Rectificação: dia 29 é 2ª feira (por lapso no convite diz-se 4ª feira).
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22.6.15
6.2.14
TAMBÉM TENHO UM MIRÓ
Eu também tenho um Miró. Uma série de borrões mais ou menos coloridos que valem uma pipa de massa. Estava a pensar vender esta coisa a que chamam pintura. A crise e as almoçaradas impõem um aumento de receitas para poder continuar a desbundar. Eis que me deparo com a Oposição Parlamentar, o Ministério Público e a esmagadora maioria da "opinião pública". Todos acham que devo manter o Miró mesmo que deixe de comer lampreia, lagosta e fios de ovos com ameixas de Elvas. Opõe-se à venda porque é património cultural. Providências cautelares. Acções principais. Até invocam a doutrina cristã da "hipoteca social". Pior, querem que eu exiba o meu Miró num qualquer museu criado para aumentar despesas. Nunca percebi o que dá valor à arte. Há arte protegida e arte desprotegida? Arte que se pode vender e outra não? Porquê? Quem define? O mercado? Então só depois de o mercado querer comprar é que se sabe o valor? E só depois de se saber o valor é que não se pode vender?
19.12.13
PRENDAS DE NATAL
Pintei-os expressamente para os meus leitores. Podem levar quantos quiserem. Ficam bem em qualquer sala.
7.4.13
ALMADA NEGREIROS - II
José Sobral de Almada Negreiros ( 7 de Abril de 1893 — 15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas e à escrita, ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses. Aguerrido e polémico, assumiu um papel central na dinâmica do futurismo em Portugal: "Se à introversão de Fernando Pessoa se deve o heroísmo da realização solitária da grande obra que hoje se reconhece, ao activismo de Almada deve-se a vibração espetacular do «futurismo» português e doutras oportunas intervenções públicas, em que era preciso dar a cara". Nasceu faz hoje 120 anos e já era futuro...
18.2.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - K
O "k" é impositivo, pretencioso e inútil. Muito quadrado, muito rectilíneo. O "k" é germanófilo, quase nazi. Os países latinos modificam-lhe o visual. Introduzem-lhe curvas sonoras. "Kaiser" é "César". "Que" não é "k". O Twitter deu-lhe nova vida no absurdo redux da abreviatura escrita. A verdade é que o "k" não entra na redacção de coisa alguma. É uma não-letra.
13.2.13
ABECEDÁRIO DE MYRA - J
"J" é o som que falta quando tudo se acaba. Parece surdo, quase mudo, mas é um "jota". Invade as vogais. Repele as consoantes. Uma letra promiscua que se enrola no "a", penetra o "o", afaga o "u" e se roça no "e". Só o "i" lhe escapa. É ao "g" que fica a missão de tratar com o implacável "i". Um "j" sabe o quer. Cresce na proporção da sua vontade. Esconde-se na subtileza da sua vaidade.
5.2.13
CALDAS DA RAINHA - MUSEU JOSÉ MALHOA
O Museu José Malhoa mostra o maior núcleo reunido de obras do seu patrono e uma importante colecção de pintura e de escultura dos séculos XIX e XX, revelando-se a quem o visita como o museu do naturalismo português. Completam as colecções uma Secção de Cerâmica das Caldas - articulada em torno da importância de que se revestiu a actuação de Rafael Bordalo Pinheiro para a faiança local e do conjunto único das 60 esculturas de terracota da “Paixão de Cristo” -, o núcleo de Escultura ao Ar Livre e uma Biblioteca de Arte com um acervo de mais de 5.000 espécies. Ver mais AQUI
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4.2.13
CALDAS DA RAINHA - JOSÉ MALHOA
Com apenas 12 anos entrou para a escola de Belas Artes. Realizou inúmeras exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro, designadamente em Madrid, Paris e Rio de Janeiro. Foi pioneiro do Naturalismo em Portugal, tendo integrado o Grupo do Leão. Destacou-se também por ser um dos pintores portugueses que mais se aproximou da corrente artística Impressionista. Foi o primeiro presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes e foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago. Em 1933, ano da sua morte, foi criado o Museu de José Malhoa nas Caldas da Rainha. É lá que está exposto este quadro, "Os Bêbados", e muitas outras obras desta corrente naturalista. Um museu imperdível.
