19.11.13

MARIALVISMO - V

Vamos deixar o Marialvismo. Ninguém quer saber nada disto e eu nem sou marialva. Por isso que se lixe! Mas sempre vos direi que o marialva é descendente do espírito libertino do Marquês de Marialva, misturando cavalos, com touros e fados, uma imensa saudade e muito sebastianismo. A cultura da nobreza Ribatejana e Alentejana passa por aqui. Uma cultura monárquica e de ancien regime. Há uma mistura entre o popular permanente bêbado e o aristocrata insistentemente ébrio. Um canta fado vadio, o outro canta trovas a El Rei enbuçado. Só os mais ricos têm cavalos e trajes de luces que lembram fatos do sec. XVII. Só eles têm dinheiro para curtir o marialvismo. Os outros, os matadores de touros, ganham a matar e pouco tempo se divertirem entre uma cornada e outra. São os gladiadores da arena. Os forcados são a ralé, forçados a imobilizar o touro com as mãos. Depois são copos pela noite fora. As investidas nas mulheres da vida. As desgarradas até altas horas da noite. De dia as herdades a perder de vista, sempre com gado e cheiro a estrume. Gente dura e estroina que faz de cada dia o último da sua existência no cheiro a bagaço ácido que lhes entranha o ego. O mito português passa muito por esta gente, que exprime um portuguesidade exacerbada e por vezes agressiva. Hoje as mulheres estão no marialvismo como os homens. E se dantes havia um machismo evidente, agora as mulheres imitam os comportamentos e mimetizam as atitudes. Bebem, cantam, andam a cavalo, toureiam e cantam fado. Podemos interrogar-nos se estamos perante um verdadeiro machismo. A subcultura está mais forte? Deixou de ser machista e retrógrada e passou a ser aceite e mais abrangente? Ou não passa de uma moda para enfiar o barrete?

13 comments:

myra said...

..so sei que adoro como voce escreve!!!!!!
beijos

Eduardo P.L. said...

Cá pra nós o tal barrete nem soa assim tão machista...

Jorge Pinheiro said...

Sim, mas este é de campino. Os homens que tomam conta dos touros.

Paulo said...

Parte da minha família, quando eu era criança, praticava essa cultura. E eu, apesar de décadas de cabelo comprido, de esquerdismos e a dedicar-me a tarefas efeminadas como a música e as artes, ainda sinto um certo fascínio por essa forma simples e direta de confrontar a vida:
Mulheres, cavalos/touros, copos/ pândegas e fados.

daga said...

LOL faltava cá esta foto para o Marialvismo estar completo ;)
estás lindo, falta o cavalo, deixa-me ler...
pois imitar nunca é bom, mais vale deixar "o bagaço ácido" e a agressividade para os homens, porque a emancipação da mulher (quanto a mim) é libertação, é orgulho na diferença, não é imitação!

Li Ferreira Nhan said...

Hummm! Essa foto...
Com esse porte, esse aspecto, esse adorno verde/vermelho/lusitano a cabeça arrisco afirmar que és um autêntico Marialva!

João Menéres said...

Entendo e aprecio o modo MARIALVA dos que o podem ser e SÃO !
Faz parte da nossa cultura.
Não matem tudo que é luso espírito !
Já nos bastou quem provocou a necessidade de vir a Troika !
Já nos bastou quem a troco de umas notas ( ± gordas ) mandou abater a pesca e acabar com a nossa Agricultura !
Deixem em paz os marialvas e as touradas !

O Jorge fica muito bem de qualquer forma. Tanto de campino disfarçado, como de biógrafo assumido.
Tanto de fotógrafo, como de analista-crítico !

Um abraço verde-rubro.

Jorge Pinheiro said...

Nem sei andar a cavalo. Só ando de mulher e é quando elas deixam :))

Fernanda said...

Elas?????????????????????????

Jorge Pinheiro said...

Opsss!

João Menéres said...

Jorge, quando eu disse que dispensava o selim, fui muito mais dicreto !
( E sei cavalgar. Toma ! )

Agora aguente a Fernanda !

Jorge Pinheiro said...

Pois...

Fatyly said...

Gargalhadas e aplausos para a Fernanda:):):)

Sinceramente nunca gostei dessa cultura e muito menos do que fazem com os cavalos, porque admiro-os demais e respeito-os.

O barrete fica-te bem!