2.9.13

SÍRIA - UM POUCO DE HISTÓRIA

A Síria, que na Antiguidade incluía também a Mesopotâmia (actual Iraque) e o Líbano, foi sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos.
Entre os séculos XII e VII  a.C., desenvolveu-se, na parte central de seu litoral, a Civilização Cananéia, conhecida, mais tarde, pelos gregos como Civilização Fenícia e que foi a primeira civilização mercantil do planeta e a origem daquilo a que se convencionou chamar de Civilização Ocidental.
Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323  a.C., o vasto Império formado por aquele conquistador foi dividido. A Síria tornou-se o centro do Império Selêucida, assim denominado por ser inicialmente chefiado por Seleuco, que fora um general de Alexandre. Um Império que se estendia até o oeste da Índia. Posteriormente, após as "guerras púnicas", a região passou a ser uma província do Império Romano, que já não incluía a parte oriental do antigo Império Selêucida, então dominada pelos partos (da região iraniana).
Em 636 d.C., o domínio da região passou do Império Bizantino para os árabes, liderados pelo califa Omar. Damasco passou a ser a capital do mais poderoso império da época, o Califado Omíada, que em 750 se transfere para Córdova (Espanha), acossado pelos Abássidas.
No século XI, no período das Cruzadas, a região é tomada  por uma pequena força cristã, uma ocupação que durou quase 200 anos.
Em 1175, Salah Al Din (Saladino) unifica o Egipto, Síria e Iraque, e estabelece capital novamente em Damasco.
No século XVI, a região passou a ser uma província do Império Otomano. Mas, em 1831, o quediva do Egito, Mehemet Ali, conquistou a região. Em 1840, a região voltou ao controle do Império Otomano, que permitiu a instalação de missões e escolas cristãs subsidiados pelos europeus.
Em 1858 começou o conflito entre maronitas (cristãos), drusos e muçulmanos, conflito que culminou com os chamados massacres de Junho de 1860. Um mês depois tropas francesas desembarcaram em Beirute para proteger os cristãos.
Essa intervenção forçou o Império Otomano a criar uma província separada, o "Pequeno Líbano", que deveria ser governado por um cristão nomeado pelo sultão otomano e aprovado pelas potências europeias.
Depois da queda do Império Otomano durante a primeira guerra mundial, a Síria foi administrada pela França até a independência em 1946, data em que a ONU ordenou a retirada das forças europeias e determinou o fim do domínio francês na região.
Em 1958, a Síria e o Egipto iniciaram uma experiência de unificação política por meio da  República Árabe Unida, um ambicioso projecto impulsionado por Gamal Abdel Nasser que teve curta duração. Em 1961 os dois países voltaram a ser estados distintos. Dez anos depois foi feita outra tentativa de unificação política dos países árabes, por meio da Federação das Repúblicas Árabes que concedia uma maior autonomia aos países membros e que, além do Egipto, incluía também a Líbia.
Em 1963, ocorreu uma revolução popular que levou ao poder o Partido Baath Árabe Socialista, que fora fundado em 1947 por Michel Aflaq, um militante nacionalista de origem cristã. E são eles que mantêm o poder.

7 comments:

João Menéres said...

Este post é de umab grande oportunidade.
Através dele, relembramos algo esquecido e muito que nem saberíamos.
E agora, Jorge ?
Pessoalmente, tenho algum receio pelo que possa sofrer Jerusalém...
O Assad tem cara de civilizado. Mas quem vê caras, não vê corações.
esperemos que Obama não repita o erro de Bush.

Eduardo P.L. said...

Os Estado Unidos não tem tido muita sorte com seus parceiros no Oriente. Primeiro Sadan, agora Assad. Essa gente não é confiável. Esses países estão muito longe de poderem ter, entender, exercer, uma democracia seja ela qual for. O islamismo não combina com atitudes republicanas. O passado os condena a um presente confuso, e a um futuro nebuloso.

João Menéres said...

Mas têm petróleo, Eduardo...

Jorge Pinheiro said...

A Síria não tem, mas é passagem de pipe-lines. Aqui ninguém é inocente, muito menos os USA.

daga said...

gostei muito de ler, porque, infelizmente,sabia pouco das origens deste país! não os ligava aos fenícios, vê bem a estupidez, bastava olhar para o mapa... parece que tem sido um povo muito anexado, ocupado, misturado... vamos ver o que acontece agora :p

myra said...

obrigada ao Jorge por esta licao de historia...
mas que vai acontecer...estou bastante angustiada...guerras, guerras, violencias, nao av=caba mais, a historia sempre se repete!!!

Jorge Pinheiro said...

Aquilo ali é o umbigo do mundo.