13.8.14

CASA DOS BICOS

Nunca li nada de Saramago. O primeiro livro que tentei, não passei da segunda página. A escrita era difícil. Quase o oposto da forma como escrevo. Parágrafos longos. Quase sem pontuação. Uma atitude arrogante no estilo e no modo. E o tema era denso demais para o que apetecia. Fiquei de tentar outros livros, pois disseram-me que aquele era o mais difícil. Também não contribuiu o facto de ele ser um comunista inveterado e isso sobressair (segundo me disseram) em grande parte da escrita. Mais, o homem é super antipático. A verdade, porém, é que o homem se fez (ou talvez tenha sido a mulher que o fez) e o Nobel chegou com naturalidade. Agora tenho mesmo de ler qualquer coisita dele. É quase uma diletância não ter lido nada. O pior é que me esqueço sistematicamente, tal é a vontade. Coisa diferente é ter-se cedido a famosa e medieval Casa dos Bicos à Fundação Saramago. Numa primeira impressão revolta-me a ocupação. Não gosto da bonecada medievaleira a espreitar das janelas... Mas, num segundo momento, recordo a degradação em que o monumento estava, sem projecto, nem dinheiro e talvez tenha sido pelo melhor, antes que tornasse numa discoteca para DJ betinhos com a Paris Hilton incluída.

23 comments:

Anonymous said...

Pois, Saramago é para quem sabe ler e entender.
A genialidade costuma incomodar muita gente. A inveja é um sentimento feio.

João Menéres said...
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João Menéres said...


Como vê, Jorge, disse uma barbaridade !
Logo surgiu um KAMARADA ( anónimo, é evidente ! )em defesa da sua dama...
Pois eu penso tal qual o Jorge !
Intragável em todo o sentido ( literário e pessoal ).
Conheci a Casa dos Bicos quando abrigou a Comissão das Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, presidida pelo meu Amigo e saudoso Vasco Graça Moura.
Outros tempos, outra gente !

Grande abraço e obrigado por ter colocado todos os pontos em todos os Is ! .

Fatyly said...

Tirando uns pensamentos/reflexões/artigos, nunca consegui ler qualquer obra de Saramago. Tentei várias e desisti sempre.

Nunca o conheci pessoalmente e ainda bem que a sua mulher reabilitou essa casa espectacular com a Fundação "privada" da qual é presidente. Nunca visitei e nem tenciono visitar.

Fernanda said...

Pois é,Anónimos são assim, cobardes!!! Enfim, eu também detesto Saramago, nunca li nem tenciono ler !!! Claro que terá qualidades, mas para mim, tem ainda mais defeitos....
Intragável como o João diz!!

daga said...

realmente não posso com a criatura, porque as barbaridades que o ouvi dizer na tv quando foi o 25 de Abril não as esquecerei jamais! um homem culto teria a obrigação de não mentir ao povo! e o que ouvi foram mentiras, hipocrisias, enfim não interessa...mas fui obrigada a ler para ajudar os alunos :p e aconselho-te a "História do Cerco de Lisboa".

Jorge Pinheiro said...

Pode ser que tenha preconceito político. Mas, a verdade é que não consegui ler nada do homem. Tenho uma prática, que espero façam também comigo: se não consigo ler as primeiras páginas de um fôlego, é porque não vou gostar.

Jorge Pinheiro said...

Anónimo: mas será que temos também de ser génios para saber ler?

Li Ferreira Nhan said...

como escrevi no FB quero muito ver essa casa; uma fachada com esse conjunto de portas merece ser vista de perto!

O Saramago... Li o Evangelho segundo JC e foi de uma sentada só; adorei!
Não sei nada da vida dele e quanto a sua "simpatia" pude uma vez atestar (creio que foi a última que ele esteve aqui em Sampa):
com uma fala calma descreveu seu percurso do aeroporto de Cumbica até o Morumbi; toda a miséria humana, a feiura, a proliferação dos templos evangélicos, todo o lixo da cidade foram minuciosamente observados por seus olhos. Ele descreveu minha cidade com uma sinceridade ímpar! Gostei de ouvir tamanha honestidade.

Anonymous said...

Sr. Pinheiro,

Qual seu escritor preferido?

O odiado já sabemos quem é.

Jorge Pinheiro said...

São muitos.

João Menéres said...

JORGE bem sabe que ANÓNIMOS não merecem resposta !

Paulo said...

Ainda só li 3 livros do Saramago mas gostei imenso.
Muitos autores/artistas, filósofos, etc., consagrados foram, ou são, pessoas antipáticas ou mesmo execráveis. O preconceito é sempre mesquinho e por isso é muito mais interessante apreciar as obras na ausência deste.E sim, como em muitas coisas na vida, vale a pena fazer o esforço das primeiras páginas.
Experimenta a ler as "pequenas memórias" que é um livro pequeno sobre o "pequeno Saramago".

daga said...

já agora não resisto, vou transcrever uma das minhas preferidas do Memorial: "...o número é de todas as coisas que há no mundo a menos exacta, diz-se quinhentos tijolos, diz-se quinhentos homens, e a diferença que há entre tijolo e homem é a diferença que se julga não haver entre quinhentos e quinhentos..."

Jorge Pinheiro said...

OK. Vou à Casa dos Bicos (nome mais que duvidoso) e já venho.

João Menéres said...

GRAÇA

Uma delícia essa que nos trazes !
Muito intelectual.

Um beijo.

Jorge Pinheiro said...

Graça: é bem visto.

daga said...

Ainda bem que gostaram, João e Jorge, porque apesar de "arrogante" e hipócrita, tem frases destas...é a tal inspiração ou dom, não sei, mas tenho de admitir que algumas frases e partes de obras dele são boas... o que não justifica o Nobel, claro...

Claire-Françoise Fressynet said...

até ao fim li ensaio sobre a cegueira mas fiquei muito irritada de ter que ler tantas vezes a palavra cego. bjs

Jorge Pinheiro said...

Cegos somos nós que pagamos a Fundação com a viúva incluída.

Eduardo P.L. said...

Tenho por ele a mesma simpatia que o João e o Jorge confessaram.Nenhuma. Nem pela pessoa nem pela chatíssima literatura. Ler deve consistir num prazer. Seja ele qual for. Ler o Saramago é masoquismo. Quanto à casa dos Bicos estivemos enfrente e não tivemos tempo ou interesse em conhecer por dentro.

Jorge Pinheiro said...

Nem eu lá fui dentro. Safa!

Elvira Carvalho said...

Nunca tinha lido Saramago até Janeiro deste ano. Nunca calhou comprar Saramago. Este ano, a professora de literatura (nunca tive hipótese de estudar, estou a tentar aprender alguma coisa agora na Universidade da terceira idade)obrigou-me a ler o memorial do convento. Não gostei, e não fiquei com vontade de ler mais nenhum. Quanto à Casa dos Bicos, a sensação que tive quando passei por lá o mês passado foi que estava bem melhor. Pelo menos por fora.
Um abraço