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5.3.12

BRENNAND - TUDO FLUI





A IMPORTÂNCIA DE SER BRENNAND

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de Junho de 1927, na cidade do Recife. Em Novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo pai em 1917. Esse projecto deu origem a um colossal conjunto de esculturas cerâmicas que povoam os espaços internos e externos do ambiente, obedecendo ao sentido cosmogônico do escultor e dando origem a um universo abissal, dionisíaco, subterrâneo, sexual e religioso. A Oficina Brennand situa-se na zona da Várzea, cercada pela remanescente Mata Atlântica. Imperdível!
Fotos de uma visita ao Recife, em 2007 (repetição a pedido de várias famílias).

6.11.08

JET LEG

Quando Phileas Fogg julga ter perdido a aposta de dar a volta ao mundo em 80 dias, é informado por Passepartout de que o dia em questão é Sábado e não Domingo. Ao dirigir-se para leste "foi à frente do Sol e, portanto, os dias diminuíram 4 minutos por grau", o que perfaz 24 horas em 360 graus. Assim, enquanto ele viu o Sol cruzar o meridiano 80 vezes, os seus companheiros do Reform Club, em Londres, apenas viram o fenómeno 79 vezes. Inversamente, se tivesse viajado para oeste, teria perdido 1 dia.
Em Outubro de 1884, em Washington, a Conferência Internacional do Meridiano adoptou uma proposta dos USA para padronização e harmonização do tempo segundo a qual o meridiano principal deveria situar-se na "passagem pelo centro do instrumento de trânsito no Observatório de Greenwich". Este passou a ser o meridiano 0º. O globo passou a estar dividido em fusos horários que se situam entre os pólos. Os seus limites são algo irregulares, podendo ser afectados por factores políticos. Por exemplo: a Islândia adoptou a hora de Greenwich; a Espanha e a França estão uma hora adiantados; a China e a Índia impõem uma hora única em todo o território. A Rússia, pelo contrário, tem onze fusos horários!
Um viajante que se dirija para leste cruzando o meridiano de 180º a leste de Grennwich, tem de devolver o dia que ganhou, ao passo que se fôr para oeste tem de recuperar o dia que perdeu. Quando viajamos de avião temos de fazer esta operação. Só que a velocidade do voo faz-nos andar à frente ou atrás dos fusos. Quando chegamos sofremos o jet lag (ou à brasileira o jet leg), um desequilíbrio entre o nosso ritmo biológico e os indicadores externos ambientais que servem de referência, neste caso as horas locais. Parece que o segredo para o evitar, sem precisar de adaptação progressiva, é entrar de imediato no ritmo do lugar de chegada e esquecer que estamos desfasados.
NOTA: com esta explicação mais ou menos parva, acaba a "expedição" ao Recife.
jp

SEM ESCALA



FONTE SEU ZECA

Poderá esta saudável água do nordeste competir com a famosa água Penacova?

2.11.08

JET LEG - OFICINA BRENNAND

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de Junho de 1927, na cidade do Recife.
Em Novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo pai em 1917. Esse projecto deu origem a um colossal conjunto de esculturas cerâmicas que povoam os espaços internos e externos do ambiente, obedecendo ao sentido cosmogônico do escultor e dando origem a um universo abissal, dionisíaco, subterrâneo, sexual e religioso. A Oficina Brennand situa-se na zona da Várzea, cercada pela remanescente Mata Atlântica. Imperdível!

