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18.11.13

MARIALAVISMO - IV

«Eu cá pra mim/ não há, ai não/ maior prazer/ do que o selim/ e a mulher»
(Fado do Marialva).
 

17.11.13

MARIALVISMO - III


A seguir ao interregno Pombalino, o marialva, por assim dizer, regressa. É a divinização das hierarquias e o Sebastianismo irracionalista que emergem e, sobretudo
o estabelecimento da pax ruris portuguesa. Este ideário, depois dos interregnos liberal e republicano, seria retomado e exacerbado pelo Estado Novo. António Sardinha, ideólogo do Estado Novo, dizia: «Nós não duvidamos das forças reconstrutoras que dormem o sono do Senhor, à espera do Terceiro Dia, no subconsciente de Portugal» utilizando uma apologética do mito, confirmadora dos limitados recursos do ideário patriarcal e o uso do verbalismo mítico (Cardoso Pires, 1970: 147). O “ideal português” é definido, já em 1963 do seguinte modo: «o ideal português, na sua expressão
«filosófica, movimenta-se... em redor das 10 palavras chave: mar, nau, descobrimento,viagem, demanda, oriente, amor, Império, saudade e encoberto» (O que é o Ideal Português, 1963). A noção de Portuguesidade assenta numa psicologia de massas, do primado do instinto, reafirmando-se na superioridade da chamada sabedoria popular sobre o conhecimento científico, revalorizando-se a ingenuidade, a rudeza ou o culto do tosco (Cardoso Pires, 1970:157).
 

16.11.13

MARIALVISMO - II


Uma confusão a evitar é a que se estabelece por vezes entre marialva, libertino e Don Juan, compactando os três na noção de “garanhão”. Para José Cardoso Pires é impossível haver subprodutos marialvas com disfarces libertinos. O Don Juan vive num processo de angústia, como no Don Johannes de Kirkegaard, e não nas satisfações fáceis do marialva, sendo que no primeiro a sexualidade é mesmo secundária, contando sim a independência de uma personagem como Madame Merteuil que dizia «je suis mon ouvrage». Ser a sua própria obra implica uma ideia de individualismo e liberdade, a que o marialvismo seria avesso. O machismo ou exibição viril, atributo do marialva, obediência à “voz do sangue”, é incompatível com a aceitação da igualdade em é incompatível com a aceitação da igualdade em soberania dos amantes (Cardoso Pires, 1970:79).

MARIALVISMO - I


«Nada na mão/ algo na v'rilha! remancho as noites/ e troto os dias/ entre tabaco/ viris bebidas/ fraco mas forte/de muitas vidas/ Que eu já dormi/ co'as duas mães/ e as duas filhas/ que vão à missa /com três mantilhas/ ... bebo contigo/ cerveja, whisky/ p'ra que se veja / mais rubra a crista»
Alexandre O'Neil (1970)

11.11.13

FEIRA DA GOLEGÃ

A Golegã voltou a acolher criadores de cavalos, provas desportivas e actividades destinadas a profissionais, amadores ou simples curiosos do mundo equestre. A 37.ª edição da Feira Nacional do Cavalo e a 14.ª Feira Internacional do Cavalo Lusitano decorreram entre 2 e 11 de Novembro. Fomos lá ontem. Uma loucura de gente e de cavalos. Um ambiente marialva que só o Ribatejo acolhe. Falaremos do "marialvismo" em próximos posts. Faremos, também, uma breve incursão sobre o cavalo lusitano, provavelmente um dos cavalos mais disputados entre os amantes do mundo equestre.

FEIRA DO CAVALO - GOLEGÃ