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3.9.14

CARALHO-DE-ASAS OU PASSARALHO

No Brasil, o caralho, na qualidade de órgão genital masculino, foi transformado no mito do caralho-de-asas. O "caralho-de-asas" define-se como a entidade responsável por uma gravidez de paternidade não-identifi...cada, ou a advertência às moças para que não tomem banho de rio ou para que não durmam "desprevenidas" (sem roupas íntimas).
O mito do caralho-de-asas parece ser reminiscência da lenda grega de Leda e o cisne, segundo a qual Júpiter, metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, concebendo os gémeos Castor e Pólux. O mito entrou para a iconografia urbana, estando presente também como personagem de banda desenhada em revistas de palavras cruzadas e enigmas destinadas ao público masculino, tomando o nome de "passaralho".

28.7.13

ESTÁ TUDO MALUCO?

A rua mais bonita do mundo fica em Porto Alegre, Brasil.

Na cidade brasileira de Porto Alegre, a Rua Gonçalo de Carvalho consiste numa avenida arborizada com 500 metros de comprimento que poderia muito bem entrar para o ranking de rua mais bonita do mundo. As árvores tipuanas ocupam ambos os lados da estrada, criando um arco verde que se assemelha a uma floresta no meio da cidade.
As árvores ao longo da rua foram plantadas na década de 1930 e têm tomado a forma de uma cobertura que proporciona sombra aos transeuntes ao longo dos últimos 70 anos, informa o Inhabitat. Visto de cima, parece que uma floresta penetrou por entre todos os espaços vazios entre os prédios urbanos.
As tipuanas são nativas da América do Sul e podem atingir mais de 30,5 metros de altura. As suas extensas raízes são conhecidas por danificarem ruas, passeios e casas próximas, mas a construção de valas especiais pode evitar tudo isso.
 
Há notícias surpreendentes. Árvores que dão cabo da cidade com as raízes e têm flores amarelas que sujam as ruas... As cidades são para ser florestas ou para serem cidades? E é a mais bonita porquê? Só por ter árvores? Estou confuso...

28.8.12

REAL COMBO LISBONENSE NO RIO DE JANEIRO

O Real Combo Lisbonense vai estar no Rio de Janeiro no Baile da Independência, no espaço Circo Voador. Para quem não se lembra, este é mais um grupo em que estão presentes os meus dois filhos. O João, na bateria, e o Manel no "back stage" fazendo o som. Deixo o video da actuação nas comemorações dos 25 anos de Serralves (Porto)

13.8.12

2016 - RIO DE JANEIRO

Com uma medalha de prata ganha em canoagem, Portugal ficou no número 69 do ranking destes Jogos Olímpicos. Se pensarmos que houve 120 países que não ganharam nada, não é mau. A Europa ganhou destacada o número de medalhas conquistadas, somando mais do que a USA e a China juntos. Londres fez um espectáculo extraordinário. Agora a bola fica com o Brasil. Em 2016 voltamos a ouvir falar em natação sincronizada, saltos ornamentais, hoquei na grama, halterofilismo, taekwondo, pentatlo moderno e tantos outras modalidades de que nada sabemos durante quatro anos. Até lá ficamos com o velho futebol.

16.6.12

ANTA GRANDE DO MEZIO

A Anta Grande insere-se na necrópole de Mezio, no Parque Nacional da Peneda Gerês. Anta ou dólmen vem do baixo bretão: tol=mesa e men=pedra. É um monumento funerário colectivo da época pré-histórica recente (3 a 4 mil anos antes de Cristo), constituído por uma câmara poligonal de sete esteios erectos adoçados entre si, sobre os quais assenta uma tampa ou mesa. O conjunto, posteriormente à sua utilização funerária, era coberto por um tumulum protector, formado por terra e pequenas pedras, constituindo a mamoa. Esta anta do Mezio nunca foi escavada cientificamente. É na Andaluzia e no Sul de Portugal que, no entender dos arqueólogos, se situa o centro de onde irradiou a chamada cultura dolménica ou megalítica. Curiosamente, no Brasil, mais precisamente na Bahia, há um dólmen na cidade de Paramirim, a 15km de Santana, conhecido como Pedra de Santana, e outro em Goias, na cidade de Anicuns, que fica a 74 km de distância da capital Goiânia.

