A Europa de Bruxelas está outra vez confusa. A opinião pública europeia ainda mais. Os refugiados são o quê? Gente que foge à guerra? Infiltrados? Oportunistas económicos? Mendigos sem abrigo? Pessoas? Animais? Este ano já entraram 400 mil e ainda estamos em Setembro. Há quem diga que é equiparado à invasão dos bárbaros no tempo do Império Romano, só que agora estamos a ajuda-los a entrar e ainda lhes damos comida, cama e roupa lavada. Há outros que acham tudo muito humanitário e que estamos em dívida civilizacional para com aquela gente. A Europa acolhedora dos tratados. Dos acordos de Schengen. Das fronteiras abertas. A Europa dos traumas. Outros interrogam-se porque os refugiados não ficaram lá para lutar, sendo na sua grande maioria homens na força da idade. Há quem considere que culturalmente estamos a ser assaltados nos nossos valores mais profundos. Outros dizem que precisamos desta gente para rejuvenescer demograficamente o velho continente. A Europa envelhecida vai precisar dos jovens sírios mão-de-obra barata e para pagar o Estado social. Aqui e ali, os nazis ganham pontos na exploração do óbvio: a matriz europeia poderá estar em causa a longo prazo. A proliferação do islão intramuros será uma estratégia deliberada? Há quem se interrogue: quem financia a aventura desta gente? Há quem diga que são os próprios países árabes. Será? E que fazer? Como controlar esta gente que entra sem identificação? Como integrar os refugiados de forma a não termos mais ghettos? O el-dourado europeu é, seguramente, um oásis para gente perseguida, mas a ingenuidade abstracta dos tratados é, inevitavelmente, um pesadelo para a Europa. Uma Europa confusa e confundida, que se degladia em reuniões ministeriais. Uma opinião pública dividida que opina no Facebook e protesta no Twiter, à espera de um milagre que não vem. Roma caiu às mãos dos bárbaros. Demorou mais de um século a cair, mas caiu. Caiu e os romanos acabaram todos a rezar a Cristo, quase sem dar por isso. Será que estamos no dealbar da "era islâmica" e não estamos a perceber?
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17.9.15
29.1.15
STRANGE DAYS
A Europa está confusa. A vitória do Siriza na Grécia; o movimento anárquico Podemos, em Espanha; a extrema-direita a ganhar posição na França; o Reino-Unido indeciso no abandono da União; o BCE a fazer dinheiro para evitar a deflacção; a Ukrânia à beira da guerra; a Rússia a tentar tomar posição na Europa... A solidariedade não funciona. Não há mecanismos de recuo. Não há consensos estratégicos. A política em vez de ter caminhado para o centro, deslocou-se para os extremos. O aparelho de Bruxelas não consegue acompanhar a evolução do descontentamento popular. Estamos já em ritmo de "aguenta". Perdeu-se uma oportunidade histórica de unir a Europa. Os avisos eram evidentes. Os governos preferiram meter a cabeça na areia e avançar para trás. A burocracia e os interesses primários ganharam. Quem tiver uma leira, regresse à couve galega.
4.9.14
A DESGRAÇA DO OCIDENTE
A
História é um conjunto de erros estratégicos que se sucedem no
tempo. Um atrás de outro, os erros condicionam a História e
determinam o devir. Hoje todos sabemos que o desenho do mapa do Médio
Oriente na Conferência de Versailles mais não foi do que um novo
colonialismo. Hoje todos sabemos que a migração dos judeus para
Israel no post II Guerra Mundial foi um erro piedoso. Hoje temos já
a certeza de que a não aceitação da Turquia na União Europeia irá
ser outro erro de palmatória. Sabemos também que as campanhas
americanas contra Saddam foram um enorme disparate. Não temos
dúvidas que as “primaveras árabes” foram um embuste patético.