A IMPORTÂNCIA DE SER BRENNAND






1.11.08

JET LEG - DOMINGÃO

Seu Moacir acordou estremunhado às 2 da manhã. Lá nos fundos da casa a esposa, D. Dejacira e a avó Vaneide, arrumavam tachos com arroz, farofa e feijão. Seu Gilson, vizinho do lado, entrou e supetão com 2 garrafas de cachaça em cada mão. “Como é, irmão. Vamo lá?”. Os quatro filhos e três sobrinhos entraram aos gritos chutando uma bola furada e descolorida autografada pelo craque William, do Náutico do Recife. A vanete buzina lá fora apinhada de negros na batucada da cerveja matinal. A família de seu Moacir se aperta na catinga madrugadora do banco traseiro. Caixas de esferovite atulhadas de cerveja Antártida, mesas, cadeiras, toalhas, redes, tachos com muita farofa, feijão e carne de sol.
Há um ano que o povoado anda guardando dinheiro para uma excursão à praia. Alugaram vanetes de duvidosa proveniência e estado decrépito e vão nas “peruas” até Porto de Galinhas. Vai o povoado todo e todos os povoados em redor. Deixam deserto o sertão. Todo o mundo vai ver o mar, comer e beber e, novamente, beber e comer até rebentar. Um dia só. Só um dia por ano. É o Domingão!
Descendentes de escravos continuam agarrados ao açúcar, comandados por senhores que agora se chamam empresários e têm usinas que dantes eram engenhos. Ganham 6 contos por dia (1 conto = 1 real). Sofrem o calor abafado da plantação. As agruras do sertão. A comida pobre que lhes faz inchar a barriga. Sofrem o poder do capataz, pior que o mando do patrão. Os “farofeiros” vêm cozinhar para a praia. É a sua libertação anual. Vêm comer e beber ainda mais!
Ao longe ouve-se já a batucada prenunciando a invasão. Chegam cedo ao Porto. São 5 da manhã. Pai filho, avós, netos, tios, sobrinhos… vem tudo junto ocupar a praia. Tudo berrando, numa algazarra libertária que assusta turistas desprevenidos. A cachaça entornou durante a viagem. Muitas gargantas já não sabem o que dizem. A alegria é muita na chegada. A vanete parqueia atrás da pousada “ Aconchego”, bem no centro do Porto. O mar é já ali a cem metros. O marulhar das ondas ouve-se distintamente. Seu Moacir sai zonzo, amparado pelo vizinho Gilson e pelo compadre Zeca. Seu Moacir não está acostumado a pinga tão cedo. Pisa o areão sujo do parqueamento e cai de borco em sono comatoso.
Às 3 da tarde o Sol começa a querer fugir por trás dos coqueiros. As famílias reúnem os tachos. Homens cambaleando sorvem os restos de cachaça. Os namorados dão o último beijo. Seu Moacir acorda novamente estremunhado lá no parqueamento. A cara pegada de areia adormecida. Olhos injectados de cachaça acumulada. Tropeça para dentro da “perua” sacudindo a carapinha suja de pó. “Então Moacir, gostou da praia?”, pergunta Gilson de gozação. Moacir arrota grosso e responde soluçando: “Não sabia que a água era tão molhada!” O pessoal ri e lá vão sertão adentro, no melaço da paisagem.
jp

JET LEG - EVANGELIZAÇÃO



30.10.08

JET LEG - A FAINA


JET LEG - CENAS DE PRAIA




JET LEG - O NELSON DOS COCOS



JET LEG - A PRAIA

Você vai na praia desprevenido. De repente já comprou uns óculos de sol que lhe ficam a matar. A ostra até que está barata. Mas às 9 da manhã prefiro lagosta. Dez reais com limão. O Nelson dos Cocos está parado em êxtase tropical no meio da praia olhando o infinito. O queijinho assado passa na brasa. O homem do bloqueador vai apregoando “Até bronzeia o pensamento”. Cocada de leite condensado? Milho verdinho? Doce de carambola?... Porque não?! O Nelson dos Cocos acorda subitamente agitado e atira-se em movimento acelerado numa perigosa tangente aos chapéus-de-sol. Bonés, camisetas… Já agora levo um par de colares e uns brincos. Fazem sempre falta. Meio-dia. Sai um ensopado de siri e uns pastelinhos de camarão. Passam atoalhados e redes, saídas de praia e sacos de sisal. Madrepérolas e sementes de açaí em cores ofuscantes. Avança um carrinho de mão com autofalante incorporado desbravando a praia em alturas de forró. Discos escaldantes no calor do equador. No arrasto vêm três guitarristas vestidos e cowboy-gaúcho em melodia de frevo. Mariachis da areia em braços empenados no rap pernambucano. Mais óculos… Agora não! Talvez um picolé ou caju assado. Hesito! Passa o queijinho outra vez na brasa. O Nelson dos Cocos começa a abrandar procurando o infinito que teima em lhe escapar. Vai uma irresistível porção de camarão à milanesa. Remata-se com um caldo de cana-de-açúcar. Calorias em estado puro. Diabetes garantidos. “Bolinhos de macaxeira com frango ou bacalhau. Sou o Luciano!”. “Pois é, Luciano… agora não vai mesmo mais nada”. “Então volto amanhã”. O Luciano abafa na palhinha e, presume-se, amanhã também. O Nelson dos Cocos paralisa definitivamente, acometido por uma súbita letargia que sobre ele se abate com intensidade transcendental. Num carrinho encarnado, muito fininho, vem o doce japonês, conhecido por “quebra-queixo”. Resisti! Volta na brasa o queijinho…
Lá ao fundo o mar espreita convidativo. Quero tomar banho. Temos de nos despachar. São 4 da tarde e ainda não almoçámos...!
jp

JET LEG - WAITING

JET LEG - ARRECIFES



JET LEG - STº ALEIXO




Esta ilha está à venda por 28 milhões de USD... sem o bacalhau. É aproveitar que o dólar está a desvalorizar. Presumo que não tenha água, nem luz, mas também para que é que isso interessa!