11.1.14

OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXI


 


Idalécia esteve quatro dias em coma. Tinha múltiplas fracturas. Braços, pernas e costelas. Mas, mais preocupante, era um profundo traumatismo craniano na têmpora esquerda. O inspector Ribeiro sabia, agora, que tinha razão. Inácia, a colega de Idalécia no supermercado, identificara o corpo de Melzek como o do namorado alemão de Idalécia. O empregado do café “O Náufrago”, embora não o pudesse garantir a 100%, foi bastante positivo na identificação do cadáver como do homem que vira no pontão do Cais da Solaria, logo a seguir ao atentado. E depois, pensou “o Gordo”, para que haviam de o liquidar? Aquilo não fora um assalto, mas uma execução profissional. Estranho era Melzek ainda estar em Lagos. Porque razão teria ele ficado depois do atentado? Estranho era Idalécia não ter sido também executada, mas apenas empurrada. Aquilo não fazia qualquer sentido. As averiguações identificaram o apartamento de Melzek no Edifício Baluarte. Nada foi encontrado de relevante. Claro que a identidade era falsa. Melzek não era Melzek e muito menos Joseph Strauss, nome com que arrendara o apartamento. O passaporte era, obviamente, falso. Tudo era falso. No entanto, a fotografia de Melzek foi reconhecida por várias bases de dados criminais. Era um homem procurado internacionalmente. Um assassino a soldo, com ligações a partidos ou grupos neo-nazis. Essas ligações começaram a ser exploradas, nomeadamente a “Irmandade Branca”, uma organização particularmente violenta e perigosa, com secções espalhadas por vários países ocidentais. “O Gordo” estava, agora, seguro que a investigação ia no bom caminho. Ansiava por interrogar Idalécia, esperando que ela não tivesse perdido a memória.
(Continua)

2 comments:

Eduardo P.L. said...

Boa imagem ilustrativa.

daga said...

pronto o "mau" está arrumado (melhor dizendo-um dos maus)mas a Idalécia sobreviveu - é justo : ninguém tem culpa de se apaixonar por um alemão neo-nazi :p