Hoje todos sabemos que a
tolerância infinita para com os muçulmanos tem de acabar imediatamente... Erros e mais erros, precipitações, tolerância imbecil, interesses
contraditórios, muito petróleo e venda de armas. Mas, por mais
erros que se tenham cometido, nada justifica a selvajaria e
banditismo dos fascistas islâmicos e a tentativa de retrocesso
civilizacional para níveis culturais do século VII. De erro em
erro, o Ocidente vai ter de apoiar os regimes xiitas do Irão dos
Ayatolas e da Síria de Bashar Al-Assad, se quiser conter a ameaça
do “califado”. Uma ironia política e mais um erro estratégico
no horizonte. Israel não vai querer a ameaça nuclear do Irão e vai
continuar, muito naturalmente, a defender-se. A Turquia vai sendo um
tampão cada vez mais equívoco, minado pelo partido de Endorgan que
ganhou as eleições com 80% de votos. Os Curdos procuram,
finalmente, garantir um país que enquadre uma nação e lutam para
redefinir o mapa da região. O Iraque vai ser reduzido a escombros. A
Palestina vai continuar refugiada. E nós vamos ter o terrorismo cada
vez mais “in doors”. Para corrigir um erro, já se adivinha o
próximo.
25.10.13
ESPIOLHAGEM
Desde sempre a espionagem foi essencial para a sobrevivência dos Estados. Os meios pouco importam desde que se atinjam os fins. Espiar um país é prova de que esse país é importante. Quem não é espiado vale pouco. Hoje em dia o verdadeiro ranking mundial está no número de comunicações escutadas pela NSA. Portugal parece que não está na agenda. Que vergonha! Ser escutado é um privilégio. Hoje todos se revoltam pela quebra de confidencialidade. Mas um país sem escutas é um povo sem Deus. E Deus está por todo o lado. Quem não é escutado vai para o Inferno.
15.4.13
O PAÍS ONDE OS PRESIDENTES ANDAM DE FATO DE TREINO
Venezuela: Maduro vai ser anunciado como presidente 24 horas depois de ser eleito (SIC)
O governo venezuelano garante que Nicolas Maduro vai ser anunciado ainda hoje como Presidente. O executivo convocou os venezuelados para uma cerimónia, ao fim da tarde, em Caracas.
28.3.13
HOLLANDE - BANANA FLAMBÉ
Uma desilusão óbvia. Uma espécie de banana flambé. Uma anedota. A França não é confiável. Não é norte, nem sul, nem sequer é centro. A França é um capacho da Alemanha, como sempre foram todos os povos germano-francos. A Europa volta a dividir-se entre norte e sul. Entre germanos e romanos. A agressividade orçamental do norte mais não é do que o resquício luterano da ausência de estratégia global. A Alemanha nunca soube mandar. Só sabe dominar e mal. A França é um país frustrado. Nem sabe o que quer, nem nunca soube o que era. Hoje temos a certeza de que a Europa voltou às nações. O projecto europeu falhou. Não houve consistência no federalismo. As soberanias, as línguas, as culturas diversas não se fundiram, antes se foderam. A certidão de óbito aguarda o parecer de técnicos empoleirados em troikas, pela falta de coragem política em dizer basta. A vida fica num interlúdio.
24.3.13
A UNIÃO EUROPEIA ACABOU?
Se soubesse o que sei hoje não teria escrito o post sobre Chipre no passado dia 20. A verdade é que, entretanto, houve um recuo importante. Passaram a ser taxados "apenas" os depósitos bancários acima dos 100 mil euros (para além de outras medidas de duvidosa eficácia). Mas, em bom rigor, num país em que o resgate equivale a 60% do PIB; num país totalmente dependente de "serviços financeiros"; num país em que nada mais há para taxar; num país em que vive um ambiente de offshore permanente, seria um péssimo exemplo para outros países um atitude permissiva ou tolerante. Poder-se-à discutir porque o Chipre entrou para o "clube europeu". Mas também poderemos discutir porque deixaram entrar Portugal, a Espanha, a Hungria, a Roménia ou, mais recentemente, a Croácia. Razão tinha o meu amigo Mário Negreiros, com quem travei um renhido debate no FB. Os próprios mercados parecem ter antecipado a medida. A Rússia não reagiu (talvez com contrapartidas obscuras de que só teremos consciência mais tarde). O repentismo da minha posição deve-se, porém, a vários factores. A saber: desconhecimento pessoal dos detalhes da situação envolvida; falta de informação da UE, que persiste em governar sem esclarecer; ziguezagues sucessivos dos directórios europeus; desconfiança e descrença generalizadas nas instituições comunitárias. Por isso, hoje não escreveria o que escrevi, mas manteria o título. A União Europeia acabou? É que a desconfiança mata os projectos. As situações têm de ser explicadas ao povo e não apenas aos "iluminados" europeus. Este foi mais um prego no caixão, quando podia ter servido de exemplo.
