Finalmente, D. Miguel retira-se para Vila Franca, onde se lhe junta Sepúlveda, já rendido à causa absolutista, e lança a Vilafrancada a 5 de Junho de 1823, que viria a deitar por terra o regime liberal de 1820, restabelecendo a monarquia absoluta.
As desinteligências entre os membros da Vilafrancada começaram cedo: de um lado, os apostólicos, “congregacionistas” ou “realistas puros”, fiéis a D. Miguel; do outro, os “moderados” ou “realistas constitucionais”, de D. João VI.
Segue-se a Abrilada, em 1824, promovida pelos primeiros que prendem o rei no palácio da Bemposta, com o intuito de o dar como demente, e proclamam a regência da rainha Carlota Joaquina. O corpo diplomático, porém, opôs-se e D. Miguel acaba desterrado em Viena de Áustria. A rainha continuou a intrigar e de tanto intrigar acabou a intrigar sozinha, fechada numa sala do palácio de Queluz.
Mas isto não fica assim. Em Maio de 1826, D. João VI morre de indigestão (?!). A 7 de Junho, é recebida a Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro, primogénito do defunto rei, e trazida para Portugal por Lord Carlos Stuart, a bordo da fragata Diamond que entra Tejo adentro. Como D. Pedro era já imperador do Brasil, abdicava em favor de sua filha, D. Maria II com a "orientação" de que D. Miguel a recebesse por esposa (estes reis são loucos...). Foi uma grande bronca! Uma arrogância de um rei estrangeiro que impõe à nação uma constituição sem a ouvir nem consultar!!!
Trás-os-Montes, mais ligada às tradições da monarquia absoluta, passou muito durante todo este processo, servindo de refúgio ou de porta de saída dos miguelistas para Espanha e sofrendo os inevitáveis golpes e contra-golpes.
Mesmo depois da Carta Constitucional, os miguelistas conseguem ainda, em Dezembro de 1826, constituir uma nova Junta do Supremo Governo Provisório, presidida pelo marquês de Chaves (até que enfim aparece um marquês!).
Nessa época, ainda Bragança tinha enorme importância comercial. As suas fábricas de veludo e sedas sustentavam largo comércio. Ao mesmo tempo, a sua grande produção de vinho permitia-lhe uma vida desafogada. O Tratado de Methuen (1703), apesar de fazer a desgraça de Portugal, trouxe grandes vantagens para a população da raia potenciando a entrada, por contrabando, das mercadorias inglesas na Espanha, tendo-se estabelecido aqui muitas casas comerciais britânicas.
As guerrilhas continuaram com o seu efeito devastador e nem vale a pena perdermos mais tempo com isto, para não ficarmos zonzos...
(continua)
3 comments:
De fato o que não falta é intriga e interesses pequenos e imediatos que depois são pintados de dourado ou de negro dependendo de quem ganha a contenda.
Angela: será sempre o mesmo. Somos assim...
Bem, passamos da república à monarquia... esta em agonia.
Um abraço, Jorge!
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