6.1.17

COMIGO MESMO - XXVIII


Confesso que nada disso me perturbava. Com sete anos preocupava-me em acertar nas balizas virtuais que traçava na minha cabeça e defender os remates de ricochete que a parede me devolvia. Andava de triciclo no corredor em gincanas alucinantes. Gincanas que acabavam quase sempre em quedas aparatosas, de que ainda conservo um alto do lado esquerdo do crânio. Um alto que às vezes pode, erradamente, ser confundido com uma boça de inteligência. Pregava pregos compulsivamente na mesa-de-cabeceira e fazia grafitis com o bâton encarnado da minha mãe nas paredes do quarto, num assomo vanguardista de que ainda mantenho resquícios quando estou em modo artístico.

4 comments:

João Menéres said...

Há muito que não vejo OBRA nesse MODO...

Jorge Pinheiro said...

Ando preguiçoso.

João Menéres said...

Deve ser do trabalho, não ?...

Eduardo P.L. said...

Modo artístico, é uma bela expressão.