14.10.16

BOB NOBEL

Sempre embirrei com a música do Dylan. Naquele tempo todos diziam maravilhas e eu tinha já os meus ódios de estimação. Era o ar de rato saído de um cano de esgoto; a música mal amanhada, tocada em três acordes primitivos; a palheta que parecia serrar presunto; a voz impossível completada pela estridência da insuportável gaita de beiços... E as músicas duravam, duravam... Nunca tive qualquer disco do homem, embora, convenhamos, o achasse diferente. Nunca percebi aqueles poemas surreais, a não ser que time must a change. Foi simbólico? Talvez? A escrita é boa? Talvez. Fiquei apesar de tudo contente. Ao menos conheço-o. Os outros antecessores nada sabia deles. Este é um dos meus. Símbolo da nossa rebeldia. Para quando agora o Nobel para Paul Simon, o Chico Buarque ou o Caetano Veloso?

6 comments:

Eduardo P.L. said...

Aqui no Brasil estão esperando para um tal de Djavan que tenho sobre ele a mesma opinião sua sobre o Bob.

João Menéres said...

Com os anos que já levo, haverá alguma coisa que ainda me surpreenda ?

Jorge Pinheiro said...

Mas o Djavan está no campeonato regional ao pé do Dylan.

Li Ferreira Nhan said...

Depois desse Nobel preciso rever meu conceito de "literatura".
😕

Psicanalista said...

Leonard Cohen.

Paulo said...

É uma personagem ímpar da música popular. Faz canções há quase 50 anos e muitas passaram a fazer parte do cancioneiro norte americano e mundial. Sim, deu uma volta na música pop ao fazer canções com letras complexas e fora do que se fazia na altura (I love you baby, etc.)e no entanto maior parte das suas canções são de amor. Foi uma influência muito importante para os artistas seus contemporâneos que o digam os Beatles seus grandes admiradores. Sim, fazia músicas harmonicamente muito simples como por exemplo o "Knocking on heavens door" mas que têm uma força imensa e que toda a gente gosta de cantar e como essa tem muitas mais. Um fenómeno