17.9.15

REFUGIADOS

A Europa de Bruxelas está outra vez confusa. A opinião pública europeia ainda mais. Os refugiados são o quê? Gente que foge à guerra? Infiltrados? Oportunistas económicos? Mendigos sem abrigo? Pessoas? Animais? Este ano já entraram 400 mil e ainda estamos em Setembro. Há quem diga que é equiparado à invasão dos bárbaros no tempo do Império Romano, só que agora estamos a ajuda-los a entrar e ainda lhes damos comida, cama e roupa lavada. Há outros que acham tudo muito humanitário e que estamos em dívida civilizacional para com aquela gente. A Europa acolhedora dos tratados. Dos acordos de Schengen. Das fronteiras abertas. A Europa dos  traumas. Outros interrogam-se porque os refugiados não ficaram lá para lutar, sendo na sua grande maioria homens na força da idade. Há quem considere que culturalmente estamos a ser assaltados nos nossos valores mais profundos. Outros dizem que precisamos desta gente para rejuvenescer demograficamente o velho continente. A Europa envelhecida vai precisar dos jovens sírios mão-de-obra barata e para pagar o Estado social. Aqui e ali, os nazis ganham pontos na exploração do óbvio: a matriz europeia poderá estar em causa a longo prazo. A proliferação do islão intramuros será uma estratégia deliberada? Há quem se interrogue: quem financia a aventura desta gente? Há quem diga que são os próprios países árabes. Será? E que fazer? Como controlar esta gente que entra sem identificação? Como integrar os refugiados de forma a não termos mais ghettos? O el-dourado europeu é, seguramente, um oásis para gente perseguida, mas a ingenuidade abstracta dos tratados é, inevitavelmente, um pesadelo para a Europa. Uma Europa confusa e confundida, que se degladia em reuniões ministeriais. Uma opinião pública dividida que opina no Facebook e protesta no Twiter, à espera de um milagre que não vem. Roma caiu às mãos dos bárbaros. Demorou mais de um século a cair, mas caiu. Caiu e os romanos acabaram todos a rezar a Cristo, quase sem dar por isso. Será que estamos no dealbar da "era islâmica" e não estamos a perceber?

3 comments:

Anonymous said...

vá-se-lá-saber

João Menéres said...

Nós, portugueses, também já invadimos meio mundo, mas nessa altura a informação não se espalhava pelo éter, muito menos em directo.
Não íamos buscar às prisões a mão de obra necessária para completar a tripulação das caravelas ?
Agora, essa gente toda paga para milhares deles morrerem no Mediterrâneo a bordo de pneumáticos hiper lotados.
Porque não optaram pelos países do Golfo ?

Eduardo P.L. said...

Será, Jorge?