A cruz é um dos símbolos mais antigos e usado em diversas religiões. Normalmente ela representa uma divisão do mundo em quatro elementos ou pontos cardeais, ou a união dos conceitos de divino, na linha vertical, e material, na linha horizontal. Na subcultura gótica, esta símbolo representa a tortura ou angústia interna, talvez porque a palavra vem do latim "crucio ou cruz" que significa tormento ou suplício. Duzentos anos antes da morte de Cristo já era uma das formas usada entre os romanos para dar cumprimento a uma sentença de morte, sendo por isso provável que o "madeiro" a que a Bíblia se refere ao dar conta da morte de Jesus tenha sido, efectivamente, uma cruz. A palavra grega traduzida para "cruz" é "stau-rós" (estaca recta ou poste). Mais tarde, com uma peça transversal, seria usada para execução. Os círculos e as cruzes são os primeiros símbolos por todas as crianças de qualquer cultura. São universais e primordiais.

O desenho acima é a reprodução do "Tau", talvez de origem caldeia. Geometricamente é uma cruz em forma de T, última letra do alfabeto hebraico. Antiquíssimo, este símbolo tem um o significado místico de Árvore da Vida. Se por cima do Tau, linha vertical (espírito) e linha horizontal (matéria), colocarmos um círculo, temos a cruz Ank (a cruz da vida) dos egípcios, da qual as plantas das catedrais europeias tomaram a sua forma geométrica. Esotericamente corresponde ao "Selo do Deus Vivo".

Esta é a típica Cruz Orbicular dos Templários Portugueses (e não dos restantes). Tem origem oriental, devendo-se a sua difusão à propagação do cristianismo pelo Império Bizantino. Símbolo do reino da Arménia, acabaria por chegar à China e à Mongólia por intermédiodos missionários nestorianos. Afonso Henriques e Sancho I usaram esta cruz como selo pessoal. Esta cruz era já representada em Portugal antes dos Templários, podendo significar uma ligação a Prisciliano e a Ário, tradições espirituais anteriores à nacionalidade e depois proibidas pela doutrina apostólica romana. A geometria desta cruz encerra diversas mensagens. A cruz resulta da fusão de quatro círculos com o quinto, o círculo central onde ela está inserida. Nela se engloba a estrela de cinco pontas e a quadratura do círculo, inspirada na Vesica Piscis, expressando a comunicação entre o círculo do céu e o quadrado da terra, sendo, portanto, um símbolo relacionado com o "centro do mundo"
Em sânscrito, suástica significa precisamente cruz e engloba duas cruzes ou movimentos: a de Vishnu (movimento de construção - roda para a direita) e a de Shiva (movimento de destruição - roda para a esquerda). São muitas vezes representadas dentro de um círculo. São um símbolo cosmogénico: o "Pensamento Divino" e a "Substância Primordial", já diferenciados. Os dois movimentos tradicionais do universo. No centro da cruz está o motor imóvel de Aristóteles que a faz mover a partir de dentro do círculo, como um hélice, surgindo a suástica no momento em que os quartos de círculo se despegam. A suástica teve provavelmente a sua origem nos antigos árias (arianos) da Índia, acompanhando-so na sua migração para ocidente. Podemos vê-la nos romanos, nos celtas e nos godos. O aproveitamento político nazi poderá ter raízes pseudo-iniciáticas, mas acima de tudo é mais um aproveitamento da cruz como símbolo nacionalista. No mundo há 21 países com cruzes nas respecticas bandeiras, entre eles Portugal e o Brasil (Cruzeiro do Sul).jp
4 comments:
JP, muito legal sua explicação para as cruzes. Muita coisa que trouxe aqui, jamais tive conhecimento. Quanta ignorância...Por esta razão adoro nossos blogs.
Muito obrigada pela aula.
Um grande beijo, boa Páscoa,
con
Não conhecia estes significados da cruz. A suástica depois que foi usada pelos nazistas, acho que ficou proscrita para sempre, e no entanto não foi uma criação deles como você disse. Aqui temos também a cruz de Lorena, com duas barras horizontais, uma mais curta que a outra, mas não conheço o significado.
cruzes canhoto...
Interessante conhecer um pouco de cada! Cada um carrega a sua...
Post a Comment