6.11.14

MEMORIES


Tenho passado as últimas semanas a recordar coisas, a ter conversas pretéritas com amigos, a fazer entrevistas gravadas sobre o passado. Na verdade hesito entre fazer a história da minha família, falar sobre a PT (onde trabalhei 30 anos), escrever a biografia do Ephedra (a minha banda musical nos anos 70) ou a história da colonização de Nova Oeiras (o bairro onde vivo). Uma irrequietude saudosista e ligeiramente patética. Será que a partir de certa altura não acontece mais nada? Será que o passado se sobrepõe ao presente? Será que o futuro inexiste na nossa inferioridade mortal? Se calhar fomos feitos para viver e recordar. Para fazer e lembrar. Para arquivar e escrever... Gostava de ser mais um do que apenas eu para ter tempo de eternizar o disparate fugaz que foi toda a minha vida e ficar célebre no Facebook das memórias caducas.

8 comments:

João Menéres said...

Qualquer dos temas é do maior interesse, Jorge !
Não hesite, comece por um qualquer, mas comece !

daga said...

gosto desse teu lado de filósofo - "Será que...?", mas cria heterónimos e já podes ser "mais um do que apenas eu"!
beijo

Jorge Pinheiro said...

Mas a questão não é de nome, é de tempo...

Li Ferreira Nhan said...

Pois comigo tem sido o oposto.
Penso no futuro, futuro próximo, e as conversas giram em torno do que há de vir. E da mesma maneira o futuro sobrepõe o presente.
O tempo indica a ação futura
e o presente escapa-me desapercebido talvez involuntário.
Talvez.

Entre o passado e o futuro melhor, por vezes, viver o presente.
É, uma vez ou outra.

Jorge Pinheiro said...

Do ponto de vista literário, estamos a falar de ficção ou de biografias.

João Menéres said...

Como o futuro me começa a faltar, é preferível falar de ficção !

Eduardo P.L. said...

Tanto o texto, como os comentários em debate estão muito filosóficos para meu gosto. O presente é o futuro do passado, e o passado já foi futuro um dia. Os três fazem ou farão parte da história. Não há ficção sem vivencias pessoais, como em toda biografia sempre cabe um tanto de ficção. Dito isso, tudo fica claro, límpido, e sem margem para dúvidas. Jorge, mãos à obra.

Jorge Pinheiro said...

Pois, pois Eduardo. A questão é que cada vez tenho menos mãos e a obra aumenta :))