12.11.13

OPERAÇÃO CAÇÃO XXIII



 
No restaurante “Aux Armes de Bruxelles”, em plena Ilot Sacré de Bruxelas, três homens na casa dos quarenta anos, bem vestidos e de ar próspero, jantavam calmamente. Restaurante cheio. Barulho ensurdecedor. O empregado grego trouxe as moules marinières. Um dos homens falou baixo. “Jacques, já pagaste ao Hassan?”. “A equipa marroquina está paga e o Melzek já tem o dinheiro transferido para as ilhas Caimão”, retorquiu Jacques. “Perfeito.
Falei ontem com o “brasileiro”, o Valdemar, e a entrega do explosivo está prevista para o mês que vem”, disse Michel, que parecia ser o líder do grupo.
Louis que até aí permanecera calado, parou de devorar as moules e perguntou: “Não deveríamos esperar um pouco mais?”. Jacques fitou Louis bem de frente e disse-lhe com voz autoritária: “Sabes bem que já está tudo planeado. Os explosivos chegam a Marselha via marítima. O nosso operacional vai buscá-los. Entra em Espanha pela fronteira de Portbou, na Catalunha. O atentado será exactamente um mês depois do atentado de Lagos. Desta vez não queremos muitos mortos. Queremos a destruição de um símbolo cristão. A Capela Real em Granada vai rebentar. A “Jihad Islâmica” vai mostrar a sua força naquele que foi o último reduto do Islão na Península. Já discutimos isto ao detalhe. Não compreendo a tua hesitação, Louis”. Louis encolheu os ombros e desabafou: “Acho que devíamos esperar mais tempo. Tenho receio que seja muito em cima do atentado de Lagos e que ainda haja muita polícia no terreno”. “Louis, já discutimos isso até à exaustão. Temos de provocar uma onda de terror imediato. Um pânico permanente. A seguir vamos atacar em Santiago de Compostela. A partir daí, a cruzada pode ser pregada com sucesso”, retorquiu Michel sem margem para réplica.
(Continua)


4 comments:

Eduardo P.L. said...

Quanta imagem...

Paulo said...

Nunca percebi o fascínio das pessoas pelas "moules". Prefiro de longe as ostras e as ameijoas.
De qualquer modo, há agora um restaurante em Cascais( Moules)especializado nas ditas. Queres ir lá almoçar (ou jantar) um dia destes?

Jorge Pinheiro said...

Claro. Jantar para irem as meninas. Telefona.

daga said...

a narrativa continua misteriosa e com suspense, as imagens enriquecem a história. ( um aparte: não gosto nem de "moules", nem de ostras...)
beijo