ANTA É VOCÊ


Animal, espécie de paquiderme, da família dos tapirideos, originário da América e um dos maiores da fauna brasileira (Tapirus americanus), também conhecido como tapir. A anta é um animal bastante raro de se ver na natureza. Talvez devido ao seu baixo QI, tem gente no Brasil que pode ser equiparado a anta. Em Portugal as antas são dolmens. O resto são apenas burros. E tem muitos...

7.5.12

UM GOLINHO PRO SANTO

Assim como os orixás africanos, cada deus grego era agraciado com oferendas específicas. Sacrifícios a Hermes incluíam incenso, mel, bolos, porcos e especialmente carneiros. Zeus, por sua vez, preferia bodes, touros e cabras. Os exércitos espartanos sempre viajavam com uma cabra para ser sacrificada ao mais poderoso dos olimpianos antes das batalhas, na crença de que isto lhes garantiria a vitória. Outra forma de granjear a simpatia dos deuses era através das libações: derramava-se ao solo um pouco de vinho antes de bebê-lo. Parece aquilo que os brasileiros chamam de “dar um golinho pro santo”. Em ambos os casos, trata-se de uma relação directa com a divindade, justificada pela crença de que as condições de uma existência feliz dependem do beneplácito dos deuses. 

6.5.12

CACHAÇA NÃO É ÁGUA - III


O processo de destilação artesanal de cachaça começou em 1532, quando o colonizador português Martim Afonso de Sousa levou os primeiros cortes de cana-de-açúcar da ilha da Madeira para o Brasil (na Madeira, a bebida chama-se poncha). Esta primitiva cachaça ou garapa azeda é dada aos escravos. É, apesar de tudo, uma "bebida limpa", em comparação com o cauim produzido pelos índios que cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar a fermentação do milho.
A geração inicial de colonizadores portugueses mantinha-se fiel a uma boa bagaceira. A partir de finais do séc. XVI, porém, multiplicam-se os engenhos de açúcar e a produção de cachaça, em especial na zona de Minas Gerais, onde acabara de ser descoberto ouro.
Incomodada com a quebra de impostos sobre os produtos vínicos nacionais e alegando que a cachaça prejudicava a retirada de ouro de Minas Gerais (o bagaço não, está claro!), a corte portuguesa proibe a partir de 1653 a produção e comercialização de cachaça. Sem resultados, a corte resolve taxar o produto. Em 1756 os impostos sobre a cachaça foram um importante contributo para a reconstrução de Lisboa depois do terramoto.
A cachaça viria a ser, já no princípio do século XIX, um dos símbolos da liberdade brasileira. A chamada aguardente da terra é símbolo de resistência da "Inconfidência Mineira" que viria a ser o princípio da independência da colónia. Quando beberem uma caipirinha lembrem-se dos heróis da resistência, pela boca dos quais passou a ardência destilada do fervor nacional.

5.5.12

CACHAÇA NÃO É ÁGUA - II


A inalação de vapores de álcool através de aquecimento do produto da fermentação era conhecido desde os egípcios e, depois, no tempo dos gregos e dos romanos. Os alquimistas atribuíam-lhe propriedades mistico-medicinais. É a água de vida (eau de vie), o elixir da longa vida. Pensavam ter capturado o "espírito" do álcool. Ainda hoje se chama aos destilados bebidas "espirituosas".
A água que pega fogo (acqua ardens) chega, através dos romanos, ao Médio Oriente e são os árabes que descobrem os equipamentos de destilação semelhantes ao usados ainda hoje, os alambiques. Dão o nome de al raga à aguardente, sendo a mais célebre a arak, da península arábica.
A tecnologia árabe espalha-se. Na Itália surge a grappa (da destilação da uva); na Gemânia o Kirsch (da cereja); a seevivice, na zona da actual República Checa (da ameixa); na Escócia surge o whisky (da cevada sacarificada); em Portugal destila-se o bagaço da uva, isto é o engaço remanescente do mosto, dando origem à bagaceira.

