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25.5.18
17.5.18
15.3.15
ALMOÇO TRANSMONTANO
Comecem com butelo com casula e entremeada. O butelo é um enchido feito com os ossinhos do espinhaço e das costelinhas do porco, com alguma carne agarrada, e rodeado pela bexiga ou bucho do animal. Dizem que de cada porco não se conseguem fazer mais do que dois ou três butelos. Coze durante cerca de duas horas, nunca deixando os ossos romper a pele. As casulas (ou cascas) são feijão colhido ainda na vagem, seca-se ao sol e guarda-se em saquinhos de pano depois de bem secas. De véspera, as cascas ficam de molho. No dia seguinte cozem-se com sal durante duas horas (na panela de pressão 45mn). Acabe-se com um bom Terrincho Velho, um queijo curado a 90 ou mais dias, de pasta dura, com alguns olhos, amarelado, crosta de cor vermelha, obtido por ser untado com colorau ou massa de pimentão. Regue-se tudo com tinto de Montes Ermos, de Freixo de Espada à Cinta, e espere-se pelo resultado...
1.6.13
TÓCANDAR EM TOURNÉE - CHAVES
Um pouco mais velhos, lá vamos cantando e rindo. Desta vez foi em Chaves, com intervalos curtos entre refeições para ver castelos e pedras, igrejas e barragens. A verdade é que apenas em três dias estivemos em Chaves, Monforte, Montalegre, Boticas,Vidago, Verin e Monterei (Galiza) e ainda acabámos a almoçar em Moreira de Cónegos, perto de Guimarães. Tudo visto e considerado, recomendo os restaurantes "Sol e Chuva", em Pisões, e "Pirâmide do Egipto", em Moreira de Cónegos. O resto é tudo à base de granito, que não se recomenda para quem tem problemas digestivos.
31.5.13
CHAVES - V
Foi então por volta de 1160 que Chaves integra o país, que já era Portugal, com a participação dos lendários Ruy Lopes e Garcia Lopes, tão intimamente ligados à história da terra.
Pela sua situação fronteiriça, Chaves era vulnerável ao ataque de invasores e como medida de protecção D. Dinis (1279-1325), mandou levantar o castelo e as muralhas que ainda hoje dominam grande parte da cidade e a sua periferia.
A 8 de julho de 1912 travou-se um combate entre as forças monárquicas de Paiva Couceiro e as do governo republicano, chefiadas pelo coronel Ribeiro de Carvalho, de que resultou o fim da 2ª incursão monárquica. Os intervenientes republicanos desse combate foram homenageados na toponímia de Lisboa, com a designação de uma avenida, a Avenida Defensores de Chaves, entre a Avenida Casal Ribeiro e o Campo Pequeno. A 12 de Março de 1929 Chaves foi elevada à categoria de cidade.
30.5.13
CHAVES - IV
Com os árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado pelo cristianismo, o que causou uma azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas a noroeste, com inevitáveis destruições. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI. A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Leão que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quartel do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Leão, a resgatou definitivamente e mandou reconstruir, povoar e cercar novamente de muralhas.
29.5.13
CHAVES - III
O auge da dominação romana verificou-se até ao início do século III, aquando da chegada gradual dos vulgarmente apelidados bárbaros. Eram eles os Suevos, Visigodos e Alanos, provenientes do leste europeu e que puseram termo à colonização romana. As guerras entre Remismundo e Frumário, na disputa do direito ao trono, tiveram como consequência a quase total destruição da cidade, a vitória de Frumário e a prisão de Idácio, notável Bispo de Chaves. O domínio bárbaro durou até que os mouros, oriundos do Norte de África, invadiram a região e venceram Rodrigo, o último monarca visigodo, no início do século VIII.
28.5.13
CHAVES - II
À época da invasão romana da península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue a cidade e, construíram fortificações pela periferia, aproveitando alguns dos castros existentes.
Para defesa do aglomerado populacional foram erguidas muralhas e, para a travessia do rio, construíram a ponte de Trajano. Fomentaram o uso das águas quentes mínero-medicinais, implantando balneários Termais, exploraram minérios, com destaque para filões auríferos, e outros recursos naturais.
Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de Município no ano 79 d.C. quando dominava Tito Flávio Vespasiano, o primeiro César da família Flávia. Daqui advém a antiga designação Aquæ Flaviæ da actual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico — flaviense.
27.5.13
26.5.13
25.5.13
CASTELO DE MONTEREI (GALIZA)
Esta fortificação esteve em poder de algumas das mais poderosas linhagens da Galiza: os Ulloa, os Zúñiga, os Viedma, os Fonseca, os Acevedo e finalmente a Casa de Alba. No século XII, o primeiro rei de Portugal Afonso Henriques, edificou o castelo, porém este rapidamente passou para o reino de Leão e Castela com a assinatura do Tratado de Tui em 1137, renunciando Afonso Henriques a possessões e pretensões na Galiza.
Neste lugar foi impresso o primeiro incunábulo galego, com a primeira imprensa de tipos móveis: a 3 de Fevereiro de 1494 foi estampado o "Missale Auriense", o primeiro livro editado na Galiza.
24.5.13
23.5.13
VIDAGO PALACE - IV
A verdade é que não ficámos no Vidago Palace que é muito caro para tempos de crise. Fomos direitos a Chaves. São quase seiscentos quilómetros, a partir de Lisboa, o que em Portugal é muito. Chaves fica muito perto de Espanha. Uma zona que tanto podia ser nosso como deles. Ficámos no Forte de São Francisco. Uma fortaleza renovada para hotel, com qualidade e sossego. Depois foram três dias a conduzir de um lado para o outro, entre serras e penedios, apenas com intervalos para comer. Comer é apelido. Porque em Trás-os-Montes não se come, atesta-se. Ossos de Suã, mãozinha de vaca com grão, posta de vitela, feijoada à transmontana, cozido à portuguesa, muito cabrito, as omnipresentes alheiras, enchidos variados, um ligeiro folar de carne e bacalhau para disfarçar. A eterna discussão sobre os melhores vinhos e castas adequadas enriqueceu as refeições, enquanto as garrafas circulavam com velocidade alarmante na ânsia da degustação. Os portugueses coleccionam recordações culinárias. Todos temos a nossa lista pessoal de restaurantes preferidos e todos sabemos imenso de vinhos, nem que seja só para bebê-los. No fim, e para rebater, a milagrosa Água das Pedras, essa água mágica que tudo dissolve e nos restabelece para um jantar à base de tripas e mais algum grão, entremeado com feijão e muito presunto. Que seria de nós sem essa água redentora? Pergunto: como fazem no estrangeiro para ter uma boa digestão? Provavelmente não comem.
22.5.13
21.5.13
20.5.13
23.6.12
UCANHA E OS DIREITOS DE PASSAGEM
A Fernanda arisca-se a não passar. Vai-lhe ser pedido tributo para cima de um tomate e não têm multibanco. De um lado estão os maus e do outro os ainda piores. São todos padres. E, como se sabe, os padres só perdoam depois do óbulo completo e em casos raros de extrema unção devidamente testamentada. A Fernanda arrisca-se a ficar debaixo da ponte ou nas celas húmidas da Torre, rezando por mais cabidela. Foi isso que me disse o erudito José Leite de Vasconcelos, nascido ali em Ucanha: era a defesa do couto monástico de Salzedas; a ostentação senhorial, bem patente na alta torre; e a da cobrança fiscal, pelo valor económico que tal representaria para o mosteiro cisterciense erguido próximo. Aqui tens de pagar. E ainda hoje se paga. Paga-se a visão da fronteira das terras do Ordem de Cister. Vai tudo para compotas.
7.10.10
BRAGANÇA - MÁSCARAS
Acabo este vasto périplo por Bragança tal como o comecei: pela máscaras. Os restos de paganismo; as Saturnais; as Festas dos Rapazes; o Solstício... Um terra distante que encerra muitos mistérios e plena de vida. Agradeço aos que me seguiram a paciência em me acompanhar por terras que me dizem muito. Obrigado.
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