1.4.15

O PAÍS ESTÁ MALUCO

O país está maluco. Nas Finanças há uma lista VIP que avisa quando os funcionários vasculham os nossos impostos. Mas a lista só tem quatro nomes: Presidente, Primeiro Ministro, Vice-Primeiro e um Secretário de Estado. Vai-se a ver e afinal há 2300 pessoas credenciadas para poder vasculhar as nossas declarações e mais de 200 trabalham em empresas privadas que prestam apoio técnico à Autoridade Tributária. Melhor seria talvez todos termos acesso aos impostos de cada qual e acabava-se a fuga de informação. A transparência era total. A máquina fiscal está de tal forma eficaz e impetuosa que esta semana foram penhorados quatro bolos numa pastelaria por dívidas ao fisco. O valor do leilão em hasta pública atingiria 2 euros no máximo, se os bolos não ficassem entretanto podres. Já na semana passada tinham penhorado umas bananas e demais produtos hortícolas de uma instituição de apoio social a idosos por um dívida de 4000 euros. Acabaram a devolver a hortaliça depois de uma campanha pública de escárnio e mal dizer. Seria bom que os nossos problemas fossem só estes. Quase parece de propósito para nos fazer esquecer o caso BES/PT ou a prisão de José Pinto de Sousa, mais conhecido por Sócrates, ou todas as desgraças demagógicas que vamos ter de suportar até às eleições de Outubro. Mas não. Sinceramente acho que não há um projecto deliberado para nos alienar da realidade. O que está a acontecer é por força da crise e de medidas mal calibradas e mal executadas. Portugal está a resvalar para pior cenário: passamos do país em que se podia fazer tudo, para aquele em que não se pode fazer nada. Mais uns anos e vamos ser controlados nos restaurantes que frequentamos, na roupa que vestimos, nos passeio que damos. Duas vezes no Belcanto dá direito a um interrogatório pesado; um par de Lacostes e temos de apresentar a declaração de IRS; três saídas por ano ao estrangeiro e seremos suspeitos de branqueamento de capitais. A crise, e os sistemas implementados, estão a fazer passar de um país permissivo, para um país intolerante. E isto pode ser perigoso pela desumanização e indiferença que cria. A sociedade está a alterar-se muito rapidamente e é essencial criar contra-poderes que impeçam injustiças flagrantes.

4 comments:

Eduardo P.L. said...

Essa prática é global. Não há como impedi-la.

João Menéres said...

Vou-me agora, Jorge.
Não tenho tempo de comentar.

Um abraço.

Jorge Pinheiro said...

Boa Páscoa.

Fatyly said...

Inteiramente de acordo e há mais umas quantas que faltas referir. Recuámos 20 anos, já para não dizer...aos parecidos do da outra senhora em que prevalecia a "cunha e incompetência" só porque agradavam ao "rei e senhor"!!!!!

Até a votação na Madeira...cheira-me a esturro e quando for votar, pergunto a mim mesmo...qual a alternativa? É tudo tão mau, tão aldrabado, nunca vi tanta incompetência...e ainda falam dos gregos? Pois, chamem-me burra que eu gosto!!!!