Conheci Myra na blogoesfera. Nunca a vi pessoalmente. Fizemos muitas coisas em conjunto e, acima de tudo, mantínhamos uma correspondência regular. Myra morreu aos 91 anos no passado dia 14 de Julho. Hoje inaugura uma exposição dela em Nova Iorque que ela, seguramente, muito gostaria de ver. A título de homenagem deixo aqui as palavras que ela me mandou para terminar a biografia que fiz dela. Eis o que Myra me disse: “Entre atavismos e recordações, procuro não me perder nas encruzilhadas que atravesso. Aprendi a magia das coisas, os imprevistos da vida, ritmos diversos, diferentes caminhos. Procuro a plenitude do amor e a clarividência das sensações. Nasci na distante Roménia, com a janela branca dos cristais de neve a bater nos vidros. Vivi muito tempo no Brasil, vivi na orla do mar, na espuma fugaz da areia branca. Fiz do México a minha casa, a minha paixão. Regressei ao Velho Continente. Não sei se acabo aqui os meus dias. Quem sabe onde a minha vida errante me levará. A pintura é o meu horizonte, o meu espaço, o meu fim, o meu destino”.
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13.9.18
16.7.15
AS CURVAS DE MYRA LANDAU
Depois de décadas de rectas sobre rectas num infinito de rectas totalmente rectilíneas, Myra Landau rende-se às curvas. A percepção clara de que este é o ponto mais curto para agradar aos homens. Uma homenagem a todas as mulheres que existem nas curvas do nosso destino.
28.6.15
LANÇAMENTO 2º FEIRA (18H) NO PORTO - INSTITUTO DO VINHO DO PORTO
Quem sabe ver vê para
lá do olhar. Olha para além da vista. Quem sabe ver eterniza pessoas. Fixa
lugares. Desvenda sentidos. Antes era nada. Agora são cores e formas. Curvas e
rectas. Êxtase e esplendor. As imagens podem impressionar. Alegrar. Seduzir. Podem
matar e ser mortas. As imagens são tudo o que se quiser. Porque elas não
existem. Somos nós que as criamos.
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16.6.15
IMAGINI - LANÇAMENTO 29 DE JUNHO - PORTO
Este é um livro que nasceu de um conhecimento na net. Foi em Março de 2014 que o desafio foi lançado. IMAGINI é um encontro de
imagens. Um diálogo de sentidos. A uma fotografia responde uma pintura. A uma
pintura responde uma fotografia. As fotografias são do João Menéres, as pinturas são da Myra Landau, os textos são meus. O lançamento será a 29 de Junho, no Porto. Quem andar por lá, está convidado.
17.6.14
10.3.14
PAINEL MYRA LANDAU
Inaugurei hoje em minha casa este painel da minha grande amiga Myra Landau. Ao longo dos últimos seis anos temos comunicado muito. Livros, quadros, emoções... Trocamos tudo o que podemos num amor que é só nosso.
23.4.13
GALERIA MYRA LANDAU
Inaugurei hoje, em minha casa, uma parede dedicada a Myra Landau. Estão expostos seis trabalhos recentes que a Myra me tinha oferecido há uns meses. Finalmente ficaram prontas as molduras. A cerimónia oficial de abertura teve lugar hoje de manhã, com a presença da Fernanda. Esperam-se mais visitantes em breve. Para a Myra, o meu muito obrigado e a certeza de que a casa ficou muito mais enriquecida.
22.4.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - M
Uma letra de pernas altas. Movimenta-se com à vontade em todo o vocabulário. Começa, acaba, vem no meio. Não gosta de "v". É alérgica ao "s". Segura o "p" e o "b". Vai com todas as vogais. Com "a" é mãe. Com "u" muge. Com "i" até mia. "M" é letra de Myra. De adMira. De adMirável. Mira-se porque sim. AdMira-se porque se gosta.
31.3.13
4.3.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - L
O "L" é uma letra perturbadora. Serve para pouco e chateia muito. Um som difícil e traumatizante. Uma letra que se não fosse dita, ninguém reparava. E, no entanto, está por todo o lado. Fla, fle, fli, flo, flu; bla, ble, bli, blo, blu... Quinze minutos por dia. Terapia da fala, exercícios, grupos de ajuda, apoio psicológico. É isto que o "L" nos dá. Coitados dos japoneses e dos chineses, nunca saberão distinguir o "l" do "r". No Facebook há "Clubes de Pessoas Que Não Dizem o L", nas quais me incluo. Na Polónia "l" é "w". No Brasil é "u". Não é anel, é aneu. Acima de tudo nunca peçam "lulas com clareto Lello".
