25.7.12

FEEL DOURO

Entre os lisboetas corre uma velha piada que diz que o melhor do Porto é o letreiro que indica Lisboa. Na verdade, um lisboeta tem alguma dificuldade em se adaptar ao Porto. É a "curiosa" pronúncia do norte, são as ruas estreitas e sujas, os monumentos escurecidos e densos, as casas a cair de podres, uma cidade algo claustrofóbica, despenhada sobre um rio estreito e de cor duvidosa.  Urbanisticamente o Porto teve o azar de não ter tido um terramoto que destruísse o casco medieval e permitisse um planeamento moderno e eficaz. Hoje, sem recursos, a cidade expõem as suas feridas arquitectónicas da Ribeira à Cedofeita, passando pela extraordinária rua da Constituição, de passagem obrigatória e urbanismo incompreensível. Conduzir no Porto é uma competição permanente pela disputa numa corrida imaginária. Sinalização que não se respeita. Simpatia que não existe. Os automobilistas do Porto ainda acham que dentro do carro têm todo o poder do mundo. De facto, numa visão rápida, o sinal para Lisboa parece ser a única solução. Só depois vamos percebendo o mistério do Porto. A cidade não se desvenda logo. É preciso Feel Douro.

17 comments:

Eduardo P.L said...

Jorge, é uma clara e nítida PROVOCAÇÃO ao João!!!! srsrs

Silvares said...

Provocações à parte, discordo profundamente (mais profundamente que a diferença de profundidades dos rios Douro e Tejo). Lisboa tem também milhentas casas e prédios a cair para dentro de si próprios e para o meio da rua; os condutores lisboetas apenas se deslocam mais depressa por haver tantas pistas de corridas à sua disposição.
Em termos de sotaque sempre te digo que os lisboetas (lchboêtas), com a boca cheia de "ches" (Lchboa ou pchina, por exemplo) falam de uma maneira bem esquisita e com menos cor que os desbocados portistas.
Aliás, se alguma coisa boa o Porto tem são, exactamente, os portuenses. Quando lá vou e vejo a placa a indicar Lisboa sinto sempre uma certa mágoa: lá vou para a terra dos mouros (a sul do Douro é tudo mourama!).
Talvez esta simpatia pela Invicta tenha a ver com o facto de eu ser Viseense e sempre ter sido melhor recebido no Porto que em Lisboa, após revelar a minha origem.
Para finalizar, temos de reconhecer que subir o Douro é uma coisa linda de fazer... "feel it", portanto.
:-)

Paulo said...

Concordo com a descrição preliminar de cidade tristonha (...como um milhafre ferido na asa)No entanto eu cá gosto dos meus "morcões", e até conheço muitos.
Como mouro que sou não há maior prazer do que voltar à mouraria (essa luz...) e à corja a que pertenço.

daga said...

gosto muito do Porto e do Douro também :))

João Menéres said...

Não senti nenhuma provocação, Eduardo !

O Jorge tem razão em muita coisa mas, por certo, nunca reparou na ainda maior quantidade de casas a cair que enchem a capital de Portugal...
E, de certeza, que não conhece ( ainda ) o novo Porto que se mostra em várias zonas desta INVICTA, NOBRE E SEMPRE LEAL CIDADE DO PORTO...
Automobilistas sempreagarrados ao claxon ?
- É verdade !
Bocas a vomitar palavrões ?
- É verdade !
Ruas sujas ?
- Agora, são poucas !
Monumentos escurecidos ?
- Quantos já foram limpos !
A rua da Constituição ser passagem obrigatória ?
- Para quem ? Porquê ?
Não há simpatia no Porto ?
- Discordo frontalmente !!!

Quem logo se desvenda, não merece confiança...


Um abraço, JORGE, mas fico à espera da sua outra visão deste PORTO MEU !

João Menéres said...

Esqueci-me de agradecer ao SILVARES o seu testemunho, bem como, dizer ao Jorge que não conheço ainda esse FEEL DOURO.
Estará a circular no Alto Douro ?

Abraços a gregos e troianos ( e com toda a SIMPATIA ! )

Li Ferreira Nhan said...

my fell;
o Porto e Lisboa.
Um senhor e uma senhora!
Ambos, diferentemente, belos.
Cada um com sua luz,
cada qual com seus mistérios.
Com seus segredos, seus varais, seus lixos e luxos.
Com seus rios, sua terra, seu alimento.
O pão, o vinho, a mesa farta.
Sua gente, sua fala.
Ele com o b pelo v.
Ela com o ches.
Um em cima
e a outra embaixo.
Nem imagino uma cidade sem a outra; completam-se.
Em tempo, a simpatia, o acolhimento, a boa educação não pertence ao povo do Porto ou de Lisboa; é própria do povo português.

myra said...

pelo que vi de muitas fotos do Porto, acho que deve ser muito bonito!
e sim acho que os portugueses todos sao muito simpaticos!!!!

expressodalinha said...

Falta de simpatia a conduzir. Foi isso que eu disse e repito.

João Menéres said...

JORGE

Aí tem toda a minha concordância !
Bárbaros ( na sua grande maioria ), posso acrescenta.
Em compensação, há uma minoria de condutores 7* !

Um abraço amigo.

Eduardo P.L said...

Entre o Porto e Lisboa meu coração balança, ora para cá ora para lá! E bom que seja assim!

Luísa said...

Que Porto é este?
Porto real, Porto de rio e de mar, de gente de bem e de mal! Uma cidade europeia voltada para o mundo, de portas abertas e de visita obrigatória para poder dele falar!
Mas, é um Porto especial! O Porto da Ribeira, o Porto das cascatas...o Porto turistico e de das regatas. O Porto do redBull cobiçado e desviado.
Porto é o Porto do João, e por isso mesmo se desculpa os transeuntes antipáticos com os quais nos cruzamos, pois o Porto é muito mais que as gentes, é a cidade de muito boas mentes!
BJNHS

Luísa said...

Ah!
I feel it! Of course! I feel it!

expressodalinha said...

Uma das coisas impressionantes no Porto é a forma como defendem a sua cidade. E fazem bem.

João Menéres said...

Eu defendo o que entendo ser merecedor e critico com a mesma isenção o que vai mal.

expressodalinha said...

Claro, claro. Mas há na generalidadeum espírito, digamos, "bairrista" que não se observa em Lisboa. Penso que tem a ver com a problemática de capital vs 2ª cidade.

BRANCAMAR said...

Também por cá tenho um amigo, por sinal Jurista e que muitas vezes ia a Lisboa dar pareceres para a Administração Pública, que sempre me dizia, mas em sentido contrário que o melhor que Lisboa tinha era o caminho para o Porto, mas isso são bairrismos de portistas e Lisboetas, que já não são em tão grande número como parece e que muitas vezes também têm a ver com clubismo futebolístico.

Entretanto, quanto a condutores devo dizer que há um mês atràs, em Lisboa, em plena Avenida da Liberdade, onde o trânsito até flui, fui conduzida por um taxista absolutamnete desbragado, que se meteu com o condutor do lado, sem razão alguma.

Quanto a simpatia discordo absolutamente, o Jorge não deve ter andado a pé, muito menos pelas zonas mais típicas. É frequente em vez de lhe darem indicações irem consigo até ao sítio, ou quase.

Só vivendo a cidade a pode conhecer.

Beijos