Estamos cada vez mais tolerantes com o crime. Dantes, os comportamentos antissociais eram condenados pela religião e julgados como crimes. A justaposição da moral religiosa com a moral laica, fazia dos pecados crimes e dos crimes pecados. A intolerância era canónica e, para além de prisão terrena, davam inferno perpétuo. No Ocidente, com o advento da Revolução Francesa, a moral afastou-se da religião e o castigo já não é divino. Hoje não temos receio de pecar. Temos apenas medo da polícia. A nossa tolerância aumentou na proporção do aprofundamento da democracia e dos comportamentos republicanos. In dúbio pro réu. Recursos paralisantes. Prescrições aviltantes. Todos os dias assistimos a desaforos sociais inqualificáveis. Disparos aleatórios contra cidadãos que passeiam na rua. Assaltos à mão armada e roubos de colarinho branco. Pedofilia, estupros e violência doméstica... Assistimos a tudo isto com uma tolerância quase pornográfica de rebarbativo masoquismo. A ausência de pecado nas sociedades ocidentais faz com que a moral se identifique com as notícias publicadas no Correio da Manhã e que os crimes sejam digeridos na ligeireza doméstica do Facebook. Estaremos condenados a precisar de uma religião?
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25.8.14
1.8.13
A DÚVIDA DA INCERTEZA
"Vivemos tempos incertos e, paradoxalmente, é em tempos incertos que mais prosperam as certezas – ou a tentação da certeza. É uma tentação legítima, que corresponderá a algum instinto de protecção e defesa. Quando o futuro é uma absoluta incógnita, mais fácil é ter certezas – substituem as expectativas. Difícil será ter dúvidas – confirmam a incerteza que nos oprime".
Eva Gaspar, in Negócios on line
2.7.12
DA APATHEIA À ATARAXIA
Zenon era um cipriota grego que em 313 a.C. mudou-se para Atenas, onde pregou a sua doutrina e fez muitos adeptos. Reunia-se com os seus discípulos e seguidores em um local denominado Stoá Poikíle, cuja tradução é "pórtico ou galeria de colunas trabalhadas". De Stoá provêm os nomes de estóico e estoicismo. Segundo o estoicismo, o sofrimento decorre das reacções despertadas no ser humano por quatro classes de emoções: a dor, o medo, o desejo e o prazer. O ideal do estóico é alcançar a apatheia, ou seja, a natural aceitação dos acontecimentos, uma atitude passiva diante da dor e do prazer, a abolição das reacções emotivas, a ausência de paixões de qualquer natureza.
Epicurismo é o sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C. Epicuro acreditava que o maior bem era a procura de prazeres moderados de forma a atingir um estado de tranquilidade (ataraxia) e de libertação do medo, assim como a ausência de sofrimento corporal (aponia) através do conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. A combinação desses dois estados constituiria a felicidade na sua forma mais elevada. Embora o epicurismo seja doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo (já que declara o prazer como o único valor intrínseco), a sua concepção da ausência de dor como o maior prazer e a sua apologia da vida simples tornam-no diferente do que vulgarmente se chama “hedonismo”. A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante prática. Buscava sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados.
Nota: vem isto a propósito do meu post anterior e do comentário do meu amigo Paulo. Afinal isto de ser feliz é mesmo muito complicado.
7.6.11
ANARQUIA É UTOPIA
Anarquismo vem do grgo e significa "sem governantes". É uma filosofia política que perspectiva a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. De um modo geral, os anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceite. Preconizam tipos de organizações libertárias. Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem. A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos popularizou-se entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do grau elevado de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas. Outro equívoco banal é considerar-se anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens. À ausência de ordem - ideia externa aos princípios anarquistas - dá-se o nome de "anomia".
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