18.2.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - K
O "k" é impositivo, pretencioso e inútil. Muito quadrado, muito rectilíneo. O "k" é germanófilo, quase nazi. Os países latinos modificam-lhe o visual. Introduzem-lhe curvas sonoras. "Kaiser" é "César". "Que" não é "k". O Twitter deu-lhe nova vida no absurdo redux da abreviatura escrita. A verdade é que o "k" não entra na redacção de coisa alguma. É uma não-letra.
13.2.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - J
"J" é o som que falta quando tudo se acaba. Parece surdo, quase mudo, mas é um "jota". Invade as vogais. Repele as consoantes. Uma letra promiscua que se enrola no "a", penetra o "o", afaga o "u" e se roça no "e". Só o "i" lhe escapa. É ao "g" que fica a missão de tratar com o implacável "i". Um "j" sabe o quer. Cresce na proporção da sua vontade. Esconde-se na subtileza da sua vaidade.
11.2.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - I
iiiiii..... uma letra aguda. Tão aguda que se instala no feed-back do ouvido interno e assobia no eco da nossa existência. O "i" mantém-se para além da nossa vontade. Depois do som acabar, depois de tudo se calar, o "i" permanece como som primordial. Chega a incomodar. Impõe-se sempre que aparece. Não é muda, nem surda. Uma letra irritantemente constante. Sintomaticamente presente. Até o "e" quer ser "i" só para se deixar ouvir. Si-mi-vim-semi-ti-mim-pi-vi-mi-sim.
10.12.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - H
O "H" não existe. Aspira-se. Engole-se. Desaparece na exalação da frase. No suspiro da palavra. "H" é letra que não se lê. Uma letra elegante e diletante. Uma oralidade exigente. Uma escrita sofisticada. Precisa do "n" ou do "c" para soar a qualquer coisa. Uma letra "blasé" que tanto podia ser como não e cuja existência é um problema de consciência fonética. Hão-de ver. Há-de de ser. Haverá de haver.
1.12.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - G
Uma letra gulosa e exibicionista. Gosta de aparecer. De estar por todo o lado. Apropria-se do "j" e lê-se "gente". Agarra-se ao "i" e fica "giro". Às vezes precisa do "u" para ser "guerra". Com "a" mia "gato". Com "o" mete "golo". Uma fonética flexível que lhe garante a sobrevivência no alfabeto. O "j" que se cuide ou ainda perde o "jeito".
26.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - F
Apesar da sua provável origem fenícia, o “f” demorou para se
afirmar. Ainda há bem pouco tempo era “ph”. Só por força de Acordos
Ortográficos o “f” viu a sua personalidade reconhecida. Talvez por isso, o “f” se
impôs como letra perigosa e matreira, sempre pronta a resvalar para a asneira. Qualquer deslize e o “f” vira “fuck” e de “fuck” em “fuck” acaba por ficar tudo
lixado. E, no entanto, as suas funções terapêuticas são reconhecidas por todos.
Quem não gosta de desabafar com “f”? E o bem que isso nos faz? Uma letra escatológica que acaba no Fim.
23.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - E
Uma letra ambígua: "é" ou "e"? "É" de ser. "E" de qualquer coisa. Ora se afirma peremptoriamente. Ora não passa de uma copulativa inconsciente. "É" por que sim. "E" porque tanto faz. Quando surge isolada é uma letra sem peso. Um "e" sozinho podia perfeitamente ser substituído por uma vírgula. O "e" tem a sua força nas coligações que faz. Vive ao centro do abecedário. Alia-se à esquerda ou à direita. Disputa os ditongos ao "a". Uma saudável rivalidade que gera alternância fonética. "Eu" não seria nada sem o "e", mas é o "u" que marca a personalidade. Uma letra fraca que faz fortes alianças.
MYRAPHONE
O meu vibrafone é o ideal para receber as pinturas da Myra. A desvantagem é que não consigo tocar. Mas também que importa... Hesito na moldura. Para já vão ficar aqui até decisão final. O vibrafone passou a Myraphone.
15.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - D
Divino. Deus. Dante. Dor. Dedo. Dado. Uma letra que despreza consoantes
e aconchega vogais. Adora reinar sozinha. Uma letra eloquente e imperial. Vale
por si própria. Detesta ajudas. Impõe-se no abecedário como um comando
definitivo. Uma letra forte e imperativa.
14.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - C
Uma letra irrequieta e indecisa. Uma letra complexada. Falhou
o círculo. Ficou aberta na indefinição. Pode ser tudo ou nada. Umas vezes é “q”
outras “k”. Com cedilha fica “s”. Às vezes gosta de se juntar em “cç”. Com
facilidade agarra o “ch”. Nunca sabemos quando é “ss”. Uma letra difícil.
Diverte-se com os nossos erros. Ri-se das nossas asneiras. Uma letra
irresponsável. Mutante sem escrúpulos. Uma letra traumatizada que não sabe
o quer.
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