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28.12.11

O CIRCO

O circo sempre me provocou uma sensação de ambiguidade. Misto de fascínio e angústia. De tristeza e alegria. Uma certa claustrofobia sentimental. Aquela vida errante. Os trajes de luzes muitas vezes remendados. Uma pobreza disfarçada. Os animais enjaulados. Os bichos amestrados. Os palhaços sem graça que exigiam palminhas aos meninos. Acrobacias banais repetidas à exaustão. O risco da queda. A aflição do desastre. Um suspense de medo. O cheiro a excrementos de camelo. O rugir de leões magros e de tigres ansiosos. O número dos anões. A mulher barbada. O homem-bala... Os circos desciam à cidade em épocas festivas. Onde estariam no resto do ano? Que faria aquela gente no dia a dia? Sempre foi para mim um mistério. Hoje os circos são grandes produções. Espectáculos planeados. Negócios milionários. Mas continua a haver pequenos circos a descer ao povoado. Circos que me continuam a provocar uma angústia nostálgica que não sei explicar.