Damos agora um salto rápido até 1640. D. João IV era Duque de Bragança, mas morava em Vila Viçosa. O rei, após o 1 de Dezembro, iniciou uma reestruturação militar em todo o país com o levantamento de fortificações novas e a dinamização de tropas em todas as províncias. O reino foi organizado militarmente. Os antigos Terços passaram a chamar-se Regimentos de Milícias e Coronéis os seus mestres de campo.
O patriótico grito de emancipação ecoou em Trás-os-Montes: expulsão do Castelhano! Com fortalezas arruinadas e armas deliberadamente confiscadas pelo governo espanhol, a luta foi terrível, sob o comando de Rodrigo de Figueiredo de Alarcão. Entrámos por ali adentro até Verim. Depois, enfardámos em Monforte de Rio Livre e vice-versa e paralelamente… como é costume na raia!
A cacetada continua, agora com D. João de Sousa e Silveira no governo da província, sempre na mesma lógica. Ora levas tu, ora levo eu...
Entretanto, o povo ia perdendo o entusiasmo com que começara a guerra. Os seus procuradores, a partir de 1646, pediram que os desobrigassem de acudir às fronteiras, dando, em compensação, um subsídio para manter a tropa de linha, e assim lhes foi outorgado. Esta "ligeira" indefinição foi o suficiente para os espanhóis entrarem outra vez por aqui adentro, irrompendo pelos lados de Bragança, para variar, praticando as "barbaridades costumadas"...
Há já algum tempo que D. João de Sousa, o governador, se encontrava doente em Vila Real. Volta a ser nomeado Rodrigo de Alarcão. A situação era dramática. O recrutamento é geral!
Os espanhóis avançam por Outeiro, que já tinham tomado, sobre Bragança, acampando nas margens do Sabor (Porto das Areias), a duas léguas da cidade, com grande superioridade numérica. Só um rasgo de temeridade pode salvar a cidade. Rodrigo de Alarcão chama o seu homem de mão, o francês Achin de Tamericourt e empreende uma jogada audaciosa. Cem homens de cavalaria entram silenciosamente, à meia- noite, no acampamento inimigo e, entre catanadas sobre os que dormem, penetram na tenda do mestre de campo espanhol, ferindo-o e matando-lhe o estado-maior… Bragança salva-se!
(continua)
3 comments:
Excente este seu enquadramento!
Esta torre é magnífica. Aqui está "esmagada" no zoom.
Mas o contraste entre a torre sineira e as muralhas é salientado!
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