22.1.14

OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXIII

 Quinze minutos depois estavam no iate “Pérola do Oriente”, ancorado ao largo, a meio caminho entre Macau e Hong Kong. Tsé-Lao era um homem elegante. Gostava do modo de vida ocidental, mas preservava muito as hierarquias e tradições chinesas. Era um homem poderoso e cheio de si. Por ele passava todo o comércio ilegal de armas convencionais, explosivos e de armas bio-químicas provenientes das fábricas e laboratórios da República Popular da China. Cumprimentou Valdemar com um inclinar de cabeça e foi direito ao assunto, em tom desafiador: “Sempre negociámos com um homem chamado Octávio. Agora dizes que és tu o chefe. Que razão temos para acreditar em ti? E não nos achavas suficientemente dignos de falar directamente com o chefe?”. Valdemar limitou-se a dizer: “Fui eu que mandei executar Octávio. Se ele estivesse vivo, provavelmente a vossa organização estava em perigo. Ele estava em risco eminente de ser descoberto. Posso fazer de imediato a transferência bancária dos dois milhões de dólares para fechar o negócio, desde que me garantam a chegada da encomenda a Marselha nos próximos oito dias”. O dinheiro era sempre um bom argumento. Tsé-Lao mandou vir chá. O acordo ficou estabelecido. Valdemar fez a transferência através do iPad. O explosivo seguiria para Marselha no dia seguinte. Quando regressou ao Hotel Lisboa, Valdemar mandou uma mensagem para um número de Bruxelas. A mensagem era clara: “A festa pode continuar. Os foguetes vão a caminho”. 
Fotografia de Roberto Barbosa.
(Continua)

3 comments:

Eduardo P.L. said...

Que luxo essas ilustrações do Roberto Barbosa nesse conto.

Jorge Pinheiro said...

Sem dúvida.

myra said...

maravilha de fotos que voce tem de teu amigo e enorme fotofrafo!!!
continua...