X, de Castela, o Sábio, que era adepto de uma cultura de tolerância entre cristão, muçulmanos e judeus. D. Dinis, apoiado pela mística rainha Santa Isabel, terá sido um dos melhores monarcas de Portugal e da Europa. Aclamado rei em 1279, governaria o país durante quarenta e seis anos, até 1325.
Desenvolveu a marinha, criou a primeira Universidade do país, revolucionou a agricultura, foi poeta… e defendeu, sem reservas, a Ordem do Templo, junto do papa (como foi dito na Parte II); no momento da sua inevitável extinção, criou em Portugal a Ordem de Cristo, que albergou os Templários portugueses e alguns franceses, que escaparam à perseguição de Filipe IV.
Terá, por isso, herdado bens e segredos da Ordem e, seguramente, grande parte da frota marítima templária, que passou a abrigar-se em Serra d’el Rey (Peniche).

Em 1283, faleceu o mestre da Ordem nos três reinos, D. João Escritor, sucedendo-lhe D. João Fernandes, que terá vindo já nomeado da Palestina, pelo Grão-Mestre internacional da Ordem, mantendo assim a sua tradição “multinacional”.
Quando ascendeu ao mestrado, D. João Fernandes teve de enfrentar um caso delicado. Os Templários de Leão e Castela apoiaram a rebelião de D. Sancho contra Afonso X; este tipo de apoio tinha um carácter de excepção, já que só em casos extremos a Ordem ultrapassava a legalidade. O Mestre português foi a Castela acabar com o levantamento dos Templários castelhanos, o que lhe mereceu o profundo reconhecimento de Afonso X.
No entanto, tudo leva a crer que, após a morte do Mestre, em 1288, Portugal tenha deixado de ser a sede dos Templários dos três reinos (Porquê?… Novo capítulo a explorar…).
É então a vez de D. Lourenço Martins, que viria também já nomeado pelo Grão-Mestre internacional, sem prévia consulta de D. Dinis, que mandou proceder à inquirição sobre o procedimento: concluiu-se que o rei tinha de ratificar a nomeação (uma cláusula que existiria já desde o tempo de Afonso Henriques, como dissemos na Parte II).
Em 1295, é nomeado o último mestre da Ordem em Portugal, D. Vasco Fernandes.
Com a extinção da ordem por Clemente V, segue-se o processo de criação, em Portugal, da Ordem de Cristo, no qual D. Dinis utilizou inúmeros recursos diplomáticos e revelou grande coragem e visão política.
A Ordem de Cristo é criada em 1319 e o seu primeiro Grão-Mestre é D. Gil Martins. A sua sede é inicialmente fixada em Castro Marim, mudando-se poucos anos depois, em 1339, para Tomar, reintegrando a antiga sede templária.
É na ligação entre a Ordem e o rei que se começa a perspectivar e a planear a epopeia dos Descobrimentos: a Escola de Sagres, de que o Infante D. Henrique virá a ser Governador, é criada pela Ordem de Cristo.

Uma última palavra para a Rainha Santa Isabel, essa criatura mística que transformou o pão que alimenta o corpo em rosas espirituais que alimentam a alma[1].
Dinamizou o culto de Espírito Santo, apoiou os Franciscanos e foi grande amiga dos Templários. Verdadeira missionária da paz, várias vezes evitou a guerra entre o rei e o irmão e, depois, entre o monarca e o próprio filho.
D. Dinis, rei-lavrador e rei-poeta, homem de muitos amores, não lhe regateia elogios e, numa bela cantiga que lhe dedica, termina, dizendo: “Se Deus quisesse assim mandar, érades boa para Rei”.
[1] Este mito, muito popularizado pelos franciscanos, integra-se no âmbito das transubstanciações miraculosas, tal como a da água em vinho, e, mais do que o seu sentido real, pretenderá significar “ver com os olhos da alma” (“per interines oculos”). Acrescente-se
ainda que a rosa é um simbolo místico muito antigo, retomado, no séc. XVII, pelos Rosacruzes.
jp

1 comment:

Maria Augusta said...

Legal ir seguindo nos teus posts as evoluções da história de Portugal, que levaram aos descobrimentos...e saber como os Templários nela agiram.