10.12.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - H
O "H" não existe. Aspira-se. Engole-se. Desaparece na exalação da frase. No suspiro da palavra. "H" é letra que não se lê. Uma letra elegante e diletante. Uma oralidade exigente. Uma escrita sofisticada. Precisa do "n" ou do "c" para soar a qualquer coisa. Uma letra "blasé" que tanto podia ser como não e cuja existência é um problema de consciência fonética. Hão-de ver. Há-de de ser. Haverá de haver.
1.12.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - G
Uma letra gulosa e exibicionista. Gosta de aparecer. De estar por todo o lado. Apropria-se do "j" e lê-se "gente". Agarra-se ao "i" e fica "giro". Às vezes precisa do "u" para ser "guerra". Com "a" mia "gato". Com "o" mete "golo". Uma fonética flexível que lhe garante a sobrevivência no alfabeto. O "j" que se cuide ou ainda perde o "jeito".
26.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - F
Apesar da sua provável origem fenícia, o “f” demorou para se
afirmar. Ainda há bem pouco tempo era “ph”. Só por força de Acordos
Ortográficos o “f” viu a sua personalidade reconhecida. Talvez por isso, o “f” se
impôs como letra perigosa e matreira, sempre pronta a resvalar para a asneira. Qualquer deslize e o “f” vira “fuck” e de “fuck” em “fuck” acaba por ficar tudo
lixado. E, no entanto, as suas funções terapêuticas são reconhecidas por todos.
Quem não gosta de desabafar com “f”? E o bem que isso nos faz? Uma letra escatológica que acaba no Fim.
23.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - E
Uma letra ambígua: "é" ou "e"? "É" de ser. "E" de qualquer coisa. Ora se afirma peremptoriamente. Ora não passa de uma copulativa inconsciente. "É" por que sim. "E" porque tanto faz. Quando surge isolada é uma letra sem peso. Um "e" sozinho podia perfeitamente ser substituído por uma vírgula. O "e" tem a sua força nas coligações que faz. Vive ao centro do abecedário. Alia-se à esquerda ou à direita. Disputa os ditongos ao "a". Uma saudável rivalidade que gera alternância fonética. "Eu" não seria nada sem o "e", mas é o "u" que marca a personalidade. Uma letra fraca que faz fortes alianças.
MYRAPHONE
O meu vibrafone é o ideal para receber as pinturas da Myra. A desvantagem é que não consigo tocar. Mas também que importa... Hesito na moldura. Para já vão ficar aqui até decisão final. O vibrafone passou a Myraphone.
15.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - D
Divino. Deus. Dante. Dor. Dedo. Dado. Uma letra que despreza consoantes
e aconchega vogais. Adora reinar sozinha. Uma letra eloquente e imperial. Vale
por si própria. Detesta ajudas. Impõe-se no abecedário como um comando
definitivo. Uma letra forte e imperativa.
14.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - C
Uma letra irrequieta e indecisa. Uma letra complexada. Falhou
o círculo. Ficou aberta na indefinição. Pode ser tudo ou nada. Umas vezes é “q”
outras “k”. Com cedilha fica “s”. Às vezes gosta de se juntar em “cç”. Com
facilidade agarra o “ch”. Nunca sabemos quando é “ss”. Uma letra difícil.
Diverte-se com os nossos erros. Ri-se das nossas asneiras. Uma letra
irresponsável. Mutante sem escrúpulos. Uma letra traumatizada que não sabe
o quer.
13.11.12
ABECEDÁRIO DE MYRA - A
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