20.9.10

MYRA LANDAU - XXIII


1975 foi um ano de reconhecimento pessoal para Myra. A convite de Fernando Gamboa, Director do Museu de Arte Moderna, Cidade do México, Myra expõe individualmente pela primeira vez naquele prestigiado Museu.
Mesmo que a repercussão no México tivesse sido diminuta, para ela foi fundamental. Lá estavam todos os seus antigos amigos e agora os novos, desde que fora para Xalapa. Celebração de uma obra. Força para continuar. Certeza de que tinha encontrado o seu caminho.
Ignacio Guzman, um dos melhores músicos da Orquestra Sinfónica da Universidade Veracruzana, compôs e interpretou para a ocasião uma obra para flauta, intitulada Ritmo Uno.
Gamboa confessou-lhe, mais tarde, que só tinha pena de não lhe ter destinado uma sala maior para a Exposição. Isso ficaria para 1987…
O pai não viu a Exposição, mas, no Rio de Janeiro, encontrou Gamboa e perguntou-lhe: “ é verdade que a minha filha tem talento?” Gamboa respondeu-lhe: “Senhor Landau, eu sou o Director do Museu e expus as obras dela…”. Mesmo assim, o pai não ficou totalmente convencido.

1975 foi um ano marcante para Myra. Para além da Exposição, Myra travou conhecimento com Inés Concha. Nasceu uma amizade inestimável que os anos consolidaram. É Inés que define assim a pintura de Myra: “Poderia falar-se da sonoridade dos seus traços ou dos silêncios que deixou abandonados entre os planos. Poderíamos querer amarrar o seu trabalho a escolas, técnicas ou influências. Poderíamos querer apenas parar os olhos na cor ou na temperatura das suas telas. Se o fizermos, perderemos esse mistério que Myra trata deliberadamente de “indecifrar”… Desafiando o erro comum que quer ver a geometria como escada de cristal no vazio, Myra concentra todas as suas possibilidades expressivas em demonstrar o paradoxo mais díficil da percepção: só o mistério dá vida; só o mistério pode ser matéria.”
(continua)

9 comments:

chica said...

Myra sempre surpreendente.

E estranho como o pai custava a reconhecer o talento...

abração,chica

João Menéres said...

CHICA

Santos da casa não fazem milagres.
É um ditado bem antigo...

Mena G said...

Continuas a des-crever a vida da Myra de uma forma espectacular.
Já me apetece conhecê-la, tocá-la e, sobretudo, palpar os quadros...

Li Ferreira Nhan said...

Grande Myra!

jugioli said...

Indecifrar esse ritmo uno.
Coisas que me acrescentaram hoje.

bjs

jugioli said...

Jorge, esqueci de dizer: obrigado por estar neste empenho e mostrar que os blogs podem ter esse ritmo de aprofundamento, de cuidado, que acrescentam e aprimoram um tema.

bjs

Jorge Pinheiro said...

Ju: que é isso? Obrigado.
Já voltou a SP?

Jorge Pinheiro said...

OBRIGADO A TODOS OS COMENTADORES E LEITORES. A HISTÓRIA SEGUE...

myra said...

eu é que digo obrigada a todos e principamente ao Jorge!
beijos a cada um de voces,