26.1.17

COMIGO MESMO XLVI


O almoço aproximava-se rapidamente sob a forma de uma nojenta canja de perdiz carregada de miúdos, seguida de rojões com batata entalada ou alheira com grelo cozido. Para rematar, o habitual queijo com marmelada. Em dias especiais havia pisperno com batatas e nabo cozido. Sobremesa, o fumegante chouriço de mel com amêndoas, com apetitoso aspecto a cocó fresco e sabor a goiabada de porco.
À noite, a bisavó Marta, com lúcidos 99 anos, vestia-se a preceito enfrentando o preto e branco da televisão Grunding com sorriso de cerimónia. Respondia à locutora de serviço na certeza de que estava logo ali, dentro da caixa iónica, e que falava directa e exclusivamente para ela. Era escusado qualquer tentativa de explicação do conceito de teledifusão. O diálogo era ponto a ponto… e pronto!

4 comments:

João Menéres said...

Estupenda crónica, Jorge !
Uma delícia esse "diálogo" da biaavó Marta com a locutora de serviço !
Não sei o que seja PISPERNO...

Jorge Pinheiro said...

Presunto grosso, demolhado e depois cozido.

Eduardo P.L. said...

A saga familiar continua. Quantos capítulos terá?

João Menéres said...

Nunca tinha ouvido falar .
muito obrigado.