20.3.13
A UNIÃO EUROPEIA ACABOU?
Um conjunto de equívocos lançou Chipre na UE e na Zona Euro. Uma ilha dividida entre turcos e gregos. Um país que não é nação. Um rochedo no meio do Mediterrâneo. Chipre é um coito de piratas. Sempre foi. Toda a gente sabe. A frota mercante alemã tem bandeira cipriota, para fugir ao fisco alemão. Ali se escondem fortunas russas e árabes de proveniência mais que duvidosa. Toda a gente sabe. Um país que tinha os comunistas no poder até há poucos anos. A UE resolveu dar-lhes a mão para os integrar no "rebanho" e, assim, assegurar uma posição estratégica. Enfim, pagava-se para ter algum controle na ilha. Tudo isto foi apenas há cinco anos. Em 2008. Na 6ª feira passada, a UE decidiu confiscar 10% de todos os depósitos bancários em Chipre, como garantia para ajuda financeira aos bancos cipriotas. O confisco é geral. Dos russos, dos árabes, dos ingleses, dos cipriotas. Dos mafiosos e dos trabalhadores. Hoje começaram as conversas entre Chipre e a Rússia ao mais alto nível. Putin teve ter esfregado as mãos de contente. Prepara-se para tomar conta da ilha, com toda a naturalidade. Não se entende o disparate da UE, a não ser por total demência ou por um propósito obscuro de acabar com a União. Portugal tem de começar a olhar para outro tipo de alianças, porque daqui já se percebeu tudo.
18.4.12
O REI E OS ELEFANTES
Afinal o rei de Espanha parece que foi convidado para a caçada. Que não gastou os 40 000 euros da licença para matar. Que, para certas empresas, é de grande prestígio ter por lá um rei a matar elefantes. E que matar elefantes pode salvar o Botswana, um país que estará a ser destruído por aqueles paquidermes. Já antes, em jovem, o rei de tinha tido um "acidente de caça" e matou o irmão sem querer. Desta vez, partiu um perna. Os elefantes não têm culpa. Os espanhóis também não. Tudo o que a Espanha menos precisava, neste momento, era juntar à crise económica uma crise de credibilidade no regime. A verdade é que as monarquias actuais são um sorvedouro de dinheiro público sem qualquer significado político. Símbolos de passado que já passou, os reis caçam elefantes, fazem ski e partem pernas. Um futuro sem horizonte.
10.11.11
5.11.11
PERCEBERAM?
Um trust fund (um veículo separado, mas administrado pelo FMI) ou outras opções ligadas aos direitos de saque especiais (a unidade de conta do FMI) estão em estudo. No final da reunião do G20, o comunicado do FMI sublinha que o fundo irá reforçar o seu "kit de ferramentas" de ajuda aos seus membros que sofram "choques sistémicos", mas que tenham "políticas e fundamentais fortes". Um dos instrumentos será uma nova linha de liquidez de curto-prazo (conhecida pela designação de Precautionary Liquidiy Line - PLL) que, em vez de exigir um mínimo de um ano, fique disponível por um período de seis meses.
FMI NA ITÁLIA?
Segundo fonte da UE, a Itália terá aceitado que Bruxelas e o FMI monitorizem os progressos
das reformas acordadas na cimeira europeia de 27 de Outubro. Já do país de Berlusconi chega a informação contrária. Roma não aceitou ser vigiada, tem apenas a porta aberta a conselhos e pareceres da
Europa
.
AFINAL JÁ NÃO HÁ REFERENDO?
O primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, fechou um acordo para se demitir do cargo e deixar o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, formar um governo de coligação de maioria com o objectivo de alcançar a aprovação do último resgate à Grécia no Parlamento.
30.10.11
GLOBALIZAÇÃO - ERRO ESTRATÉGICO?
O GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Preços) prolongou-se de 1947 a 1993. Deu origem à Organização Mundial de Comércio (WTO). A globalização começou aqui. Foram 50 anos de negociações para desmantelar proteccionismos e abrir mercados fechados. Foram 50 anos para revolucionar o mundo e criar um mercado tendencialmente igualitário. Um objectivo democrático e aparentemente justo. Passadas menos de duas décadas o “mundo ocidental” (leia-se, Europa e USA) encara a globalização como o começo do fim. Que se passou então? De facto, o “Ocidente” desindustrializou-se fortemente. Prescindiu da sua estrutura produtiva. A mão-de-obra é cara. As garantias sociais incomportáveis. Continuamos a depender excessivamente do petróleo que não produzimos. O “Ocidente” passou a comprar cada vez mais produtos manufacturados na Ásia. Produzimos serviços de duvidosa utilidade e sem interesse, do ponto de vista da exportação. Trabalhamos para pagar aos outros países. A globalização que era suposto beneficiar os países “avançados”, acabou por beneficiar os países emergentes, em geral, e os BRIC, em particular. O “Ocidente” foi ingénuo e arrogante. Provavelmente estava convencido que a China iria continuar a produzir T-Shirts e o Brasil a exportar papaias. Houve uma subavaliação da China e da Índia e do mercado asiático em geral. O “Ocidente” pensava que ia dominar a globalização. Puro engano. A enorme dimensão interna daqueles mercados, associado à cultura milenar, ao dinamismo e à capacidade de imitação e inovação, não foi devidamente ponderada pelo “Ocidente”. Mandam as regras económicas mais prudenciais que os grandes países tenham economias fechadas, protegidas por uma pauta aduaneira desincentivadora das importações. Já as economias pequenas devem ser abertas, permitindo exportações que lhes aumentem o mercado e garantam um saldo positivo na balança de pagamentos. Os acordos do GATT ao alterarem abruptamente as regras, baralharam os mercados e destruíram o equilíbrio económico vigente. O “Ocidente” deu um tiro no pé. Sem dúvida que, para quem delineou a estratégia ocidental, este foi um erro colossal. Mas pergunta-se: não deveria ser esse o desiderato último da globalização? Acabar com a hegemonia “ocidental”? Entrar em novo ciclo? Um ciclo mais justo e equilibrado?... Resta ao “Ocidente” voltar a trabalhar!
21.10.11
GOLDMAN SACHS - O DEUS DA CRISE
Afinal, o Goldman Sachs manda no mundo?
Coloca ex-funcionários nos lugares de topo que decidem o rumo da economia
global, o que leva muitos a dizerem que domina o mundo. «Sou um banqueiro a
fazer o trabalho de Deus». É a forma como o presidente do maior banco de
investimento do mundo vê a sua missão. Alguém já tinha ouvido falar de Lloyd Blankfein?
14.6.11
O PROBLEMA ALEMÃO
Afinal a bactéria e-colli não estava nos pepinos espanhóis. Todos os dias os alemães descobrem novos culpados das intoxicações alimentares. Hoje são os rebentos de soja. Amanhã as alfaces. Depois os tomates... Os alemães nunca são culpados de nada. A Alemanha adora culpar os outros. E fazem-no com grande rapidez e eficácia... Um povo isento. Impoluto, bacteriologicamente puro. Um povo que quase destruíu o mundo por duas vezes, no século XX. A culpa não é deles. Era dos judeus. Hoje é dos espanhóis. Um dia será dos brasileiros ou mesmo dos esquimós... Depois de terem sido ajudados a levantar-se do chão por duas vezes. Depois de terem chupado fundos comunitários para integrar a Alemanha-Comunista no concerto das nações. Depois de terem poupado o dinheiro em forças armadas. Depois de terem desactivado a agricultura europeia em seu benefício (e dos seus aliados germanos na França). Depois de tudo... querem agora destruir a Europa. Não pelas armas, mas pela economia. Estamos a assistir a um crime de holocausto económico. Um crime sem redenção. Um crime sem pena. Pena os romanos não terem dado cabo deles. Agora só há uma solução: abandonar a Europa, antes que seja tarde.
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