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20.2.12

NAQUELE TEMPO - CARNAVAL 1958

Naquele tempo o Carnaval fazia-se de serpentinas e confetis. As festas eram na Cooperativa Militar, ali à rua de S.José, em Lisboa. Fatos de cow-boys, índios e "pierrots", fadas e columbinas. Ainda não havia samba e o corso era no Estoril. Outros Carnavais.  

15.2.10

CARNAVAL


Deixem-me contar-vos o que é o Carnaval.
Um período do ano quase a roçar a idiotia completa, em que os pobrezinhos se enfeitam para parecer ricos e os ricos aplaudem a ousadia em orgias de champanhe na fantasia da impotência. Um periodo em que os cow-boys já não disparam e as serpentinas atacam vestes despidas na carne que apodrece. Nascemos para o Carnaval. Energúmenos de nós que somos. Somos o Carnaval ambulante que sobrevive ao dia a dia na fantasia de ser. Somos uma sensação que se mascara no interior do disfarçe. Desfilamos para vender um produto que já não temos, uma sede que já bebemos, uma vida que já vivemos. Deixem-me contar-vos sobre o Carnaval. Não há. Nunca houve. Nunca haverá. Porque para haver Carnaval era preciso existir.