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27.8.10

SILLY SEASON - RENTRÉ

Um termo que significa mais do mesmo. A Silly Season caracteriza-se por choques em cadeia nas auto-estradas; incêndios com fartura; políticos compungidos em interrupção de férias; falta de sítio onde pôr a toalha de praia; emergências médicas e afogamentos que baste; bombeiros em exaustão; gente simples que nunca devia ter carta de condução; desempregados sazonais que acrescem aos anuais; o seleccionador nacional suspenso por dois jogos; investimento zero; produtividade em regime de subsídio; Duarte Lima e Dona Rosalinda lá no Maricá...
Agora pergunto eu: e que fazemos nós aqui? Blogamos na má língua? Exigimos mais de políticos analfabetos? Queremos que ergúmenos mentais sejam os salvadores da Pátria? Somos espectadores da disputa patética sobre a aprovação do orçamento? Fazemos apostas sobre a dissolução do Parlamento até dia nove de setembro? Gostamos de Passos, de Coelho, do Zé, do Alegre, do Silva, do Portas...? E temos pachorra para aturar os comentadores de serviço que dizem o mesmo todas as semanas, em vez de irem trabalhar para a estrada?  Mas alguém se revê nisto? E caso contrário fazem o quê? Por favor digam, que eu não sei...

23.7.10

TANGA


Detesto tango. Não por razões obscuras. Apenas por razões pessoais:
- Porque não sei dançar;
- Porque não sou argentino;
- Porque fazer sexo é mais fácil;
- Tantos passos para quê?
- Dança livre vs dança esquemática?!
- Música banal;
- Detesto danças que é preciso aprender;
- Se danço amo; se aprendo faço ginástica:
- Os argentinos que a dancem!
Dancem sem medo. Mexam-se sem modas. Amem sem frontreiras.

30.6.10

UM DIA DESTES


Sempre pensei a vida não pensando nela. A vida é um continuar de vivências. Um exercício de sensações. Um mar de emoções. Ganhamos alguma coisa em planear? Em projectar? Tudo o que fazemos é fruto de acaso, do destino, de circunstâncias. Alguns alegarão os signos; outros falarão de Freud; outros ainda, de uma força vital, de uma vontade férrea... Não sei, nem me interessa. Somos espectadores de um sonho. Somos realizadores de uma fantasia. Somos actores de uma paródia. Estamos vivos antes de morremos. Há uma contradição entre nós e a vida. Uma contradição que nos faz ser tudo e que nos remete ao nada. Existimos. Somos. Enquanto durar... E duramos enquanto formos.

11.6.10

HOMENS E MULHERES

É aqui que nos separamos. Entramos aflitos. Saimos aliviados. Qual é afinal a diferença entre homens e mulheres? Para além do WC e do ginecologista somos assim tão diferentes? Amamos de forma diferente? Queremos coisas diferentes da vida? Ser mãe condiciona? Ser pai é um acto automático? Fazer amor é assim tão diferente? É uma questão de direitos? De oportunidades? As mulheres sonham, os homens não? Que querem os homens? Que querem as mulheres? A felicidade é assim tão oposta? As energias completam-se? Então porque divergimos tanto? Porque fugimos da intimidade? Que medo temos de ser companheiros?

7.4.10

APOCALIPSE NOW

Desconfiamos da democracia. Não queremos a ditadura. Fugimos da anarquia. Esquecemos a utopia. Economicamente inábeis. Politicamente inválidos. Sociologicamente tolerantes. Psicologicamente egocêntricos. Intelectualmente diletantes. Críticos de tudo. Seres expectantes. Fingimos não ser nada. Mudamos a cada miragem. Deixámos de compreender. Deixámos de querer. Apenas queremos viver. Um dia virá em que teremos de tomar posição. Esse dia chegará. Vai haver barreiras e trincheiras. A História pode morrer a qualquer momento. O que queremos? Alguèm sabe?

