25.9.10

MYRA LANDAU - XXIV

De facto esta edição de Si Sabes Ver, agora lançada não é a segunda, conforme referido na reportagem acima, mas sim a terceira. A primeira edição foi editada em 1975, uma edição de autor, impressa por um amigo de Myra por troca com um quadro. A segunda, de 1984, é já assumida pela Universidade. Esta é a terceira. É uma reedição e não uma mera reposição de stocks.

A verdade é que logo em 1975, um ano após ter ingressado na Universidade Veracruzana, como professora, e por divergências académicas, Myra deixa a Faculdade de Artes Plásticas para ingressar como investigadora a tempo inteiro no Instituto de Investigação Estética e de Criação Artística, da mesma Universidade.
Tudo começou por invejas mesquinhas. As aulas de Myra tinham 100% de assistência. O seu estilo era muito o de Robin Williams, no “Clube dos Poetas Mortos”. Os alunos adoravam. Os professores queixavam-se. O cálice acabou por entornar. A mulher de um conhecido político de Xalapa começou a frequentar as aulas. Um dia apareceu com uma tela pequena, carregada ridiculamente pelo motorista e perguntou a opinião de Myra sobre o quadro. “Qual quadro? perguntou Myra. “Isso é NADA”. E mandou o motorista dali para fora. No final do ano era Myra que estava em causa.
O Reitor sempre a apoiou e acabou por criar o Instituto de Investigação porque não queria que Myra deixasse de estar ligada à Universidade. Os alunos revoltaram-se. Queriam fazer greve. Myra não deixou. Em vez disso escreveu  Si Sabes Ver, um livro dedicado aos seus alunos. No fundo é um livro contra-corrente. Um livro anti-método. Anti-sistema. Um livro agora assumido e homenageado. A partir daí a casa de Myra passou a ser sucursal da Faculdade, permanentemente frequentada por ex-alunos. O Instituto de Investigação serviu para outros projectos de que falaremos noutros episódios.

Voltando à primeira edição de Si Sabes Ver, aquela que ela própria fez em 1975, só tardiamente a Biblioteca da Universidade pediu livros. Antes, apareceram colados nas paredes da cidade, em especial perto das Faculdades, grandes cartazes, em papel barato, onde se anunciava o livro em letras bem grandes. Durante a noite Myra, amigos e alunos corriam as ruas de Xalapa com baldes de cola. No dia seguinte, os principais jornais queriam entrevistas. Finalmente a Biblioteca quis livros…
(continua)

11 comments:

chica said...

Que garra que tem Myra e não se deixa intimidar por nada. É autêntica e sincera.

Se gosta, gosta,se não,danem-se.

Issoé raça! Linda história!abração,chica

João Menéres said...

ARTISTA não pode ser subsídio- dependente.
E MYRA nunca o foi!
Este episódio da mulher de um político, aqui narrado pelo JORGE, é um exemplo claro da certeza da ARTISTA que em si existia.

Bravo MYRA!
Parabéns, JORGE!

João Menéres said...

JORGE

Servi-me do cartaz que apresenta e já rectifiquei a data!

João Menéres said...

Curioso o pormenor das 3 edições que ambos não deixámos escapar!

Jorge Pinheiro said...

Si sabes ver...

João Menéres said...

Tento!

myra said...

uma vez mais meu querido amigo Jorge, agradeço TUDO!!!!!igual ao Joao!
que amigos formidaveis tenho, sou privilegiada!

Mena G said...

E venha mais!

Alexandre Kovacs said...

Um livro fabuloso que tenho MUITO orgulho de ter em minha estante ao lado de outros clássicos da literatura e arte.

Juliana Rossa said...

Myra sempre foi muito intensa. É isso que a faz ser tão especial.

Jorge Pinheiro said...

Obrigado a todos pela vossa leitura e comentários. Dá-nos força para continuar, a mim e a Myra. Sim, isto é escrito a quatro mãos.