16.7.10

BRASIL - FORMAÇÃO - ORGANIZAÇÃO SOCIAL (XI)

Nas sociedades ameríndias imperava a divisão sexual do trabalho. Aos homens competia a caça, a pesca, o mutirão (trabalho de preparação das terras), a construção da habitação e a guerra. Competia-lhes também a tomada de decisões sobre a comunidade e o monopólio dos actos rituais. As mulheres cuidavam da lavoura, da cestaria e cerâmica, das tarefas domésticas, confeccionavam os alimentos, carregavam os mantimentos nas expedições guerreiras e retiravam a água das canoas quando os homens regressavam da pesca.

Os “brasis” agregavam-se em famílias extensas, tipo clã, normalmente constituídos por homem, mulher, dois filhos e cativos ou outros parentes seus dependentes. Estes agregados elementares constituíam uma “oca” (habitação) e ligavam-se entre si por laços de parentescos subordinados a um patriarca, o Principal. Somente um reduzido número de homens (o chefe, feiticeiro e os grandes guerreiros) praticavam a poligamia, representando o seu número uma fonte de prestígio (presumimos para o homem). As separações entre casais eram frequentes e numerosas.
Eram frequentes os casamentos exogâmicos (entre membros de povoações diferentes), assim contribuindo para estabelecer alianças políticas. Era, também, frequente o casamento avuncular (entre tio materno e sobrinha), modalidade preferida dos Tupinambás ou entre primos cruzados, assim se evitando a dispersão familiar (prática muito frequente na sociedade ocidental, mas com dispensa papal e isso faz toda a diferença…).
A regra residencial predominante entre os Tupis era a patrilocalidade (a mulher ia viver na oca do pai do marido), assim se favorecendo uma forma patrilinear de descendência. A matrilocalidade era minoritária, implicando a obrigatoriedade do homem se transferir para a habitação dos pais da noiva, onde constituía uma nova família nuclear. Neste regime, o marido era compelido a prestar dois ou três anos de serviço “público” no desbravamento da mata, na caça ou pesca, denominado “serviço da noiva” (uma espécie de dote que o homem, e não a mulher, levava!).

De acordo com as concepções tupis somente o homem tinha capacidade para conceber filhos, facto que condicionou os ritos de nascimento. A couvade era uma complexa instituição que implicava a rigorosa observância de um período de abstinência sexual por parte do pai, destinando-se a evitar que fossem introduzidos princípios ou substâncias malignas no corpo do descendente. Envolvia também rituais mágicos, competindo-lhe dar ao filho o nome de um antepassado. Tratando-se de menina, nesta fase final, o pai era substituído pela mãe ou por um irmão desta. Uma sociedade machista como qualquer outra.
As teses que durante muito tempo defenderam que as sociedades tupi-guaranis se caracterizariam por um igualitarismo radical suscitam muitas reticências actualmente, nomeadamente porque as diferenças físicas e psico-sociais possibilitaram o aparecimento de desigualdades sócio-políticas. A estrutura social seria sem dúvida pouco especializada, tendo, todavia, gerado algumas hierarquias. No entanto, é certo a existência de uma forte tendência comunitária e de solidariedade nos membros de uma mesma tribo.
(continua)

3 comments:

myra said...

otimo!
beijo

Deusa said...

Gostei muito viu...
interessante mesmo
beijooo

Jorge Pinheiro said...

Ainda bem que alguém gosta...