5.4.10

O SONHO

Hoje tive um sonho. Sonho confuso. Via-me a escrever longas páginas de memórias. Algumas eram minhas, outras não. Não sabia onde acabava. Quem era. Falava por todos. Falava por ninguém. A cama revolta-se contra mim. Flutuava nos lençóis. Afundava no colchão. Mar revolto. Sono inconstante. Acordei com vontade de adormecer. De sentir um sonho eterno... O Sol brilha finalmente. Hoje é Verão. E o sonho cai levemente, na sombra de uma paixão.

8.3.10

BOAS NOTÍCIAS

Começo a semana para vos dar uma boa notícia: a vida continua. Uma notícia esplêndida em tempo de crise. Em tempo de intempérie. Há vida entre os restos do tsunami, nos destroços do sismo, navegando à bolina da borrasca, boiando nas inundações. A vida tem uma força brutal. Agarra-se às entranhas da terra. Explode no mar alteroso. Emerge radiante das nuvens plúmbeas. A vida existe para nos dar prazer. O prazer de viver. De amar. Vivam sem medo. O medo passa por nós todos os dias. O medo está em nós. Para què preocupar? Pode ser hoje amanhã. Tanto faz. Vivam. Nunca se arrependam de nada. Estão perdoados. A vida perdoa. Uma condição apenas. Saibam viver.

8.2.10

RAINY DAY DREAM AWAY

Chuva. Muita. Tempestade. Cidade baça. Sombras precoces. Entrei. Restaurante quente. Comida picante. Conversas íntimas de Inverno. Somos o que fomos. Somos o clima que existe. Falamos no sotaque da intempérie. Fado constante. E a chuva cai sobre tudo e sobretudo cai.

7.2.10

CARTAS DO BRASIL (3)

Retornado vou ficando preso. Recordo os suspiros que a noite lança. Acordes maiores de impossível resolução. Entrego os pontos e lembro o nada que foi tudo. Saudade sofrida na presença solitária. Dias vagos de vãs promessas. Calor, cor, sabor... Um suor meigo que não chega a molhar. Uma voz que vem do mar. Um oceano que une e separa. Um dia...

CARTAS DO BRASIL (2)

Sonhamos sempre. Sonhamos as garotas de Ipanema que estão dentro de nós. Óculos escuros. Vemos tudo. Não vemos nada. Queremos tudo. Não queremos nada. É preciso sonhar. Fugir à realidade. Não enfrentar. Podemos viver nos sonhos? A realidade fica no interlúdio. Há quem sonhe para poder viver. Prisioneiros. Utopia existencial. Vivam. Existam. Sejam. Suspirem. Cismem... Nunca esqueçam que a vida ultrapassa o blogue que vos ilude a solidão. Sopra um vento. Um vento forte que trás os alíseos na "volta do largo". Fujam enquanto é tempo.

6.2.10

CARTAS DO BRASIL (1)


Suponha um território que o transcende. Uma epopeia que o excede. Suponha que você existe sem saber onde. Que o norte virou sul. Que a constelação inverteu o signo.  Imagine-se virgem.. Pense que o Sol muda. Que o destino é tropical. Sinta a terra quente. Ondas de miragem. Sonho incandesceste. Chuva interna. Pântanos que afundam. Almas expectantes. Verde despenhado. Paisagem telúrica. Somos nós que vamos. Saudade que fica. Ficamos no amarelo. Amarelo selvagem que nos sobrevoa. Sensação imensa de paixão desmedida. Um mundo enorme que não entendemos.

4.2.10

STILL CRAZY (1)

Afinal o que é a estabilidade? Estarmos. Sermos. Ficarmos. Seguros. Inertes. Inamovíveis. Parados. Rotinados. Programados. Medo de mudar. Vida gasta. Sabor a mentol. Vamos, vimos e nunca chegamos a ir. Rodamos os lugares sem ver os sítios. Atentos espectadores do desastre televisivo. Fugimos de nós. Eternos desertores. Refractários do amor. Olhamos e não vemos. Não queremos ver. Não podemos ver. Se vissemos deixaríamos de ser. Apanhados na nossa própria armadilha. Uma impaciência se apodera de nós. Insatisfação. Constante. Somos novos velhos, renovados, novidade que passou. Deuses efémeros que não chegam a existir. Mensagem escondida na penumbra obscura do tempo.