24.3.13

A UNIÃO EUROPEIA ACABOU?

Se soubesse o que sei hoje não teria escrito o post sobre Chipre no passado dia 20. A verdade é que, entretanto, houve um recuo importante. Passaram a ser taxados "apenas" os depósitos bancários acima dos 100 mil euros (para além de outras medidas de duvidosa eficácia). Mas, em bom rigor, num país em que o resgate equivale a 60% do PIB; num país totalmente dependente de "serviços financeiros"; num país em que nada mais há para taxar; num país em que vive um ambiente de offshore permanente, seria um péssimo exemplo para outros países um atitude permissiva ou tolerante. Poder-se-à discutir porque o Chipre entrou para o "clube europeu". Mas também poderemos discutir porque deixaram entrar Portugal, a Espanha, a Hungria, a Roménia ou, mais recentemente, a Croácia. Razão tinha o meu amigo Mário Negreiros, com quem travei um renhido debate no FB. Os próprios mercados parecem ter antecipado a medida. A Rússia não reagiu (talvez com contrapartidas obscuras de que só teremos consciência mais tarde). O repentismo da minha posição deve-se, porém, a vários factores. A saber: desconhecimento pessoal dos detalhes da situação envolvida; falta de informação da UE, que persiste em governar sem esclarecer; ziguezagues sucessivos dos directórios europeus; desconfiança e descrença generalizadas nas instituições comunitárias. Por isso, hoje não escreveria o que escrevi, mas manteria o título. A União Europeia acabou? É que a desconfiança mata os projectos. As situações têm de ser explicadas ao povo e não apenas aos "iluminados" europeus. Este foi mais um prego no caixão, quando podia ter servido de exemplo.
 

8 comments:

João Menéres said...

Ainda a procissão vai no adro...
Acabará reduzida à Alemanha.

expressodalinha said...

Pois, hoje vai ser mais uma maratona comunitária.

Fatyly said...

Anda tudo num total num desatino, dentro e fora de portas, mas o certo é que isto de taxar os abaixo dos cem mil euros e que não foi à avante - mas apenas aplicável nos dois bancos principais - pelas razões que apontas foi um rastilho de descrença total em todos os países.

De tal forma e segundo já li, agora é a Espanha que impôs um imposto aos Bancos...e quem pagará esse imposto? pois claro... e antes que...os espanhóis e a maioria dos estrangeiros já levantaram milhões e milhões de euros.

A meu ver só quando a crise bater na porta da Alemanha é que talvez, digo talvez porque já não acredito em nada nem em ninguém...a coisa poderá mudar.

As situações têm de ser explicadas - dentro e fora - mas alguma vez funcionou assim? Jamais o fazem para baralharem tudo e todos e ficarmos amorfos, desanimados etc. e tal.

É a minha modesta opinião

Eduardo P.L. said...

Vou me limitar a ler. Quem sou eu para opinar?

Li Ferreira Nhan said...

A falta de confiança é um perigo; traz desassossego e insegurança a todos.

Silvares said...

Jorge, por vezes dou comigo a tentar imaginar como seria a vida em Roma nos derradeiros anos do Império. Qual seria a consciência dos cidadãos sobre o estado de desagregação a que havia chegado o seu modo de vida?

expressodalinha said...

Acredito que tivessem menos informação e consceiêncoia do que nós. Hoje, não tenho grandes dúvidas de que o desastre vem aí, só não sei a dimensão do problema. Se vida fosse só finanças e economia, muitos de nós já deveriam ter posto o dinheiro a "fresco" e mudado de país. Mas podemos?

myra said...

uma confusao...