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17.10.10

ZAMORA - X -VIRIATO

Viriato, o mítico chefe dos Lusitanos, que durante nove anos enfernizou a vida ao melhor exército do mundo, os Romanos (várias vezes já falámos desse imbecil), e que impediu o progresso de chegar mais cedo à Península. Ele é considerado um herói-mágico quer por portugueses, quer por castelhanos. De facto, os Lusitanos andavam ali pela Meseta Ibérica e acossados por outros Celtas refugiaram-se nos Montes Hermínios (Serra da Estrela). Daqui lançavam rapinas a outros povos e chateavam os Romanos. A verdade é que foram sempre ganhando. Viriato acabou por ser assassinado à traição. Enfim, isso agora não interessa nada. Interessa agora dizer que Viriato é disputado por portugueses e espanhóis. Aliás, assisti há uns anos a um interessante seminário sobre o tema. Agora vejam por favor as diferenças. Em cima, em foto minha tirada em Zamora, temos o Viriato espanhol, ar gay, com mãozinha mais que duvidosa e pose suspeita. Em baixo, sacada da net, a imagem da estátua do Viriato português, másculo e guerreiro, quase boçal...  A favor ou contra?

ZAMORA - X - CERRADAS





ZAMORA - IX - DETALHES




ZAMORA - VII - SOLDADINHOS DE CHUMBO


16.10.10

ZAMORA - VI - NA BARRA


ZAMORA - V - RUAS ADORMECIDAS



ZAMORA - IV - O OURO



ZAMORA - III - CATEDRAL



ZAMORA - II - O CASTELO



ZAMORA - I

Uma pequena cidade de 70 mil habitantes, perdida na Extremadura espanhola, a 100 km de Bragança. Burgo medieval cuja principal relevância foi ter sido aqui que se celebrou o "Tratado de Zamora" que, em 1143, deu de facto a independência a Portugal. Afonso Henriques conseguiu a sua primeira vitória diplomática, ao garantir junto do primo, Afonso VII de Leão, o tratamento de Rex e o reconhecimento de que esse título seria herdado pelos seus descendentes. Para além disso, Zamora tem um interesse muito relativo. Vejam-se de relance as 24 igrejas românicas do séc. XI a XII; aprecia-se rapidamente a catedral, datada do séc. XII, carregada de ouro, como é habitual na ostentação catelhana; cruzem as ruas adormecidas com  dois palácios românicos e uma ponte do séc. XII que atravessa o rio Douro; um castelo atrapalhado de ruínas em camada que vão do romano ao árabe, passando pelos visigodos, como, aliás, é costume por estes lados.
Come-se bem desde que se pague bem. Bebe-se melhor desde que se pague melhor. A sesta é uma instituição garantida e controlada. Recomendo aos turistas que comecem a visita às oito da manhã e acabem à uma da tarde. Depois, Zamora só abre quando eles quiserem. Várias vezes conquistada por Portugal, acabaram na mão dos castelhanos que lhes garantem uma sesta permanente. Por isso podem dormir descansados...

3.7.10

OLIVENÇA



É  neste minúsculo cantinho do mapa que me poderão encontar na próxima semana. Olivença (em castelhano Olivenza) é uma cidade e um município numa zona fronteiriça cuja definição é objecto de litígio entre Portugal e Espanha, reivindicada de jure por ambos os países e administrada de facto como parte integrante da comunidade autónoma da Extremadura espanhola..
O Tratado de Alcanizes, de 1297, estabelecia Olivença como parte de Portugal. Em 1801, através do Tratado de Badajoz, denunciado em 1808 por Portugal, o território foi anexado a Espanha. Em 1817 a Espanha reconheceu a soberania portuguesa subscrevendo o Congresso de Viena de 1815, comprometendo-se à retrocessão do território o mais prontamente possível. Porém, até aos dias de hoje, tal ainda não aconteceu.
É este intrincado problema diplomático que me proponho resolver numa rápida visita à região que não deixará de passar por Arronches, Monforte, Campo Maior, Elvas, Barrancos, incluido os míticos castelos de Ouguela e Noudar, do lado de cá. Do lado de lá atacaremos Olivença, La Codosera, Alburquerque e Badajoz. Trago caramelos para todos...

25.5.10

CÁCERES - FIM

Em todos nós há uma cegonha. Uma cegonha que voa alto planando na corrente. Subindo, descendo, vogando inerte na brisa. Vimos de não sei onde e vamos para sei sei quê. Ficamos aqui. Pensamos ali. Inveja do ar. Sair. Largar. Horizonte infinito. Seremos sempre incompletos. Não sabemos sonhar.

CÁCERES - A INQUISIÇÃO

Depois da tomada de Granada, os Reis Católicos (Isabel e Fernando) cederam aos Dominicanos. A religião católica teria de ser única. A Nova Espanha era apostólica romana e intransigente. Acima de tudo era necessário tomar posse dos bens patrimoniais dos muçulmanos derrotados e dar "mercedes" (mercês) aos conquistadores, unificando um reino precário. Rapidamente a Inqusição surgiu vinda do fundo das mais fanáticas tendências religiosas: ou conversão ou morte. Religião e economia casaram em comunhão de bens, retirando a especificidade peninsular até aí vigente. Mouros e judeus fugiram para Portugal e Magrebe. A Península ainda hoje procura esse equilíbrio perdido.

24.5.10

CÁCERES - CONCATEDRAL DE SANTA MARIA


Edifício dos séc. XV-XVI. Um silêncio impressionante, sagrado, majestoso. Ao fundo o retábulo maior, peça de Roque de Balduque e Guillén de Ferrant, flamencos, realizada entre 1547 e 1551. Uma das peças mais imponentes do renascimento espanhol. Tudo nesta catedral se deixa fotografar. Não há impedimentos. Até fomos incentivados. Fica a ganhar o turista e a catedral que, assim, é exposta e atrai novos visitantes. Fica lançado o debate. Deve ou não permitir-se fotografar estes monumentos emblemáticos? Que prejuízos, que vantagens?

CÁCERES - O OURO DO NOVO MUNDO



CÁCERES - DETALHES


23.5.10

CÁCERES


Com cerdca de 90 mil habitantes, a ocupação de Cáceres vem da pré-história. No séc. I a.C. os romanos fundaram aqui a capital regional, com o nome de Norba Caesaria, junto da famosa Via da Prata, um dos principais caminhos romanos na Península. Tudo foi arrasado no séc.V com a tomada pelos visigodos. Até ao séc. IX não se volta a ouvir falar de Cáceres. Provavelmente, será este o período mais interessante a estudar (digo eu!). Os mouros perceberam o interesse estratégico da zona e construiram uma basae militar para fazer face aos cristãos que teimavam em reconquistar aquele deserto. Al Qazrix é o nome mais provável e dele derivará Cáceres. Finalmente no séc. XIII, o rei Afonso IX, de Leão, tomou a cidade, no dia de São Jorge (23 de Abril de 1229) que passa a padroeiro da cidade. Começou então a reconstrução. Igrejas no lugar de mesquitas. Palácios cristãos no lugar de palácios muçulmanos... Acresce que muitos navegadores e aventureiros que acorreram ao Novo Mundo são da Extremadura e lá fizeram fortuna. Os palácios e os títulos multiplicaram-se. A cidade medieval e renascentista chega aos nossos dias quase sem alterações, constituindo uma dos mais impressionantes e bem conservados conjuntos monumentais do mundo. Património da Humanidade pela UNESCO, em 1986, Cáceres é uma cidade absolutamente imperdível.

CÁCERES - RUAS MEDIEVAIS




CÁCERES - BRASÕES