
A cidade é intensa. Branca. Explode de calor nas ruelas que sobem. Escadas cansadas. Largos despenhados nas muralhas ociosas do castelo silencioso. Casas de telhados em "quatro águas", aguardando a chuva que não cai. Escarpas que o homem construíu. Cónios, turdetanos, fenícios, romanos, visigodos, berberes. Passados que deixaram vestígios esventrados nas ruas estreitas de alicerces precários. Igrejas. Sinos que repicam. Monges que já houve. Fé que se mantém. O Gilão corre parado nos arcos da ponte romana. Miragem que o calor agita no vento morno que cheira a sal. Tavira, cidade mítica do Sotavento. Cidade de êxtase entre Espanha e Marrocos.
jp
1 comment:
Um excelente texto que tudo define em duas pinceladas de Mestre!
Conheço bem Tavira, pois percorri-a durante três dias e tudo, que vi e senti, está aqui nesta tela literária.
Um abraço bem sentido.
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