4.5.12

CACHAÇA NÃO É ÁGUA - I


Cachaça ou pinga (tb. cânha, no Rio Grande do Sul) é o nome da aguardente de cana, hoje mundialmente famosa pela proliferação da caipirinha em países tão longínquos como a própria Rússia. O nome terá origem ibérica, podendo vir do termo "cachaza", um vinho inferior bebido na Península ou do termo "cachaço" (porco) ou "cachaça" (porca). A carne de porco selvagem no norte e nordeste era muito rija. Por isso era amaciada com álcool vínico a que se chamava "cachaça". Este nome, conhecido nas quintas fidalgas do Minho, foi mencionado pela primeira vez por Sá de Miranda (1481-1532) em correspondência a António Pereira, senhor de Basto. A "cachaça", tal como a conhecemos, obtém-se da destilação do fermentado da cana-de-açúcar ou do melaço. O álcool fermentado, como, por exemplo, no vinho, é um álcool natural. O álcool destilado é um produto sintético. A bem dizer, os destilados são a primeira droga sintetizada do mundo, precedendo em muitos séculos a heroína, a cocaína ou o LSD.

1.4.12

ANO DE PORTUGAL NO BRASIL - SURPRESA?

O comissário português para o ano de Portugal no Brasil, Miguel Horta e Costa, afirmou hoje que a intenção é "surpreender" os brasileiros, com a imagem de um Portugal "jovem" e "moderno".

"A imagem de Portugal hoje no Brasil está longe de ser o que ambicionamos. Pretendemos mostrar um Portugal novo, jovem e moderno, um Portugal que surpreenda o Brasil", afirmou Horta e Costa durante a cerimónia de tomada de posse da nova direção da Câmara de Comércio Portuguesa, no Rio de Janeiro.
O comissário adiantou que está a negociar a realização de concertos de música "jovem" portuguesa, com estilos que irão além do fado.
"Vamos trazer outros estilos e também mostrar o fado como ele é hoje, com os novos intérpretes que têm uma maneira diferente de cantar o fado", acrescentou.
No âmbito cultural, a intenção é apresentar ao público brasileiro áreas da cultura portuguesa pouco conhecidas como a escultura, o design e a arquitetura.O comissário português para o ano de Portugal no Brasil, Miguel Horta e Costa, afirmou hoje que a intenção é "surpreender" os brasileiros, com a imagem de um Portugal "jovem" e "moderno".

30.3.12

RIO DE JANEIRO - FUNDAÇÃO


A baía de Guanabara foi ocupada por colonos franceses, sob o comando de Nicolas de Villegagnon. Ali tentaram instalar a “França Antártica” (1555-1567). A instalação inicial deu-se na ilha de Serigipe, onde foi construído o Forte Coligny, estendendo-se depois para terra, ocupando a zona entre a actual praia do Flamengo (onde desagua o Rio Carioca) e o outeiro da Glória. Aí, os franceses iniciaram a construção de uma cidade, Henriville, em homenagem ao rei Henrique III e que poderia vir a servir de refúgio aos protestantes huguenotes perseguidos em França. Cidade rudimentar que logo foi destruída pelos portugueses, dela não há vestígios hoje em dia.

A 22 de Janeiro de 1565, Estácio de Sá, embarca da praia de São Vicente, alguns quilómetros mais a norte, com uns mamelucos e uns quantos tupiniquis e ataca os franceses que acabam expulsos. Seria o fim do devaneio francês e o princípio da “cidade maravilhosa”. A 1 de Março desse ano, Estácio funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (em homenagem ao futuro rei D. Sebastião) em terreno plano, ali entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde constrói uma paliçada (actualmente Fortaleza de S. João). Estácio morre dois anos depois na batalha de Uruçu-mirim (praia do Flamengo) ferido por seta indígena dos Tamoios que lhe vazou um olho e terá originado uma septicemia. Desses tempos heroicos nada resta.

