26.3.10

BRASIL - FORMAÇÃO (7)


Embora seja muito discutível a origem dos Macro-Jê, eles acabaram por se concentrar no planalto brasileiro, tendo-se subdividido há cerca de 5000 anos a.C. em várias famílias que se dispersaram pela zona planáltica. Destaque para os Jê, Camacã, Maxacali, Pataxó, Cariri, Jeicó, Ofaié e Guató. Depois, nova cisão por volta de 1000 a.C. deu origem a quatro novos grupos: Timbiras, Caiapó, Suiá e Acuém. Novas cisões em 500 a.C. determinaram o aparecimento de novas línguas e a expansão da ocupação no planalto Central e pela zona da bacia amazónica.

Por seu turno, o tronco Macro-Tupi é constituído por sete famílias: Tupi-Guarani; Mundurucu; Juruna; Ariquém; Tupari; Ramarama e Monde, que se subdividem em vários grupos (línguas) e subgrupos (dialectos). A origem e centro de dispersão é, mais uma vez, difícil de determinar. Teses recentes apontam como provável origem a zona entre os rios Jiparaná e Aripuanã, que alimentam o rio Madeira, afluente do baixo Amazonas. A sua dispersão ter-se-ia iniciado entre 4000 e 2000 a.C. (como se vê, um intervalo enorme). Os Tupi-Guarani garantiram a sua individualização e terão desenvolvido técnicas de domesticação de plantas, fabricação de cerâmica, navegação fluvial e, acima de tudo, inventado a rede-de-dormir.

Por volta da Era Cristã, as secas prolongadas que faziam sentir desde o ano 3000 a.C. acabaram por determinar a fixação dos Tupi-Guarani nas zonas na proximidade de grandes rios, progredindo para sul e alcançando os férteis vales do Paraguai, Paraná, Uruguai e Jacuí. A partir daí, irradiaram, para leste, ocupando toda a orla marítima entre o Rio Grande do Sul e o Ceará.

Podemos assim dizer, de uma forma muito genérica, que os Macro-Jê ocuparam o Planalto Central e a bacia do Amazonas e os Macro-Tupi, em especial os vários subgrupos dos Tupi-Guarani, a orla marítima e as zonas das bacias dos principais rios brasileiros.
(a continuar)

2 comments:

Anonymous said...

Lá vão nossas origens!

Raquel said...

Q bacana essa seção... estou a ler todas.