4.11.14

CRÓNICAS DO CHICHI E DO COCO - II

A abordagem da sanita pública é quase uma questão metafísica. Varia de sexo para sexo, de aflição para aflição, de sanitário para sanitário. Para quem tem mijo fácil, qualquer coisa serve. Mas já o coco implica manobras complexas. Para quem toma laxantes, a coisa atinge paroxismos diabólicos. São as calças que caem. A tampa que não se segura. A hesitação na evacuação de cima ou sentado no tampo pré-mijado. O papel que falta. A higiene que se ressente. Gente aflita que tenta entrar à força. Normalmente a cólica ataca sem pré-aviso, em vagas de suor frio, que impede o raciocínio e obstrói a visão. Cagar em pé é a solução. Acertar no vaso o problema. Às vezes penso em ter uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) só para mim. Poder evacuar deitado, sentado ou de pé, sem preconceitos ou expedientes dilatórios. Uma felicidade orgástica de escatologia primitiva.

3 comments:

daga said...

só tu para fazeres uma crónica destas com palavras eruditas ;)
mas já estava à espera dela ...

João Menéres said...

Até parece o Fernão Lopes...
Tanta mijadela e cocazada para mostrar uma sanita algures !...

Sempre inspirado e bem disposto !

Um abraço( Está cá um FRIUUUUUUU !!!!!! )

Eduardo P.L. said...

Jorge, só rindo. Do texto e dos comentários.