29.3.12

ESCOLA DE SAMBA - DEIXA FALAR

DEIXA FALAR

O samba moderno nasceu no Bairro do Estácio. A primeira Escola de Samba do Brasil foi criada em 1928 por Ismael Silva, Bide, Marçal, Mano Edgar e outros. A chamada “Turma do Estácio” costumava reunir-se na subida do morro de São Carlos, no Estácio. Essa Escola passou a chamar-se “Deixa Falar”. Pretendia-se romper coma tradição de violência entre os blocos dos vários bairros e criar um novo tipo de Carnaval. Como a rivalidade era grande e todos se achavam superiores, o pessoal do Estácio dizia “Deixa falar”. O nome ficou. A Escola não chegou a participar no primeiro desfile oficial, em 1932. Nessa data tinha-se transformado em rancho. O samba era uma mistura de maxixe, modinha, polca e jongo. As primeiras escolas de samba apropriaram-se da estrutura dos cortejos e das procissões e apressaram a linha melódica associada a uma intensa cadência rítmica para imprimir mais andamento a esse cortejo. As fantasias só foram obrigatórias a partir de 1949. Entretanto no morro nascia a escola “Unidos de São Carlos”, actualmente “Estácio de Sá” e cujo momento alto foi a conquista do título de 1992, com o enredo “Pauliceia Desvairada”.

5.3.12

MYRA E BRENNAND



Em 12/12/2010, publiquei o episódio XXXI da biografia da pintora Myra Landau, amiga e comentadora habitual deste blogue. Aqui se revela como ela conheceu Francisco Brennand.

Em 1978, Myra expõe na Galeria de Arte Global, em São Paulo. Uma exposição individual que a lança mediaticamente no Brasil. Concede entrevistas para a Televisão. Nas ruas pedem-lhe autógrafos. Um motorista de táxi reconhece-a. Não quer cobrar o serviço. Myra sente-se como Picasso ou Sofia Loren. Talvez um misto dos dois…
Continua uma intensa actividade no Brasil. Primeiro no Museu de Arte Moderna, em Salvador da Bahia. Depois na Casa da Cultura, no Recife. Aqui conhece gente fabulosa: Alexandrino Rocha e a mulher; João Câmara, talvez o melhor pintor brasileiro da actualidade; Raul Córdula, que a leva a conhecer um "outro" Brasil. Um Brasil inexplorado, onde floresce uma inteligência surpreendente. Um Brasil, simultaneamente, carregado de sensualidade e erotismo. Um Brasil autêntico e único. Viaja até João Pessoa, Olinda, Paraíba… Encontra poetas alcoólicos, militares dissidentes, personagens de romance, gente perdida que se encontra num copo nocturno. É por essa altura que conhece Francisco Brennand, uma personalidade esmagadora. Brennand tinha herdado vários engenhos de açúcar na zona de Recife. Decidiu transformá-los em oficinas de cerâmica. Passou a viver na fábrica. Produzia peças enormes. Peças à escala da sua personalidade. Peças gigantescas e eróticas. A Fundação Brennand está lá hoje, no Recife. Um terreno vasto, um pouco fora da cidade. As oficinas continuam a produzir. Uma obra absolutamente notável, absolutamente imperdível.

BRENNAND - TUDO FLUI





A IMPORTÂNCIA DE SER BRENNAND

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de Junho de 1927, na cidade do Recife. Em Novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo pai em 1917. Esse projecto deu origem a um colossal conjunto de esculturas cerâmicas que povoam os espaços internos e externos do ambiente, obedecendo ao sentido cosmogônico do escultor e dando origem a um universo abissal, dionisíaco, subterrâneo, sexual e religioso. A Oficina Brennand situa-se na zona da Várzea, cercada pela remanescente Mata Atlântica. Imperdível!
Fotos de uma visita ao Recife, em 2007 (repetição a pedido de várias famílias).