24.4.14

25 DE ABRIL - 40 ANOS


As novas gerações querem é saber como se renova a economia, como se param os tubarões financeiros, como se luta contra os colossos bancários, como se cria um mundo mais verde, quais as novas fontes energéticas, como se criam condições para Portugal voltar a crescer demograficamente, como se aprofunda a integração europeia, como se afasta o fantasma neo-nazi e ultra-nacionalista. Em vez disso andam uns velhotes a discutir o sexo dos anjos: onde se deve discursar, quem deve discursar, quem é quem, quem foi o quê, se este é o “espírito de abril”, se não será preciso outra vez sair em armas... Isto é dito por ex-Presidentes da República que se acham pais da Pátria, há velhos capitães de Abril que teimam em continuar a existir e a moça-presidenta do Parlamento diz disparates nas entreportas da Assembleia. Uma fogueira de vaidades em que todos se querem incensar antes que a morte os leve de vez e passem a ser também motivo de comemorações em estátua de bronze numa qualquer rotunda do país acidental. Há nesta gente um saudosismo amuado, feito de nostalgia pessoal e de juventude perdida. O momento em que foram importantes. É essencial remeter esta gente para trás dos microfones. Afastá-los da ribalta, antes que a ribalta se afaste deles. É essencial largar o passado e pensar o futuro. E há tanto para pensar...

16 comments:

Paulo said...

Concordo, apoio e subscrevo tudo o que disseste (ou postaste). Não posso estar mais de acordo. Fomos entusiastas do (e no) 25 de Abril mas já é tempo de "largar o passado e pensar o futuro". Jovens ao poder!

João Menéres said...

Mais jovens do que estes que lá estão ?
Para mau, basta assim...

m.a. said...

Olá Jorge!
Como é habitual, uma análise bem fundamentada.

Apetece-me juntar... uma classe de velhos anónimos que viveram o 25 de Abril e que, pelo momento presente e pelas suas perspectivas de futuro, sentirão com maior intensidade o propósito da data...

Paulo, desculpe, mais fraldas não! Quem irá conseguir limpar?...;)

Li Ferreira Nhan said...

Pois é Jorge, no teu texto, tua análise, há o que concordar e discordar.
E é isso o que eu aprecio; essa variável.
E nas entrelinhas perceber a conciliação e a divergência.
"Ex-Presidentes da República que se acham pais da Pátria, velhos capitães de Abril, novas gerações que querem saber e a moça-presidenta do Parlamento". Uma humanidade toda contida aí, com erros, acertos, saudades e esperanças. Isso não é pouco. É um grande povo que trabalha sempre e sempre; os jovens e os velhotes ainda.
Ainda bem que vcs pensam no futuro sem esquecer da história.

(Aqui onde eu vivo a memória é curta e o país não é levado a sério)

Anonymous said...

Trabalha?

Fatyly said...

Concordo e discordo com algumas coisas...mas para mim hoje é o dia pautado apenas e tão só pela Liberdade e pelo Fim de uma sangria de jovens para uma guerra que durou 15 anos. Com estes e com os milhares que morreram às mãos da PIDE.
O resto? já passou e há que viver, melhor, sobreviver no presente para tentarmos chegar ao futuro porque é tão fácil destruir o "tecido de uma Nação" mas difícil, bem difícil de "reconstruir".

Um abraço

Jorge Pinheiro said...

Respondendo:
- Paulo: Pessoalmente não sou pelos jovens ao poder em abstracto, nem acho que a veterania seja só por si mal. Importante é aproveitar estes acontecimentos para perspectivar o futuro.
- Li: o Brasil terá mais dificuldades com a História, porque ela é mais curta e o grande momento foi, de facto, Independência de Portugal. Mas isso não invalida que a democracia seja plenamente vivida. A grande questão é a desigualdade e a consequente violência.
- MA: Concordo. Esse é um dos pontos que pretendo acentuar (se calhar está nas entrelinhas).
- Fatyly: para nós a PIDE ainda é uma realidade bem presente. Para as novas gerações, felizmente, não. A reconstrução económica e a questão do modelo europeu são essenciais
- Anónimo: não entendo a interrogação neste contexto. Que tem isso a ver com o 25 de Abril?

daga said...

é triste ficar agarrado à "ribalta", é triste que a liberdade não tenha acabado com as filas de espera nos hospitais nem melhorado o ensino... mas enfim o que interessa é "pensar o futuro" como dizes muito bem!

Anonymous said...

"É um grande povo que trabalha sempre e sempre" ...

Apenas me surpreendi com esta frase contida em um dos comentários e perguntei:

trabalha?

Jorge Pinheiro said...

Todos os povos trabalham e nós nem somos os mais esforçados. Continuo sem entender o contexto da pergunta, mas ok.

Anonymous said...

Pois aí está! Que trabalhem os outros ...
Pouco esforço, pouca determinação ..

Agradeço.

Li Ferreira Nhan said...

Ah, foi pra mim.

Jorge Pinheiro said...

Ah... hoje estou lento :))

Li Ferreira Nhan said...

Tem dias ;))

Silvares said...

Anonymous é apelido ou nome próprio? Alguém põe um nome desses ao filho (a)?

Jorge Pinheiro said...

Pois...